"Britain and France to take nuclear power to the world: Brown and Sarkozy agree joint measures on energy and illegal immigration".
Energia nuclear e imigração: o neoliberalismo hipócrita no seu melhor.
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
sábado, 22 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
o problema crónico da balança
PCP: incidentes no Tibete têm o "objectivo político de comprometer" os Jogos Olímpicos.
Quem se coloca à esquerda e quem, em muitas ou poucas ideias se revê de alguma forma no Marxismo, no Socialismo e, paralelamente e sempre, na Democracia e Liberdade - porque Socialismo e Democracia são a meu ver indissociáveis - não pode deixar de se sentir envergonhado com certas posições do PCP como esta.
É pena que o PCP tenha sempre diferentes medidas para pesos iguais ou semelhantes. Entristece-me que assim seja.
TIBETE LIVRE - ASSINE A PETIÇÃO
Quem se coloca à esquerda e quem, em muitas ou poucas ideias se revê de alguma forma no Marxismo, no Socialismo e, paralelamente e sempre, na Democracia e Liberdade - porque Socialismo e Democracia são a meu ver indissociáveis - não pode deixar de se sentir envergonhado com certas posições do PCP como esta.
É pena que o PCP tenha sempre diferentes medidas para pesos iguais ou semelhantes. Entristece-me que assim seja.
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a) Bush considera que decisão de invadir o Iraque "foi justa".
b) Iraque: Aznar diz voltaria a fazer o mesmo e que Cimeira Lajes foi "muito intensa".
c) EUA: pelo menos 200 pessoas detidas em manifestações contra a guerra no Iraque.
3 notícias, 3 leituras.
a) É de louvar a liberdade de cada um de interpretar e utilizar a palavra "justa" como bem lhe entender. E aplicação desta a uma guerra é também muito curiosa. Traz-me à memória Santo Agostinho. E a jihad.
b) Mais uma vez, a terminologia dá-nos pano para mangas. "Intensa" é um termo muito peculiar para descrever uma reunião de 4 pessoas que se juntaram para criar uma mentira, institui-la e oficializá-la. E, a partir dela, criar uma catástrofe cujos números ainda estão, e estarão por muito tempo, por apurar. Tudo isto de mãos dadas com a violação às claras de uma coisa chamada Direito Internacional Público. Cujo conteúdo foi e é definido precisamente, entre outros, por estas 4 pessoas.
c) A representação, na perfeição, daquilo que se chama de perversão da representação política.
E depois há também uma instituição, inserida precisamente no referido Direito Internacional Público, apelidada de Tribunal Penal Internacional. Onde, entre outras coisas, se julgam criminosos de guerra.
Enquanto estas 4 pessoas não se sentarem no banco dos réus dessa instituição, a Justiça, não a de Bush, não será mais do que um caricatura grosseira de si mesma.
b) Iraque: Aznar diz voltaria a fazer o mesmo e que Cimeira Lajes foi "muito intensa".
c) EUA: pelo menos 200 pessoas detidas em manifestações contra a guerra no Iraque.
3 notícias, 3 leituras.
a) É de louvar a liberdade de cada um de interpretar e utilizar a palavra "justa" como bem lhe entender. E aplicação desta a uma guerra é também muito curiosa. Traz-me à memória Santo Agostinho. E a jihad.
b) Mais uma vez, a terminologia dá-nos pano para mangas. "Intensa" é um termo muito peculiar para descrever uma reunião de 4 pessoas que se juntaram para criar uma mentira, institui-la e oficializá-la. E, a partir dela, criar uma catástrofe cujos números ainda estão, e estarão por muito tempo, por apurar. Tudo isto de mãos dadas com a violação às claras de uma coisa chamada Direito Internacional Público. Cujo conteúdo foi e é definido precisamente, entre outros, por estas 4 pessoas.
c) A representação, na perfeição, daquilo que se chama de perversão da representação política.
E depois há também uma instituição, inserida precisamente no referido Direito Internacional Público, apelidada de Tribunal Penal Internacional. Onde, entre outras coisas, se julgam criminosos de guerra.
Enquanto estas 4 pessoas não se sentarem no banco dos réus dessa instituição, a Justiça, não a de Bush, não será mais do que um caricatura grosseira de si mesma.
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segunda-feira, 17 de março de 2008
"Segundo estudos independentes, só entre 2001 e 2003, Bush, Powell, Rumsfeld, Cheney, Condleezza Rice e mais membros da administração americana proferiram um total de 935 declarações falsas [sobre a guerra no Iraque]. Neste quadro de terror e mentira impunes, não deixa de ser chocante que, nos Estados Unidos, um governador seja forçado a demitir-se por ter mentido... sobre a sua vida sexual."
Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 17 de Março de 2008
Interessa-me sobretudo a segunda parte da notícia. Sobre as mentiras de Bush e companhia, não há muito a dizer. Basta dizer que a razão apresentada para invadir o Iraque é falsa, não existe. E chega.
Agora a segunda parte. O processo de impeachment a Bill Clinton foi das coisas mais absurdas e pobres que a política norte-americana já mostrou ao mundo. Julgar e decidir sobre o destino político de um homem pela sua vida íntima é aberrante. A única coisa que aponto de negativo ao comportamento de Clinton foi, não mentir, mas admitir sequer falar sobre o problema na praça pública. Um problema que só dizia respeito a ele e às pessoas do seu círculo pessoal. Nunca aos media, à população e ao poder político. O impeach de Clinton é, além do mais, a meu ver, inconstitucional. Se analisarmos a Constituição Norte-Americana vemos que os motivos enunciados para o desencadear de um processo de impeachment se resumem a traição à pátria, subornos e questões de alta gravidade. Embora estas questões de alta gravidade sejam um conceito jurídico indeterminado, e por isso alvo possível de várias interpretações, não me parece, de forma alguma, que a vida íntima de um político - quaisquer os contornos que ela tenha, desde que não se intrometa de nenhum modo no exercício do poder - possa constituir uma situação de gravidade.
Clinton foi vergonhosamente retirado do poder à força. O processo de impeachment em causa fez-me lembrar a situação do poder político na Idade Média, onde os chefes de estado deviam fidelidade a uma série de ditâmes morais, éticos e religiosos.
Aliás, os EUA são especialmente virtuosos em fazer-nos lembrar os tempos políticos da Idade Média. A cadeira eléctrica leva-me sempre a pensar nas fogueiras e nos enforcados.
Saudosistas, os americanos.
Manuel António Pina, "Jornal de Notícias", 17 de Março de 2008
Interessa-me sobretudo a segunda parte da notícia. Sobre as mentiras de Bush e companhia, não há muito a dizer. Basta dizer que a razão apresentada para invadir o Iraque é falsa, não existe. E chega.
Agora a segunda parte. O processo de impeachment a Bill Clinton foi das coisas mais absurdas e pobres que a política norte-americana já mostrou ao mundo. Julgar e decidir sobre o destino político de um homem pela sua vida íntima é aberrante. A única coisa que aponto de negativo ao comportamento de Clinton foi, não mentir, mas admitir sequer falar sobre o problema na praça pública. Um problema que só dizia respeito a ele e às pessoas do seu círculo pessoal. Nunca aos media, à população e ao poder político. O impeach de Clinton é, além do mais, a meu ver, inconstitucional. Se analisarmos a Constituição Norte-Americana vemos que os motivos enunciados para o desencadear de um processo de impeachment se resumem a traição à pátria, subornos e questões de alta gravidade. Embora estas questões de alta gravidade sejam um conceito jurídico indeterminado, e por isso alvo possível de várias interpretações, não me parece, de forma alguma, que a vida íntima de um político - quaisquer os contornos que ela tenha, desde que não se intrometa de nenhum modo no exercício do poder - possa constituir uma situação de gravidade.
Clinton foi vergonhosamente retirado do poder à força. O processo de impeachment em causa fez-me lembrar a situação do poder político na Idade Média, onde os chefes de estado deviam fidelidade a uma série de ditâmes morais, éticos e religiosos.
Aliás, os EUA são especialmente virtuosos em fazer-nos lembrar os tempos políticos da Idade Média. A cadeira eléctrica leva-me sempre a pensar nas fogueiras e nos enforcados.
Saudosistas, os americanos.
terminologias e convencionalismos convencionais
Este texto do Ricardo Alves no Esquerda Republicana ("Liberdade para o mais forte?") sintetiza muitas das minhas ideias quanto à velha questão liberdade económica vs liberdade política. E, por arrasto, sintetiza a minha aversão à distinção que muitos insistem em fazer entre Estado autoritário e totalitário, sustentando as diferenças na ampla liberdade económica que é dada aos privados no estado autoritário, em contraponto ao absoluto controlo da economia por parte do Estado totalitário. Como se fosse possível haver liberdade económica sem haver liberdade política. Para existir uma verdadeira liberdade económica, tem de existir paralelamente igualdade de oportunidades. E esta só é promovida quando há liberdade civil e política. Caso contrário, a liberdade económica será uma distorção e perversão do conceito de liberdade; ou seja, será liberdade para alguns, para os mais fortes e poderosos. Para os outros, essa liberdade será apenas uma ilusão, uma vez que a sua posição crónica de inferioridade (por via da ausência de liberdade civil) condená-los-á inexoravelmente a permancer subjugados a um sistema do qual não fazem parte, a não ser como ferramentas do próprio sistema.
Geralmente, fala-se em Estado Autoritário como aquele que, não suprimindo as liberdades - como faz o Estado Totalitário - apenas controla essas liberdades. E aqui controlar liberdades significa, segundos os entendidos, permitir a tal liberdade económica atrás referida. Mas o que é então esta liberdade económica? Apenas um cómodo chavão para resumir a ementa de sempre: livre iniciativa, propriedade privada (os que a conseguem ter), investimento privado, incentivo aos particulares, desregulamentação do mercado de trabalho (o que em alguns estados se traduziu no corporativismo), etc. Ou seja, os próprios estudiosos, não desenvolvendo muito a matéria, acabam por cingir a diferença entre autoritário e totalitário a pura e simplesmente capitalismo privado. Mas constituirá isso substância para a diferenciação?
O que me revolta com esta distinção tão apregoada pela franja neoliberal é a sua utilização para classificar Estados absolutamente ditatoriais - Chile (Pinochet), Portugal (Salazar), Espanha (Franco), etc. - como estados autoritários. E como estados totalitários enunciam-se a Alemanha (Hitler), a Itália (Mussolini), a URSS, entre outros.
Porque coloco a democracia, a liberdade e a igualdade e os direitos fundamentais do homem acima de qualquer concepção económica, não consigo perceber esta distinção. Porque não, simplesmente, metê-los todos no mesmo saco? Mas alguém esclarecido terá dúvidas que Salazar, Franco ou Pinochet foram líderes totalitaristas?
Geralmente, fala-se em Estado Autoritário como aquele que, não suprimindo as liberdades - como faz o Estado Totalitário - apenas controla essas liberdades. E aqui controlar liberdades significa, segundos os entendidos, permitir a tal liberdade económica atrás referida. Mas o que é então esta liberdade económica? Apenas um cómodo chavão para resumir a ementa de sempre: livre iniciativa, propriedade privada (os que a conseguem ter), investimento privado, incentivo aos particulares, desregulamentação do mercado de trabalho (o que em alguns estados se traduziu no corporativismo), etc. Ou seja, os próprios estudiosos, não desenvolvendo muito a matéria, acabam por cingir a diferença entre autoritário e totalitário a pura e simplesmente capitalismo privado. Mas constituirá isso substância para a diferenciação?
O que me revolta com esta distinção tão apregoada pela franja neoliberal é a sua utilização para classificar Estados absolutamente ditatoriais - Chile (Pinochet), Portugal (Salazar), Espanha (Franco), etc. - como estados autoritários. E como estados totalitários enunciam-se a Alemanha (Hitler), a Itália (Mussolini), a URSS, entre outros.
Porque coloco a democracia, a liberdade e a igualdade e os direitos fundamentais do homem acima de qualquer concepção económica, não consigo perceber esta distinção. Porque não, simplesmente, metê-los todos no mesmo saco? Mas alguém esclarecido terá dúvidas que Salazar, Franco ou Pinochet foram líderes totalitaristas?
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Tragicomédia
Cheney diz que guerra no Iraque foi um "esforço bem sucedido".
Não sei se deva rir... ou chorar.
Dick Cheney é um dos poucos neocons do pântano político de Bush que ainda não caíu. Poderá isto sugerir competência? Sem dúvida. Mas aqui competência significa fidelidade à corrupção, desemprego, recessão económica, belicismo, imperialismo, desrespeito pelos mais elementares direitos humanos...
Que ninguém chame Cheney de incompetente!
Não sei se deva rir... ou chorar.
Dick Cheney é um dos poucos neocons do pântano político de Bush que ainda não caíu. Poderá isto sugerir competência? Sem dúvida. Mas aqui competência significa fidelidade à corrupção, desemprego, recessão económica, belicismo, imperialismo, desrespeito pelos mais elementares direitos humanos...
Que ninguém chame Cheney de incompetente!
sábado, 15 de março de 2008
Corajosa e coerente esta acção. Não considero no entanto que a autorização da utilização do véus islâmico nos estabelecimentos de ensino seja uma ameaça à laicidade do Estado. Sobre essa questão, partilho da opinião de Vital Moreira. Aqui.
No entanto, reconheço que para muitos possa de facto constituir essa ameaça real. Compreendo e até certo ponto deixo-me seduzir pelas suas razões. Mas, como o já citado Vital Moreira afirma, "(...) entendo que numa democracia liberal a indumentária é uma questão de liberdade individual, em geral, e de liberdade religiosa, em particular".
Enfim, fico à espera do que vai acontecer. Até porque, apesar de não me opôr a esta lei, creio que a actual dupla de chefia turca (o PM Erdogan e o PR Gul) pode ser, de facto, um obstáculo à plena laicidade do poder político. E, também, um obstáculo à entrada da Turquia na UE.
No entanto, reconheço que para muitos possa de facto constituir essa ameaça real. Compreendo e até certo ponto deixo-me seduzir pelas suas razões. Mas, como o já citado Vital Moreira afirma, "(...) entendo que numa democracia liberal a indumentária é uma questão de liberdade individual, em geral, e de liberdade religiosa, em particular".
Enfim, fico à espera do que vai acontecer. Até porque, apesar de não me opôr a esta lei, creio que a actual dupla de chefia turca (o PM Erdogan e o PR Gul) pode ser, de facto, um obstáculo à plena laicidade do poder político. E, também, um obstáculo à entrada da Turquia na UE.
furos e cores
O PS decidiu apresentar no Parlamento um projecto lei para regular a actividade dos estabelecimentos onde se fazem tatuagens e piercings. Todavia, depois de analisarmos o projecto lei, apercebemo-nos da distância perigosa que vai entre regular e proibir.
Uma coisa é regular a actividade destes estabelecimentos no que toca aos seus equipamentos, higiene dos métodos e instrumentos de trabalho. Até aqui, o projecto do PS é de louvar. Como diz o deputado do PS, Renato Sampaio, o projecto constituirá um "factor de protecção dos consumidores e de informação dos profissionais". Certo.
Outra coisa é proibir. E aqui a proibição socialista assume duas dimensões: a proibição de menores de 18 anos fazerem qualquer piercing e tatuagem; e a probição de qualquer cidadão, qualquer que seja a sua idade, de fazer piercings na língua ou nos genitais.
Parece-me a mim que esta segunda parte do projecto não tem muito que se lhe diga, a não ser que é uma intromissão na liberdade de cada um fazer o que lhe bem apetece. O PS diz que a medida se destina a evitar infecções e lesões cutâneas. Antes de mais, é de saudar esta omnisciência de Sócrates e companhia no que toca à arte dos piercings. Não que eu seja um perito na arte mas, possuindo algum historial na questão e conhecendo muita gente que usa e abusa de furos, posso afirmar com alguma certeza que qualquer piercing, à excepção de locais cronicamente complicados - casos da nuca ou do antebraço, por exemplo - quando feito com os instrumentos adequados (pistola ou agulha conforme os locais), em perfeitas condições de higiene e seguindo-se os conselhos posteriores à sua aplicação (desinfecção, não mexer, etc), raramente traz problemas para o cliente.
Depois vem a seguinte questão: antes de qualquer suposta preocupação do Estado com a minha língua (!), está a minha preocupação. A minha liberdade. A minha vontade. E estas estão de facto antes, mesmo muito antes, de qualquer preocupação do Estado. Por muito atenciosa que ela seja (?).
Ao lêr alguns comentários a esta notícia num site de um jornal diário, a minha apreensão subiu de tom. "Se os pais já não têm mãos nos filhos, ao menos que o Estado tenha!". Pois é. É este o enorme perigo em que esta medida se traduz. Um perigo para a democracia e para a tolerância. Porque basta darmos uma volta pela Europa, para vermos homens e mulheres tatuados e com piercings nos supermercados, nas lojas, nos correios, na polícia, nos transportes públicos,...
E já agora, deixo uma pergunta. Porquê que o PS não se lembra também de regular o funcionamento dos solários? É que estes, ao contrário dos piercings, já foram provados como verdadeiras ameaças para a nossa pele...
Uma coisa é regular a actividade destes estabelecimentos no que toca aos seus equipamentos, higiene dos métodos e instrumentos de trabalho. Até aqui, o projecto do PS é de louvar. Como diz o deputado do PS, Renato Sampaio, o projecto constituirá um "factor de protecção dos consumidores e de informação dos profissionais". Certo.
Outra coisa é proibir. E aqui a proibição socialista assume duas dimensões: a proibição de menores de 18 anos fazerem qualquer piercing e tatuagem; e a probição de qualquer cidadão, qualquer que seja a sua idade, de fazer piercings na língua ou nos genitais.
Parece-me a mim que esta segunda parte do projecto não tem muito que se lhe diga, a não ser que é uma intromissão na liberdade de cada um fazer o que lhe bem apetece. O PS diz que a medida se destina a evitar infecções e lesões cutâneas. Antes de mais, é de saudar esta omnisciência de Sócrates e companhia no que toca à arte dos piercings. Não que eu seja um perito na arte mas, possuindo algum historial na questão e conhecendo muita gente que usa e abusa de furos, posso afirmar com alguma certeza que qualquer piercing, à excepção de locais cronicamente complicados - casos da nuca ou do antebraço, por exemplo - quando feito com os instrumentos adequados (pistola ou agulha conforme os locais), em perfeitas condições de higiene e seguindo-se os conselhos posteriores à sua aplicação (desinfecção, não mexer, etc), raramente traz problemas para o cliente.
Depois vem a seguinte questão: antes de qualquer suposta preocupação do Estado com a minha língua (!), está a minha preocupação. A minha liberdade. A minha vontade. E estas estão de facto antes, mesmo muito antes, de qualquer preocupação do Estado. Por muito atenciosa que ela seja (?).
Ao lêr alguns comentários a esta notícia num site de um jornal diário, a minha apreensão subiu de tom. "Se os pais já não têm mãos nos filhos, ao menos que o Estado tenha!". Pois é. É este o enorme perigo em que esta medida se traduz. Um perigo para a democracia e para a tolerância. Porque basta darmos uma volta pela Europa, para vermos homens e mulheres tatuados e com piercings nos supermercados, nas lojas, nos correios, na polícia, nos transportes públicos,...
E já agora, deixo uma pergunta. Porquê que o PS não se lembra também de regular o funcionamento dos solários? É que estes, ao contrário dos piercings, já foram provados como verdadeiras ameaças para a nossa pele...
segunda-feira, 10 de março de 2008
"Sozinho em casa com as crianças, o Tio decidiu mascarar-se para as divertir. Ao cabo de uma longa espera, como ele nunca mais aparecia, as crianças desceram e viram um homem mascarado a meter as pratas num saco.
- Oh! Tio - exclamaram deliciadas.
- Então, gostam da minha máscara? - perguntou o Tio, tirando a máscara.
Este é o silogismo hegeliano do humor. Tese: o Tio disfarça-se de ladrão (divertimento das crianças); antítese: era um ladrão (divertimento para o leitor); síntese: era mesmo o Tio (gozar o leitor). Era deste super-humor que Rex gostava de pôr na sua obra; e dizia ele, era coisa bastante nova".
in Riso na Escuridão, Vladimir Nabokov
- Oh! Tio - exclamaram deliciadas.
- Então, gostam da minha máscara? - perguntou o Tio, tirando a máscara.
Este é o silogismo hegeliano do humor. Tese: o Tio disfarça-se de ladrão (divertimento das crianças); antítese: era um ladrão (divertimento para o leitor); síntese: era mesmo o Tio (gozar o leitor). Era deste super-humor que Rex gostava de pôr na sua obra; e dizia ele, era coisa bastante nova".
in Riso na Escuridão, Vladimir Nabokov
domingo, 9 de março de 2008
It's the sound of the Police
Foi muito curioso encontrar, em plena Lisboa, na rua Augusta (que nostalgia dos tempos do monopólio, 4 ou 5 bancas da PSP.
O propósito era encher o olho aos turistas e sossegar os lisboetas quanto à suposta violência e criminalidade na capital. Ora vai daí, tratou-se de montar verdadeiros stands policiais, repletos de equipamentos, veículos e, melhor, histórias da instituição. Cada stand era ainda composto pela presença de alguns agentes da autoridade, todos eles muito sorridentes e afáveis.
Mas o mais engraçado eram mesmo as pequenas notas informativas e históricas em relação à acção da PSP. Recordo-me uma que começava mais ou menos assim: "Quem não se lembra do Euro 2004? De como o mundo do futebol chegou até nós de forma bem sucedida? Notável papel teve nesse Verão a PSP...". Depois outras pequenas pérolas: "Segundo o estudo xyz, Lisboa é o segundo destino do mundo mais seguro para ser visitado". "Em dados analisados pela iuvfds, Lisboa, numa escala de 0 a 10, foi avaliada em 7,66, valor para o qual contribui inegavelmente a acção da PSP...".
E os fatos super científicos que estavam orgulhosamente expostos? Só mesmo para serem expostos...
Não quero com isto ser, de alguma forma, um "bota abaixo". Até porque não considero Lisboa uma cidade violenta. Não é essa a questão. Simplesmente, é difícil não presenciar todo este foclore e não nos vir à cabeça duas coisas: propaganda e parolice.
O propósito era encher o olho aos turistas e sossegar os lisboetas quanto à suposta violência e criminalidade na capital. Ora vai daí, tratou-se de montar verdadeiros stands policiais, repletos de equipamentos, veículos e, melhor, histórias da instituição. Cada stand era ainda composto pela presença de alguns agentes da autoridade, todos eles muito sorridentes e afáveis.
Mas o mais engraçado eram mesmo as pequenas notas informativas e históricas em relação à acção da PSP. Recordo-me uma que começava mais ou menos assim: "Quem não se lembra do Euro 2004? De como o mundo do futebol chegou até nós de forma bem sucedida? Notável papel teve nesse Verão a PSP...". Depois outras pequenas pérolas: "Segundo o estudo xyz, Lisboa é o segundo destino do mundo mais seguro para ser visitado". "Em dados analisados pela iuvfds, Lisboa, numa escala de 0 a 10, foi avaliada em 7,66, valor para o qual contribui inegavelmente a acção da PSP...".
E os fatos super científicos que estavam orgulhosamente expostos? Só mesmo para serem expostos...
Não quero com isto ser, de alguma forma, um "bota abaixo". Até porque não considero Lisboa uma cidade violenta. Não é essa a questão. Simplesmente, é difícil não presenciar todo este foclore e não nos vir à cabeça duas coisas: propaganda e parolice.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Moi Portugal!
Voltei do meu périplo pelo norte da Europa.
As lembranças são muitas e boas. Maravilhosas. Helsínquia será certamente um destino a considerar se um dia tiver oportunidade de estudar ou fazer investigação fora do país. Não queria caír no provincianismo fácil mas... custa não chegarmos à conclusão que, de facto, a Finlândia é um país onde "tudo funciona bem". Porque realmente funciona!
Por falta de tempo, não me foi possível fazer uma actualização mais frequente no blog. Por isso, agora, com calma, irei deixando por aqui algumas fotografias, estórias e pensamentos de 12 dias na terra onde o tempo frio e o calor humano se combinam de tal forma que a sensação de aconchego é muito, muito forte. Confuso, talvez... mas verdadeiro! Senti-o. Sempre.
Ikava sinua, Suomi...
Um abraço
As lembranças são muitas e boas. Maravilhosas. Helsínquia será certamente um destino a considerar se um dia tiver oportunidade de estudar ou fazer investigação fora do país. Não queria caír no provincianismo fácil mas... custa não chegarmos à conclusão que, de facto, a Finlândia é um país onde "tudo funciona bem". Porque realmente funciona!
Por falta de tempo, não me foi possível fazer uma actualização mais frequente no blog. Por isso, agora, com calma, irei deixando por aqui algumas fotografias, estórias e pensamentos de 12 dias na terra onde o tempo frio e o calor humano se combinam de tal forma que a sensação de aconchego é muito, muito forte. Confuso, talvez... mas verdadeiro! Senti-o. Sempre.
Ikava sinua, Suomi...
Um abraço
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Ainda o Kiasma
Katso!
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Tervetuola Suomi!
Viva!
As primeiras impressões de uma viagem surgem normalmente quando damos os primeiros passos pelo lugar que nos irá acolher.
As minhas primeiras impressões foram outras e antes de chegar ao meu porto seguro. Viajar em lowcost tem as suas vantagens: além dos evidentes preços-pechincha, somos ainda poupados a certas coisas. Como segurança, por exemplo. Ou, pelo menos, à "segurança" que é operada nos vôos não-lowcost. Com efeito, a relação tempo de espera nos aeroportos-preço de uma viagem até à Finlândia não compensa a opção por Ryanairs, Easy Jets e coisas do género. Por isso mesmo a opção recaiu por uma companhia "normal". Como já não viajava há muito nestes tipo de companhias, qual foi o meu espanto quando me assaltaram. De alto a baixo. Literalmente. Primeiro foi a mochila. Depois o casaco. Depois o forro polar. Depois a camisola. Os headphones. A marmita. O cinto (!!). E, pecado dos pecados, trazia uma garrafa de água comigo. Inconcebível! É que se até 750 mililitros, a sede é tolerável, mais do que isso é... reprovável! E por isso proibido. Ora durante todo o assalto, o meu ar incrédulo e patético chocou os ladrões, que me revistavam com um evidente ar trocista. Afinal de contas, o possível criminoso ali era eu! Terminado este acto bárbaro, ainda estupefacto, vi serem-me devolvidos os meus pertences. Ao que parece, estavam totalmente "limpos". Deixaram-me então embarcar. Atordoado, arrastei-me de malas nas mãos, com as fraldas de fora, até à máquina voadora.
O fantasma das cuecas rotas chamado "terrorismo" está, de facto, em todo o lado. É-nos apresentado pelos senhores da "paz mundial", apodera-se calmamente dos nosso pensamentos e passa a passear tranquilamente nas nossas preocupações.
E aqui estou. Com uma temperatura que nos faz andar constantemente de pingo no nariz, joelhos a tremer e cara séria. Atenção: cara séria para os não acostumados. Os nativos, pelo contrário, enchumaçados até às orelhas, passeiam como nós na maioria do ano: bem-dispostos e descontráidos. Em Roma sê romano: assim o fiz. Gorro, luvas, cachecol, um sém-número de camisolas e dois bons pares de meia. Sinceramente, gosto deste tempo. Paradoxalmente, acaba por ser acolhedor.
Moi Moi!
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
içando as velas
Venho só deixar uma nota de despedida.
Vou estar ausente por uns tempos, em expedição pela longínqua e fria Escandinávia. Mas como não sou egoísta, virei pontualmente partilhar algumas imagens e pensamentos. Para fazer um pouquinho de inveja também...
Não será desta que irei navegar pelo Bósforo, essa jornada ficará para depois. Mas terei pela frente os igualmente assombrosos mares do Norte e Báltico.
Terra à vista!
Um abraço
Vou estar ausente por uns tempos, em expedição pela longínqua e fria Escandinávia. Mas como não sou egoísta, virei pontualmente partilhar algumas imagens e pensamentos. Para fazer um pouquinho de inveja também...
Não será desta que irei navegar pelo Bósforo, essa jornada ficará para depois. Mas terei pela frente os igualmente assombrosos mares do Norte e Báltico.
Terra à vista!
Um abraço
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Lorosae
A notícia das emboscadas feitas a Ramos Horta e Xanana Gusmão que acordou o mundo na segunda-feira chegou-me um pouco mais cedo. Era uma da manhã de segunda quando, às voltas com as partes quentes e frias da minha almofada, me virei de barriga para o ar e com os olhos muito abertos escutei o jornalista da Antena 1 que dava a notícia em primeira mão.
Timor Lorosae, ou Timor Leste, como preferirem, é um país cheio de dificuldades. Mas é também um país com excelentes recursos naturais, com apoios e, mais importante, com vontade e força de crescer, de andar para a frente. Há pois uma grande margem de progresso no no sentido de uma sociedade próspera, solidária e igualitária.
Depois de um percurso lento, penoso e sangrento rumo à independência e à liberdade, Timor é hoje um país que, não tendo a problemática da multiplicidade e conflitualidade tribal e religiosa que existe em numerosos países africanos, continua no entanto a estar dividido. A unicidade da nação continua a estar em causa. E porquê? Porque as sequelas das lutas de poder e interesses são muitas entre os vários antigos líderes dos movimentos clandestinos de oposição à ocupação opressora indonésia. E estão bem vivas. A transição democrática não conseguiu apagar ou contornar estas vicissitudes. E os líderes em causa não souberam, ou não quiseram, pôr de parte caprichos, ambições e querelas antigas e unirem-se em torno do que era fundamental para um país recém nascido: reconstrução, progresso e solidariedade. Por isso mesmo, há Alfredos Reinados e outros que tais. Por outro lado, os actores políticos são os mesmos da libertação. À excepção de alguns partidos e algumas novas caras, as grandes personagens da cena política são as mesmas. E o que isso pode constituir de positivo (experiência, conhecimento no terreno, etc.), tem também um inverso negativo. Neste caso, esse inverso são precisamente as querelas e os confrontos internos. E destes, uns saiem vencedores, outros não. E os que ficam de foram, acabam por desenvolver uma espécie de guerrilha política, assente na desobediência e ataques constantes ao poder político, do qual as tentativas de assassinato de Ramos-Horta e Xanana Gusmão são expoente máximo.
Por outro lado, as forças internacionais instaladas nas ruas de Díli também não souberam, a meu ver, colaborar da melhor forma com as instituições (ou parecido com isso) locais. Quantas vezes se ouvem queixas e gritos de revolta de quem se insurge contra a opressão da polícia australiana ou da ganância das multinacionais petrolíferas australianas, americanas e outras? Quanto à ONU, tem feito o que pode. Nem muito, nem pouco. Acorre aqui, acorre ali, não se conseguindo assumir verdadeira e activamente como elo de ligação entre o poder político timorense, as forças internacionais e o povo.
Xanana Gusmão é um dos meus heróis de infância. Desde que me lembro de acompanhar a causa timorense, por influência do meu pai, sempre admirei a nobreza, a rebeldia, a tenacidade e a vontade do actual Primeiro-Ministro de Timor. Hoje Xanana é um homem diferente. Ou se calhar, hoje é simplesmente um político. Será isso? É evidente que hoje não era de esperar, nem fazia sentido, que Xanana andasse andrajoso e com a barba por fazer de espingarda às costas. Não se trata disso. Mas hoje vejo um Xanana cansado, triste. Numa entrevista sua há já algum tempo para a Única, li as frases de alguém abatido, pouco motivado, e resignado com a burocracia e com o sistema. Sem ideias novas. Acho que o estado de coisas hoje em Timor-Leste passa também por este abatimento de Xanana.
Por sua vez, Ramos-Horta, actual PR, é o que hoje se chama de forma simpática e benevolente de moderado. Está na moda. Nunca percebi muito bem o que isto quer dizer. E mais confuso fico quando este adjectivo é quase sempre utilizado com uma conotação positiva ou meritória. Como se a moderação fosse o remédio para todos os males. Ramos-Horta, como bom "moderado" que é, tem pois dividido o seu tempo em pequenas querelas políticas internas (a mais visível foi com Mari Alkatiri), resultados pouco consistentes ou inexistentes para o povo timorense e ainda mantendo relações muito cordatas e abertas com as potências ocidentais. Coroou recentemente o seu status político recomendando Durão Barroso para Prémio Nobel da Paz... bem, só por estas palavras, quem podia ficar sem o seu Prémio Nobel da Paz era o próprio Ramos-Horta.
Apesar desta leitura pessimista, continuo a acreditar em Xanana e Ramos-Horta como homens capazes de fazer algo por Timor. Especialmente em Xanana, pela admiração que por ele nutro e pelo cargo que ocupa de PM (mais activo do que o de Ramos-Horta no sistema semi-presidencial timorense).
Ramos-Horta e Xanana continuam a ser a coluna mestra da democracia timorense e das suas instituições. Por tudo e mais alguma coisa. Por isso mesmo, temo que o sucesso das emboscadas perpretadas por Alfredo Reinado levaria a uma espiral de violência e instabilidade quase impossível de conter.
Espero que este acontecimento tenha precisamente o efeito contrário: acordar a democracia de Timor Lorosae e todos os agentes e instituições que ela envolve. Para que se vislumbre efectivamente um "sol nascente".
Timor Lorosae, ou Timor Leste, como preferirem, é um país cheio de dificuldades. Mas é também um país com excelentes recursos naturais, com apoios e, mais importante, com vontade e força de crescer, de andar para a frente. Há pois uma grande margem de progresso no no sentido de uma sociedade próspera, solidária e igualitária.
Depois de um percurso lento, penoso e sangrento rumo à independência e à liberdade, Timor é hoje um país que, não tendo a problemática da multiplicidade e conflitualidade tribal e religiosa que existe em numerosos países africanos, continua no entanto a estar dividido. A unicidade da nação continua a estar em causa. E porquê? Porque as sequelas das lutas de poder e interesses são muitas entre os vários antigos líderes dos movimentos clandestinos de oposição à ocupação opressora indonésia. E estão bem vivas. A transição democrática não conseguiu apagar ou contornar estas vicissitudes. E os líderes em causa não souberam, ou não quiseram, pôr de parte caprichos, ambições e querelas antigas e unirem-se em torno do que era fundamental para um país recém nascido: reconstrução, progresso e solidariedade. Por isso mesmo, há Alfredos Reinados e outros que tais. Por outro lado, os actores políticos são os mesmos da libertação. À excepção de alguns partidos e algumas novas caras, as grandes personagens da cena política são as mesmas. E o que isso pode constituir de positivo (experiência, conhecimento no terreno, etc.), tem também um inverso negativo. Neste caso, esse inverso são precisamente as querelas e os confrontos internos. E destes, uns saiem vencedores, outros não. E os que ficam de foram, acabam por desenvolver uma espécie de guerrilha política, assente na desobediência e ataques constantes ao poder político, do qual as tentativas de assassinato de Ramos-Horta e Xanana Gusmão são expoente máximo.
Por outro lado, as forças internacionais instaladas nas ruas de Díli também não souberam, a meu ver, colaborar da melhor forma com as instituições (ou parecido com isso) locais. Quantas vezes se ouvem queixas e gritos de revolta de quem se insurge contra a opressão da polícia australiana ou da ganância das multinacionais petrolíferas australianas, americanas e outras? Quanto à ONU, tem feito o que pode. Nem muito, nem pouco. Acorre aqui, acorre ali, não se conseguindo assumir verdadeira e activamente como elo de ligação entre o poder político timorense, as forças internacionais e o povo.
Xanana Gusmão é um dos meus heróis de infância. Desde que me lembro de acompanhar a causa timorense, por influência do meu pai, sempre admirei a nobreza, a rebeldia, a tenacidade e a vontade do actual Primeiro-Ministro de Timor. Hoje Xanana é um homem diferente. Ou se calhar, hoje é simplesmente um político. Será isso? É evidente que hoje não era de esperar, nem fazia sentido, que Xanana andasse andrajoso e com a barba por fazer de espingarda às costas. Não se trata disso. Mas hoje vejo um Xanana cansado, triste. Numa entrevista sua há já algum tempo para a Única, li as frases de alguém abatido, pouco motivado, e resignado com a burocracia e com o sistema. Sem ideias novas. Acho que o estado de coisas hoje em Timor-Leste passa também por este abatimento de Xanana.
Por sua vez, Ramos-Horta, actual PR, é o que hoje se chama de forma simpática e benevolente de moderado. Está na moda. Nunca percebi muito bem o que isto quer dizer. E mais confuso fico quando este adjectivo é quase sempre utilizado com uma conotação positiva ou meritória. Como se a moderação fosse o remédio para todos os males. Ramos-Horta, como bom "moderado" que é, tem pois dividido o seu tempo em pequenas querelas políticas internas (a mais visível foi com Mari Alkatiri), resultados pouco consistentes ou inexistentes para o povo timorense e ainda mantendo relações muito cordatas e abertas com as potências ocidentais. Coroou recentemente o seu status político recomendando Durão Barroso para Prémio Nobel da Paz... bem, só por estas palavras, quem podia ficar sem o seu Prémio Nobel da Paz era o próprio Ramos-Horta.
Apesar desta leitura pessimista, continuo a acreditar em Xanana e Ramos-Horta como homens capazes de fazer algo por Timor. Especialmente em Xanana, pela admiração que por ele nutro e pelo cargo que ocupa de PM (mais activo do que o de Ramos-Horta no sistema semi-presidencial timorense).
Ramos-Horta e Xanana continuam a ser a coluna mestra da democracia timorense e das suas instituições. Por tudo e mais alguma coisa. Por isso mesmo, temo que o sucesso das emboscadas perpretadas por Alfredo Reinado levaria a uma espiral de violência e instabilidade quase impossível de conter.
Espero que este acontecimento tenha precisamente o efeito contrário: acordar a democracia de Timor Lorosae e todos os agentes e instituições que ela envolve. Para que se vislumbre efectivamente um "sol nascente".
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