sábado, 31 de maio de 2008

na música como na vida...

Frank T - Optimista y Soñador



Y SI CERRARA LOS OJOS E IMAGINARA ALGO MEJOR,
TAL VEZ LLORASE AL ABRIRLOS, PORQUE ¡HAY QUE VER! ¡CUANTO DOLOR!
TAN SOLO UNA CANCIÓN, UN PENSAMIENTO, UNA ORACIÓN
DE UN RIMADOR MAS OPTIMISTA Y SOÑADOR.

Nada mejor que todo hubiese ido bonito desde el principio de los escritos, hasta el final del infinito.
Nada mejor que las sonrisas de los necios, ante las burlas de los sabios que a veces miran con desprecio.
Nada mejor que el mundo hubiese sido plano y con ello haber conseguido que el hombre fuera algo mas humano,
con palabras de poetas y esculturas de artesanos, no palabras de mentira de un presidente republicano.
Nada mejor que tu seas grande y yo pequeño y luego estemos jugando a lo mismo, y en verdad no solo en sueños.
Y nada mas y nada mejor que preguntarle al señor odio si en el fondo de su ser reside el amor.
Nada mejor que tener a alguien a quien llamar, para charlar, para reír, para abrazar, para llorar.
Nada mejor que tener a alguien de quien uno pueda fiarse y hasta en eso y muy de cerca hay que fijarse.
Nada mejor que disculparse del error que has cometido si además el que ha sufrido es ser querido.
Y nada más y nada mejor que a veces ser más optimista aunque parezca ser ingenuo y soñador.

Y SI CERRARA LOS OJOS E IMAGINARA ALGO MEJOR,
TAL VEZ LLORASE AL ABRIRLOS, PORQUE ¡HAY QUE VER! ¡CUANTO DOLOR!
TAN SOLO UNA CANCIÓN, UN PENSAMIENTO, UNA ORACIÓN
DE UN RIMADOR MAS OPTIMISTA Y SOÑADOR.

Nada mejor que el escuchar aquellas viejas canciones con sus refranes y lecciones, reencontrarse con estas,
el escuchar como tacaban y aplaudir a un mas sabiendo que ese estilo ellos creaban.
Nada mejor que dibujar toda la música de hoy día con los muestreos de aquellas viejas melodías,
no quiero ser ni parecer un amargado nostálgico, es mi homenaje a aquel sonido tan mágico.
Nada mejor que usar el beat para sentir, usar el rap para decir y bien decir si hay que decir,
se que hay veces que es mejor tener el pico cerrado, pero con tanta tiranía no puedo quedarme callado.
Nada mejor que esos momentos de esperanza, cuando resulta derrocado algún tirano dictador,
lástima que el que entra acabe siendo corrompido y el futuro del pueblo siga tan poco alentador.
Nada mejor que imaginarse a un presidente que sea justo, que sea digno y que mire bien por el trabajador.
Y nada más y nada mejor que a veces ser más optimista aunque parezca ser ingenuo y soñador.

Y SI CERRARA LOS OJOS E IMAGINARA ALGO MEJOR,
TAL VEZ LLORASE AL ABRIRLOS, PORQUE ¡HAY QUE VER! ¡CUANTO DOLOR!
TAN SOLO UNA CANCIÓN, UN PENSAMIENTO, UNA ORACIÓN
DE UN RIMADOR MAS OPTIMISTA Y SOÑADOR.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

imperialismo por quotas

Este artigo de opinião no Avante! evidencia a cegueira que afecta alguns comunistas. Não todos, felizmente. E, pior, mostra uma cegueira que só subsiste por afectos históricos que, mesmo que contrariados pela realidade contemporânea paradoxal, têm que ser mantidos por respeito a uma rectio ratio que não se sabe bem qual é. Nem eles sabem.
O imperalismo de Luís Carapinhas só tem uma face: os EUA (que o são, de facto). Mas quanto às atitudes intimidatórias da Rússia na sua zona circundante (Ucrânia, por exemplo) ou à aspirações independentistas (Chechénia é só uma delas) violentamente reprimidas pelo Kremlin, nem uma palavra. Relativamente à investida chinesa em África, nem uma palavra.

nuestros hermanos

Curta mas muito boa esta reportagem sobre o Hip Hop espanhol:

quarta-feira, 28 de maio de 2008

pobreza

Depois do debate entre os candidatos à presidência do PSD na SIC, fiquei por 10 minutos a assistir ao rescaldo feito pelos ditos "analistas políticos".
Discutiram-se as estratégias de marketing de cada campanha; o "saber estar" em televisão; o muito ou pouco à vontade de Manuela Ferreira Leite e a evolução deste desde o último debate; a imagem de cada candidato e a força desta entre os militantes, as quezílias pessois entre os candidatos; o "carácter incisivo e directo" de Patinha Antão; ...
Não de discutiu uma ideia, um programa, uma doutrina.
Que tristeza.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

comecar bem, acabar mal

Considerando que só no homem encontramos sinais, ou frutos da religião, não há motivo para duvidar de que a semente da religião se encontra também apenas no homem.
(...)
Em primeiro lugar, é peculiar à natureza do homem investigar as causas dos eventos a que assiste(...).
Em segundo lugar, é-lhe também peculiar, perante toda e qualquer coisa que tenha tido um começo, pensar que ela teve também uma causa (...).
E quando se vê na impossibilidade de descobrir as verdadeiras causas das coisas (dado que as causas da boa e má sorte são na sua maior parte invisíveis) supões causas para elas, quer as que lhe são sugeridas pela sua própria imaginação, quer as que aceita da autoridade de outros homens, os quais considera seus amigos e mais sábios do que ele próprio.
Os dois primeiros motivos dão origem à inquietude.
(...)
Este medo perpétuo que acompanha os homens ignorantes das causas, como se estivessem no escuro, deve necessariamente ter um objecto. Quando portanto não há nada que possa ser visto, nada acusam, quer da boa quer da má sorte, a não ser algum poder ou agente invisível. Foi talvez neste sentido que alguns dos antigos poetas disseram que os deuses foram criados pelo medo dos homens. (...) Isto é, uma primeira e eterna causa de todas as coisas, que é o que os homens significam com o nome de Deus. (...), que assim dão ensejo à invenção de tantos deuses quantos forem os homens que os inventem.
Mas a opinião de que tais espíritos são incorpóreos e imateriais jamais poderia entrar, por natureza, na mente de nenhum homem, porque embora os homens seham capazes de reunir palavras de significação contraditória, como espírito e incorpóreo, jamais serão capazes de ter a imaginação de alguma coisa que lhes corresponda. Portanto, os homens que, por sua própria meditação, acabam por reconhecer um Deus infinito, omnipotente e eterno, preferem antes confessar que Ele é incompreensível e se encontra acima do seu entendimento, em vez de definir a sua natureza pelas palavras espírito incorpóreo, para depois confessar que a sua definição é inintelegível. Ou, se Lhe atribuem esse título, não é dogmaticamente, com a intenção de fazer entender a sua natureza divina, mas piedosamente, para honrá-lo com atributos ou significações o mais distantes que seja possível da solidez dos corpos visíveis.
(...)
Salvo que, fazendo a partir do tempo passado conjecturas sobre o tempo futuro, estão extremamente sujeitos, não apenas a tomar coisas acidentais, depois de uma ou duas ocorrências, por prognósticos de que o mesmo sempre ocorrerá no futuro, mas também a acreditar em idênticos prognósticos feitos por outros homens dos quais conceberam uma opinião favorável.
(...)
E é nestas quatro coisas, a crença nos fantasmas, a ignorâncias das causas segundas, a devoção pelo que se teme e a aceitação de coisas acidentais como prognósticos, que consiste a semente natural da religião. Essa, devido às diferenças da imaginação, julgamento e paixões de diversos homens, desenvolveu-se em cerimónias tão diferentes que as praticadas por um homem são na sua maior parte consideradas ridículas por outro.


in Leviathan, Thomas Hobbes

Todavia, depois de toda esta construção, Hobbes, previsivelmente e pelo que conhecemos do resto da sua obra, mas também paradoxalmente, acaba por dizer que as "(...) sementes foram cultivadas por duas espécies de homens. Uma espécie foi a daqueles que as alimentaram e ordenaram segundo a sua própria invenção. A outra foi a dos que fizeram sob o mando e direcção de Deus". Claro, assim tinha que ser, ou não estivesse Hobbes a sustentar e justificar política e idealisticamente o absolutismo monárquico de raíz cristã na Inglaterra do século XVII.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Bater no ceguinho

Sócrates e Pinho violaram proibição de fumar a bordo do voo de Lisboa para Caracas.

Não obstante o evidente desrespeito dos fumadores em causa, é triste ver como o Público (ou o Belmiro?) continua na sua senda de perseguição e (tentativa de) condenação vergonhosa de Sócrates.
É assim que um jornal vai perdendo seriedade. E leitores.

(será que este post vai ser linkado pelo Twinkle do Público on-line?)

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Maio 68

Regarde-nous Mégalopolis
Nous sommes tes enfants,
nous sommes une armée
Armée jusques aux dents
d'amour et de tendresse
de rage et de sagesse,
de force et de beauté
Vous avez beau tenir en main
nos forteresses
Ce sont des poudrières
NOS UNIVERSITÉS!
(...)
Notre terre est pourrie,
car il pleut du pétrole
Même l'air qu'on respire
nous est taxé
Présidents planétaires,
ces petites bricoles
Je vous donne ma parole,
vous allez les payer!
(...)
Le combat, le combat, Mégalopolis
Est la seule solution quis nous est donnée
Nous serons des milliers contre la Police
Nous serons mdes millions contre les armées!
Le Bonheur c'est un droit, pas une utopie
Et l'Amour, notre loi, notre seule patrie
C'est au nom de la joie que l'on marche et crie

Qu'on n'a
Pas besoin de Marx ou de Jésus
Pour changer le ciel de notre Histoire
Contre la violence du pouvoir
Nous avons les forces de la rue!

Ni Marx, Ni Jésus

Herbert Pagani

segunda-feira, 28 de abril de 2008

O mundo não precisa de ser posto em ordem, pois o mundo é a encarnação da ordem. Compete-nos a nós colocarmo-nos em uníssono com essa ordem, compreender o que é a ordem do mundo em contraste com as ordens - que acreditamos sejam as verdadeiras - que procuramos impor uns aos outros. O poder que desejaríamos possuír para estabelecer o bom, o verdadeiro e o belo demonstraria ser, se pudéssemos tê-lo, o meio de nos destruirmos mutuamente. É uma felicidade sermos impotentes a esse respeito. Primeiro precisamos de adquirir visão e depois disciplina e indulgência. Enquanto não tivermos a humildade de aceitar a existência de um visão superior à nossa, enquanto não tivermos fé e confiança em forças superiores às nossas, o cego terá de guiar o cego. Os homens convencidos de que o trabalho e a inteligência tudo conseguirão, arriscam-se até a ser enganados pelo quixotesco e imprevisto curso dos acontecimentos. São eles os perpetuamente decepcionados e, incapazes já de acusar os deuses, ou Deus, voltam-se para os seus semelhantes e dão escape à sua raiva impotente aos gritos de "Traição!", "Estupidez!", e outros termos ocos.

in Sexus, Henry Miller

sexta-feira, 25 de abril de 2008

PREÂMBULO
A 25 de Abril de 1974, o Movimento das Forças Armadas, coroando a longa resistência do povo português e interpretando os seus sentimentos profundos, derrubou o regime fascista.

Libertar Portugal da ditadura, da opressão e do colonialismo representou uma transformação revolucionária e o início de uma viragem histórica da sociedade portuguesa.

A Revolução restituiu aos Portugueses os direitos e liberdades fundamentais. No exercício destes direitos e liberdades, os legítimos representantes do povo reúnem-se para elaborar uma Constituição que corresponde às aspirações do país.

A Assembleia Constituinte afirma a decisão do povo português de defender a independência nacional, de garantir os direitos fundamentais dos cidadãos, de estabelecer os princípios basilares da democracia, de assegurar o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo português, tendo em vista a construção de um país mais livre, mais justo e mais fraterno.


Há que continuar a descolonizar (noutros termos), desenvolver (e não somente crescer) e democratizar (incessantemente)!

Em cada esquina um amigo,
em cada rosto igualdade...


Zeca Afonso

domingo, 20 de abril de 2008

o antes e o depois

O Tribunal Constitucional chileno declarou inconstitucional a distribuição de pílulas do dia seguinte pelo Estado.

Ora curioso como sou, fui dar uma olhadela pela Constituição Política da República do Chile. No artigo 19º, logo nas primeiras alíneas, encontramos o seguinte:
Art. 19. La Constitución asegura a todas las personas:
1°. El derecho a la vida y a la integridad física y psíquica de la persona.
La ley protege la vida del que está por nacer.
La pena de muerte sólo podrá establecerse por delito contemplado en ley aprobada con quórum calificado.


Este La ley protege la vida del que está por nacer é muito peculiar. Se jurídico-positivamente falando, a decisão do TC pode ter alguma consistência, o fundo constitucional que lhe assegura essa eventual consistência é de um conservadorismo arrepiante. E contraditório. E hipócrita. Portanto: a Constituição protege a vida que está por nascer mas, a vida que já existe, que já se desenvolveu efectivamente, pode ser alvo de eliminação, aniquilamento, como quiserem. E por quem? Precisamente pela mesmíssima Constituição.
E depois há a eterna pergunta que os criacionistas, religiosos e afins insistem em responder sem terem bases ciêntíficas para tal. A vida que está por nascer? Mas o que é isso? Quantas vidas estão por nascer? Quantos homens e mulheres não querem um dia ser pais e mães? Ora aqui chegamos a um outro ponto interessante. Se a Constituição chilena define a protecção da vida que está por nascer, devia também definir a promoção e desenvolvimento económico, social e cultural daqueles que irão gerar essa futura vida. Porque aí sim, estaria efectivamente a favorecer e desenvolver a protecção da vida dos cidadãos. Não só daqueles que estão por nascer, mas também dos que já existem.
Felizmente, a Constituição chilena define essa promoção e esse desenvolvimento no artigo 1º. O que era também de esperar de uma República democráctica como é a chilena. Agora o que não é de esperar de uma Constituição de uma república democrática do século XXI são as duas cláusulas supracitadas.
Parece que no Chile o direito à vida continua a ser entendido somente numa perspectiva do antes. Depois, depois quando já se o tem, já não interessa. Já não interessa se o temos efectivamente, se dele disfrutamos, se nos são oferecidas as condições para o desenvolver. Isso fica para... depois.

sábado, 19 de abril de 2008

clarividência

That is to say, terror is the root of evil. It is evil by nature. It can not be good. If it is good, it cannot be itself. When the good-bad distinction is so sharp and certain, there are not many options left in this case. The bad must be eliminated without any attempt to discuss or understand it. There are no intermediary options in this mentality. It is not sufficient to focus on the causes of terror either. While the causes, sources, methods etc. of terror are important, its elimination is essential and this can only be achieved through its own mentality, in other words, violence.

Terrorism is beyond the perceptions which we tried to summarize earlier. It is not a monster, not a devil. It is not an enemy that you can destroy or overthrow. Terrorism in fact is an indication, a symptom. It is a clue that something is going wrong. Just like the disorders of the body are revealed by “pain”, one of the “pains” of the social problems is terrorism. Especially a terrorist movement which attains a massive scale demonstrates that there are significant problems in the society. There is no one kind of pain in social problems just like the pains in the body. Hence, terrorist activities can not be grasped by a single formula. There are no fixed, unchanged causes for terrorism. As the head ache, stomach ache or tooth ache indicate different problems, kinds of terror similarly point to different problems in the society. In this regard, struggle with the terror itself is meaningless.

If we consider the body-society similarity, terrorism is a strong symptom for understanding the problems within the society and these problems may be solved more easily if diagnosed early. One thing to keep in mind is that terrorism is the result of the mistakes made by us, as the society. Attributing the crime to badness found in human being’s nature or to an unknown creature and then to oppress violence through violence by using security apparatus will not solve the problem. The problem lies somewhere much deeper. It is perhaps the political system, perhaps the economic system or perhaps the cultural atmosphere. And most of the time, it has its roots in tens of fields. In other words, terror stems from political, economic, social, cultural or similar fields rather than security. Therefore, a security-oriented approach to struggle against terror becomes insufficient right from the beginning. A struggle approach lacking in social, economic, political dimensions is in fact not a struggle, but it delays and deepens the problem.

After the bombings during the G8 Summit in Scotland, Tony Blair made statements taking the G8 leaders and the other guest leaders near him. Thus “entire world is against terror” message was wanted to give. The support for Blair was great: The leaders of the six richest countries in the world (USA, France, Germany, Canada, Japan and Italy); Russia (included to G8 because of its military and political might); India; China; Mexico and Republic of South Africa with their relative weights in the world affairs even they are not richest or most powerful, furthermore the President of the EU Commission, President of the IMF, President of the World Bank and the Secretary General of the UN supported Blair. “The bosses of the world” were altogether in the real sense. The interesting thing was the absence of a Muslim leader in that frame. While the most important problems of the world were experiencing in the Muslim countries (Iraq, Palestine, Afghanistan and Chechnya etc.), there were no Muslim leader among the rulers of the world and the ones asked for their opinions. There was no Middle Eastern voice in the G8 meeting and the bombs exploded. The territories that could not be represented through the legal ways, spoke through illegal ways (read through terror). Busses and metro stations were blown up. The leaders of the world were confused. They immediately tried to give unity messages. However the frame that was taken in the G8 Summit was vividly indicating the clear democratic deficit in the global governance.

Turkey could be claimed as the sole country to fill the representation deficit of the Middle East and Islamic world in governance of the world, because it has a lot of common points with “both of the worlds”. Leading by the United States some Western leaders are already trying to develop Turkey as a model for this geography. However Turkey should not be a model but the voice of the region in the West and the voice of the West in the region. In other words, Turkey should represent the region, not only impose anything. It should not be only an inspiring model for the East but a model for the West in the relations with the East.


por Sedat Laciner.

Gostava de ter escrito este texto. A lêr na íntegra aqui.

o que diria Marx disto?

Ao lado da enfiteuse, difundiu-se na vida agrária medieval portuguesa, como em outros países, a complantanção ("conplantatio"), derivada das mesmas necessidades económico-sociais e ideias jurídicas. Simplesmente, o trabalho e a propriedade da terra são equilibrados de modo diverso. Analisava-se este contrato no seguinte: o proprietário de um terreno cedia-o a um agricultor para que o fertilizasse, em regra, com a plantação de vinhas ou de outras espécies duradouras; uma vez decorrido o prazo estabelecido, que variava de quatro a oito anos, procedia-se à divisão do prédio entre ambos, geralmente em partes iguais. Claro que, tal como na enfiteuse, os intervenientes podiam incluir certas cláusulas acessórias, que variavam de contrato para contrato.

in História do Direito Português, Mário Júlio de Almeida Costa

quarta-feira, 16 de abril de 2008

tempos sonhados e não vividos

Slides (Retratos da Cidade Branca) é uma faixa profundamente poética no album Pratica(mente), de Sam the Kid. A voz e a letra são de Viriato Ventura e o beat de Samuel.
O poema leva-nos até uma Lisboa de outros tempos, porventura uma Lisboa mais pequena, menos frenética... Lêr e ouvir este poema traz-me à memória, num manto profundo de nostalgia, não só essa distante Lisboa, mas também qualquer outra cidade ou vila no mundo que um dia já foi assim. Simples...

Carreguem aqui para ouvir e música enquanto lêem o poema.

Slides – Retratos da Cidade Branca

Onde estão os meus amigos?
Remotas memórias
Saltitam
Pululam
Cheiros / odores / miragens
O café
O sorriso
Olá como está!
E outras encenações
A novidade
A vizinha do 3º fugiu, amanhã vem no jornal

Ai..a imperial da Munique
Os destemidos tremoços
Moços, maçons
Canalha / navalha
Pensa coração
Amigos onde estais?

A sueca com minis à mistura
O relato da bola
A malha / copo de 3
A feira do relógio
O relógio da feira
Sandes de couratos / vinhos de Torres
Jogging de Marvila

Domingo
Especialmente domingo
Barbeados / dentes lavados
E martinis no plástico labrego
Alumínio / moderno / kitch / mau gosto
12 cordas / mãozinhas
Salteadores da razão perdida
Perdidos / enjaulados
Correio da manhã
O cú da vizinha do 9ºB
Regalo para a vista
Suplemento a cores com salários em atraso

E a Lisnave / petroquímica
Cancros do meu Tejo
Apodrecendo lentamente o azul das águas
E eu impotente / cinemascope / 35 milímetros de mim
A raiva afogada entre cubaslibres e pernas de mulheres
Que não são putas nem são falsas nem são nada
São pernas de mulheres e cubaslibres simplesmente

Paga-se a saudade com cartão de crédito

Táxi
Leva-me para onde está o meu amor
Táxi
Leva-me para lá de mim
Táxi
Atropela-me os sentidos e a alma para não deixar vestígios

terça-feira, 15 de abril de 2008

quid iuris?

Temos de distinguir entre duas coisas: o que a lei dita e o que eu aprendi através da minha experiência pessoal; o senhor não deve fazer confusão entre elas. No Código da Justiça, que, devo confessar, nunca li, está estabelecido, sem dúvida, que, por um lado, o inocente deve ser absolvido, mas não está estabelecido, por outro lado, que os juízes podem ser influenciados. Neste momento sei, por experiência, que tenho ideias diametralmente opostas. Não sei de um único caso de absolvição definitiva, mas têm-me deparado muitos casos de influência pessoal.

in O Processo, Kafka

terça-feira, 8 de abril de 2008