domingo, 27 de julho de 2008

As poeiras que me fazem sorrir

Macaquinhos de alfazema e Puta da transcendência.

Vai à merda. Dá-me um rumo. Ou dá-me a morte. De uma maneira ou de outra. Venci! Porque assim o digo.

Empapado em suor acordo. E arrependo-me de muito. Mas digo-te na mesma:

- És na mesma uma puta, Puta de transcendência!

Do Sossego


Estou de volta depois de uma semana revigorante numa terra onde se respira tranquilidade e simplicidade. E gente boa, tão boa! Perre é assim.
Para voltar, concerteza!
Assim que tenha as fotografias tiradas, deixarei por aqui algumas.

(o belo edifício acima é a escola primária da terra)

terça-feira, 22 de julho de 2008

pause

Irei ausentar-me esta semana para um (julgo) merecido descanso de férias por terras minhotas.
Até breve!

domingo, 13 de julho de 2008

banda sonora

O Bósforo tem uma nova ponte.
Não será tão grande como a Vasco de Gama, mas tem o seu encanto!

beautiful like love

DJ Tonk é um produtor e dj americano de S. Francisco de créditos firmados na cena hip hop underground. Tal como noutros artistas que aprecio, Tonk junta ao street
beat tons jazzy muito relaxados.
Beautiful (LOVE, 2004) é o clip que aqui deixo, no qual o mc de serviço é Rashaan Ahmad (que recentemente lançou The Push).

sábado, 12 de julho de 2008

underground


Depois de por aqui ter falado do Cool Jazz Fest 2008, falo agora do Anti Pop Music Festival 2008.
O Anti Pop é um festival de música electrónica que se iniciou em 2006 e que tem trazido a Viana do Castelo alguns dos melhores homens nos pratos no que toca a electro, minimal, techno, progressive ou dub.
Em 2006 tive o privilégio de ouvir suprasumos como Vitalic, Michael Mayer, Trentemoller, Tigerskin ou Alexander Kowalski.
O ano passado estava a percorrer a Europa pelo que não pude ir. De qualquer forma, o cartaz foi tão bom ou melhor do que o de 2006.
Este ano não foge à regra. Dias 31 Julho, 1 e 2 Agosto.
Preferidos: Gabriel Ananda, Josh Wink, Marco Carola, Modeselektor, Marc Houle, Mathew Johnson, Freshkitos (portugueses e portuenses).

quinta-feira, 10 de julho de 2008

correndo o risco de ser um post igual a tantos outros blogs no dia de hoje


Depois de consumidas tantas músicas, vistos tantos concertos (em video, claro), absorvido tantas letras, conhecidas tantas estórias das revoluções de Zack de la Rocha (alguém em quem a Teoria da Revolução Permanente trotskysta assenta que nem uma luva) e feitas tantas moshs ao som de Rage Against The Machine... eles vão mesmo tocar entre nós!
Hoje é o dia R: de Rage, de Raiva.
A caminho de Oeiras eu vou. Até breve!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Diz Terêncio:

Eu sou homem e nada do que é humano me é alheio.

new something

Os SubVerso são a dupla formada por Maze (vocal) e Soma (produtor). Para os menos conhecedores do panorama do (bom) hip hop que por cá se faz, sinto-me na obrigação de prestar homenagem a um dos mais brilhantes mc's portugueses. Pensar num Master of Cerimony (no verdadeiro sentido do termo) é pensar em alguém como Maze. Mergulha na felicidade (Dealema, 2003) é para mim um tratado de auto-determinação, auto-estima, sobrevivência psíquica. O hiper-realismo de que alguns acusam o hip hop, nomeadamente o meu querido pai, é talvez assertivo. O que não lhe retira valor, a meu vêr. De qualquer forma, se Maze recolhe alguns louros, é precisamente por saltar essa cerca hiper-realista e transportar-nos para outros recantos. O mesmo fazem grandes nomes como Common, A Tribe Called Quest, Blackalicious, Digable Planets, Kero One, Pete Philly and Perquisite, The Roots, entre outros. Gostaria de dissertar um pouco mais acerca da dialéctica realismo/poesia. Mas fica para uma próxima.
A Maze junta-se Soma, que aos beats boom-bap (lembrando KRS-One) empresta o jazz-flow aqui e ali preenchido com uns baixos muito soul. Assim é o resultado do primeiro single: Dá-me 1 sinal.
Fica aqui o link do myspace dos SubVerso para uma olhadela curiosa.

o meu festival de verão


Depois de Vilar de Mouros, Sudoeste, Superbock e tantos outros, este é o festival onde este ano eu não queria perder um concerto!
Preferidos: Herbie Hancock (!), Caetano Veloso, Mayra Andrade.
Curioso por (vêr e) ouvir: Ana Moura, Lizz Wright, Diana Krall.
Ainda por cima em terrinhas sulistas por mim desconhecidas. Só faltava mesmo um dia de concertos em Sintra!

sábado, 5 de julho de 2008

We The People

mudam os olhos

Neste momento, a moça está junto ao piano a folhear com os dedinhos um calendário. É uma dessas mulheres que causam o espanto geral quando surgem em sociedade. Incrivelmente bonita: alta, cabelo escuro, divinos olhos quase negros, esbelta, seios fortes, maravilhosos. Seus ombros e braços são antiguidade clássica, o pezinho é sedutor, o andar de czarina. Está hoje um pouco pálida; para compensar, os seus lábios pequenos, roliços e escarlates, de contornos admiráveis, entre os quais reluzem como colar de pérolas uns dentes pequenos e regulares, são daqueles que aparecem três noites seguidas nos sonhos - basta olhar para eles uma vez só. A expressão dela é séria e grave. Monsieur Mozgliakov parece ter medo do seu olhar fixo; pelo menos, como que se torce quando se atreve a olhar para ela. Os movimentos de Zina são altivamente desprendidos. Enverga um vestido simples de musselina branca. Fica-lhe bem o branco, tudo lhe fica bem, aliás.
Usa num dedinho um anel entrançado com os cabelos de alguém, e a julgar pela cor não são os da mãezinha; Mozgliakov nunca se atreveu a perguntar-lhe de quem eram os cabelos.


in Um Sonho do Tio, Fiódor Doistoiévski

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Porque quem fala no século XXI em "exploração do homem pelo homem" é anacrónico, marxista-leninista ou retrógado


A 2.400 metros acima do nível do mar, sobre a cimeira do vulcão Ijen, a terra é amarela e o ar irrespirável. No meio de uma nuvem tóxica e pestilenta, cerca de 200 trabalhadores lutam todos os dias através da remoção do enxofre das rochas com suas mãos vazias: muitos deles não têm mais do que 30 anos de idade, como resultado dos gases que lhes destroem os pulmões.

A mina de Ijen, na Indonésia, é uma das últimas minas de enxofre a céu aberto existente no planeta. Os gases sulfurosos são expulsos pelo vulcão através de longos tubos e depois do arrefecimento tornam-se um elemento precioso, que os proprietários venderão como combustível ou para fabricar pneus e pesticidas.

Muitos dos homens que trabalham aqui estão descalços e já sofreram todos os tipos de queimaduras, ao longo dos anos. Cinco minutos, neste lugar, são suficientes para uma pessoa normal adoecer. Os proprietários das minas apenas paga a estes homens quatro euros por cada dia útil, e ainda assim consideram ser um bom negócio: é o dobro do que eles podem pagar em qualquer plantação de café na área.

O trabalho da mina é dividida entre os que separam o enxofre da rocha e aqueles que o transportam pela montanha abaixo. Estes últimos carregam com cestas de entre 70 e 100 quilos de rocha e descem quilómetros a pé para a base do vulcão. Muitos deles fazem esta jornada, duas vezes por dia, o limite da sua resistência.

O resto, os que descolam o enxofre da rocha estão equipados com longas hastes de ferro, durante aproximadamente cinco horas, respirando os fumos que saiem do vulcão. No final do dia, os habitantes deste pequeno inferno extraiem cerca de 12 toneladas de enxofre nas montanhas. E alguém, a muitas milhas de distância dali, terá ficado um pouco mais rico.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

em estado bruto


Ingrid Bettencourt e 3 militares norte-americanos foram libertados do cativeiro mantido pelas FARC. No caso de Ingrid, já ia em 6 anos. 6 anos. 6 anos. 6 anos. 6 anos.
Uma vida. Não há nem nunca haverá causa alguma que justifique privar-se o homem do seu mais elementar anseio: liberdade. E a Liberdade não se cola a ideologias. Liberdade é liberdade.
Hoje estou emocionado. As águas do Bósforo estão menos turvas. Free Ingrid!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

A América onde eu gostava de ir (e a americana que eu gostava de conhecer)

Senhores e Senhoras, o primeiro concerto subaquático de Erykah Badu nas águas do Bósforo:

On & On (do album Baduizm, 1997)

sábado, 28 de junho de 2008

quando o calor aperta...

D'Angelo entra em cena:

Me and those dreamin' eyes of mine (do album Brown Sugar, 1995)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

serviço público


Por sugestão de uma leitora do Há Discussão a propósito de um post meu, comprei o recém publicado O Casamento entre pessoas do mesmo sexo. Trata-se de um livro que reúne pareceres de três Professores da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. São eles Luís Duarte d’Almeida, Carlos Pamplona Côrte-Real e Isabel Moreira. Note-se que é a primeira vez em Portugal, penso, que é publicado um livro que aborda directamente a questão.
O livro é muito bom, desfazendo qualquer dúvida quanto à validade ou não do casamento homossexual no nosso país. Isto quanto à ordem jurídica em exclusivo, como é óbvio. No plano sociológico e cultural, essa dúvida hoje só pode ser colocada por pessoas com manifestos preconceitos e fobias próprias dessa natural e constante ratio entre os homens: a ignorância. Que, felizmente, os tempos e as mentalidades vão superando.
Para objectivistas ou subjectivistas, historicistas ou actualistas, positivistas ou partidários do direito livre, o parecer dos professores é de tal forma clarividente que a certa altura apenas nos surpreendemos com o facto de esta questão ainda ser hoje em dia... uma questão, passe a redundância.
O livro cristaliza ainda o postulado fundamental da ligação umbilical entre Direito e Sociedade. Ignorar isso é, nas sábias palavras do jurista espanhol Legaz y Lacambra, pecar por cegueira.
São muitos os excertos que me ficaram na retina pelo que seria fastidioso transcrevê-los para aqui. Deixo aqui apenas a nota editorial que vem na contracapa. E leiam o livro (lê-se numa noite)!

As normas expressas pelos artigos 1577.º e 1628.º, alínea e), do Código Civil - que vedam o acesso ao casamento a pessoas que não sejam de-"sexo diferente" - são inconstitucionais. Assentam em juízos acerca de uma pretensa inferioridade "moral" das relações afectivas homossexuais e em preconceitos sobre a qualidade das famílias constituídas por duas pessoas do mesmo sexo. A consequente discriminação é atentatória dos princípios constitucionais de dignidade da pessoa humana e de igualdade, e do direito fundamental a contrair casamento - também na sua dimensão de direito de uma pessoa a escolher com quem casar. É esta a opinião jurídica defendida pêlos autores nos três estudos aqui apresentados.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Stop the Violence

Quando em 1988 um jovem foi assassinado num concerto que juntou a Boogie Down Productions (do então jovem KRS-One, hoje uma lenda viva do Hip Hop) e os Public Enemy (outro lenda), KRS-One criou o Stop the Violence Movement, movimento que teve como propósito incentivar o regresso do rap às suas raízes. E que raízes são essas? Aquelas que um dia foram enunciadas por um dos seus fundadores, Afrika Bambaata: Peace, Love and Safely having fun. Esta trilogia sintetiza de facto o que sinto quando oiço um bom beat ou uma beef animada no mic.
Passados 20 anos, KRS-One faz uma retrospectiva e um balanço do movimento. Quando ouvimos este testemunho percebemos o porquê de KRS-one ser apelidado entre a comunidade hip hop americana como "The Theacher".
Quando hoje o Hip Hop MTViano (e os indivíduos que para ele contribuem) difunde erradamente uma imagem excessivamente materialista (porque materialista somos todos, mais ou menos) e violenta de uma arte musical que revolucionou a América nos anos 60, as palavras de KRS-one fazem mais sentido do que nunca.

"More than an artist, more than your lyrics, you're a man or a women".