(Les Parapluies de Cherbourg, 1964, Jacques Demy)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Festival de Locarno - Jornal de Letras
No número do JL - Jornal de Letras que saiu hoje para as bancas, faço a cobertura (a possível, pelo meio de tanta coisa) do Festival de Locarno (e na qual teço rasgados elogios ao Dragonfly Eyes do Xu Bing).
Faço também uma entrevista com o Pedro Cabeleira e o Pedro Marujo a propósito do seu Verão Danado (a fotografia foi desenrascada na hora com o meu telemóvel mas acho que ficou bem engraçada). Boas leituras!
Crítica - "Annabelle: The Creation"
Há um ano atrás, deixava a minha crítica a "Lights Out", a primeira longa de David F. Sandberg. Este tempo volvido e, na quase-rentrée do À pala de Walsh, abro o apetite para o que aí vem com um texto sobre "Annabelle: The Creation", o novo filme de Sandberg. Para ler aqui.
"Pistolas, máscaras, fantoches, espantalhos, bonecas (...), brinquedos em geral: tudo seres – aparentemente – inanimados que concorrem para a afirmação desse lado artesanal, manual, do cinema, destapando a artificialidade super-tecnológica da “infra-estrutura” cinematográfica. É semelhante ideia que decorre da parafernália de espelhos, portas, mesas e cadeiras de madeira que ocupa o casarão do filme – aliás, mesmo a cadeira elevatória que cruza os andares da casa (muito gótico, muito argentiano aquele vitral encarnado…) obedece a toda uma engenharia manual de “rodagem”, como uma bobina (cinema) ou o mecanismo rotatório das caixas de música (brinquedos)".
Entrevistas - Locarno
Duas entrevistas que fiz com o Pedro Cabeleira e o Pedro Marujo (Verão Danado) e com a Valérie Masssadian (Milla) em Locarno, com 31 graus à sombra. Para ouvir aqui:
1. Pedro Cabeleira e Pedro Marujo: http://www.fred.fm/pt/pedro-cabeleira-pedro-marujo-verao-danado-damn-summer-locarno70/
2. Valérie Massadian: http://www.fred.fm/uk/valerie-massadian-milla-locarno70/
1. Pedro Cabeleira e Pedro Marujo: http://www.fred.fm/pt/pedro-cabeleira-pedro-marujo-verao-danado-damn-summer-locarno70/
2. Valérie Massadian: http://www.fred.fm/uk/valerie-massadian-milla-locarno70/
CICLO 5 ANOS À PALA DE WALSH
5 ANOS DE À pala de Walsh: ciclo de cinema comemorativo a começar em Setembro no Nimas!
Parabéns a nós, parabéns aos leitores e parabéns a todos os filmes que nos fazem "esculpir sobre teatro e pintar sobre literatura".
Em breve novidades para o Porto!
novas de Locarno
O perfil da malta com quem passei duas belas semanas e as nossas escolhas para filme-maior do festival (e que bom ver que ninguém alinhou com o júri, eheh):
1) http://www.indiewire.com/2017/08/locarno-critics-academy-2017-survey-film-festival-1201866186/
2) https://pardo.ch/pardo/pardo-live/today-at-festival/2017/day-10/CRITIC-ACADEMY-VERDICT.html
1) http://www.indiewire.com/2017/08/locarno-critics-academy-2017-survey-film-festival-1201866186/
2) https://pardo.ch/pardo/pardo-live/today-at-festival/2017/day-10/CRITIC-ACADEMY-VERDICT.html
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
quarta-feira, 16 de agosto de 2017
Teaser #3 UMA NOVA TRIBO / A NEW TRIBE
NÃO CONSEGUES CRIAR O MUNDO DUAS VEZES, um filme de Catarina David e Francisco Noronha
Uma produção A Bunch of Kids
YOU CAN'T CREATE THE WORLD TWICE, a film by Catarina David e Francisco Noronha
Produced by A Bunch of Kids
(Facebook: https://www.facebook.com/NaoConseguesCriarOMundoDuasVezes/?ref=aymt_homepage_panel)
(Facebook: https://www.facebook.com/NaoConseguesCriarOMundoDuasVezes/?ref=aymt_homepage_panel)
segunda-feira, 14 de agosto de 2017
segunda-feira, 24 de julho de 2017
foi só no fim, mas decidiu(-se)
"Entra no Jaragua, e, do lado esquerdo, soa um brasido: ritmos, vozes, música, as máquinas caça-níqueis e as exclamações do jogadores de roleta.
Quando se encaminha para os elevadores, intercepta-a uma figura masculina. É um turista quarentão, ruivo, com a camisa aos quadrados, calças de cowboy e mocassins, ligeiramente bêbedo:
- May I buy you a drink, dear lady? - diz ele, com uma vénia galante.
- Get out of my way, you dirty drunk - responde-lhe Urania, sem parar, mas tendo... ainda tempo para ver a expressão de desconcerto e susto do imprudente.
No quarto, começa a fazer a mala, mas, passado um instante, vai sentar-se junto à janela, olhando as estrelas que luzem e a espuma das ondas. Sabe que não pregará olho toda a noite e que, por isso, tem todo o tempo do mundo para acabar de fazer a mala.
'Se a Marianita me escrever, respondo-lhe a todas as cartas', decide".
No quarto, começa a fazer a mala, mas, passado um instante, vai sentar-se junto à janela, olhando as estrelas que luzem e a espuma das ondas. Sabe que não pregará olho toda a noite e que, por isso, tem todo o tempo do mundo para acabar de fazer a mala.
'Se a Marianita me escrever, respondo-lhe a todas as cartas', decide".
(A Festa do Chibo, M. Vargas Llosa)
ípsilon - The Doppelgangaz
O meu texto no Ípsilon da última sexta também já on-line: https://www.publico.pt/2017/07/21/culturaipsilon/noticia/o-estranho-caso-dos-doppelgangaz-1779391
"(...) como conceber que um grupo de tão aprimorada música, com dez álbuns (alguns exclusivamente de instrumentais) e quatro EP, tudo isto desde 2008, continue, hoje, na sombra, altamente subvalorizado? Como conceber que, num tempo em que o acesso e o consumo de música se fazem em termos radicalmente diferentes de há uns anos atrás (Facebook, YouTube, Spotify, etc.), a circulação da sua música continue a ser coisa quase 'secreta', clandestina, reservada a uns quantos conhecedores, e que a imprensa pouca atenção lhes dedique (queriam música 'underground'? Está aqui…)?"
terça-feira, 18 de julho de 2017
ípsilon - "4:44"
No Ípsilon de sexta passada, o cameo do Method Man no último filme do Jarmusch também serve para explicar o quanto gosto do novo álbum do JAY-Z. Boas leituras.
"(…) numa cena de 'Paterson' (…), o personagem principal, (…) atraído pela métrica e pelo ritmo das rimas que ouve pronunciadas por um aspirante a rapper (…), abeira-se-lhe para dizer como gostou do que ouviu. Ambos partilham, no seu processo de escrita, de uma linguagem “realista”, mas tudo o resto os separa (o olhar poético d...e Paterson sobre o quotidiano, o 'ego trippin' do rapper), embora isso não afaste o essencial: o facto de, frequentemente, a 'forma' do rap ser de tal forma fascinante que o 'conteúdo' se pode tornar secundário. Ora, por aqui passa, justamente, um dos mais fascinantes paradoxos da história do hip-hop: o de um rapper como Jay-Z, cujas letras estão frequentemente insufladas de braggadocio (discurso gritantemente auto-engrandecedor, …), poder cativar, pela sua musicalidade e 'coolness', diferentes ouvidos, desde logo aqueles que dispensam o tipo de discurso referido. Tudo isto, reitere-se, não faz dele um rapper menor, apenas tornando ainda mais entusiasmante, isso sim, o momento em que nos pomos à escuta de um álbum no qual assina, inesperadamente, um conjunto de canções altamente introspectivas, não raramente poéticas, tantas vezes confessionais".
quinta-feira, 13 de julho de 2017
ípsilon - Illa J
O meu artigo sobre o Illa J no ípsilon da semana passada.
On-line: https://www.publico.pt/2017/07/07/culturaipsilon/noticia/voz-para-que-te-quero-1777756
quarta-feira, 12 de julho de 2017
My girl / talkin' 'bout my girl
(Surviving Desire, 1992, Hal Hartley)
"A thoughtful gesture, a delicate smile, white slender neck; an earnest, inquisitive and alluring voice. Graceful figure; intelligent, sensuous eyes".
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Crítica de cinema - Junho
No Artes Entre As Letras desta semana, escrevo sobre o curioso A Missão e o documentário sobre David Lynch. Bons filmes!
***
A
Missão (2016),
Walter Hill ★★★
A
certa altura, quando um(a) fragilizado(a) Frank Kitchen (Michelle Rodriguez)
pergunta a Johnnie, que mal o conhece, se pode ficar uns tempos em sua casa,
esta responde-lhe: “Of course… We’re fuck buddies!”; ouvem-se risos de
escárnio na sala e a implausibilidade desta súbita hospitalidade parece fazer o
filme resvalar para o ridículo. Mas quem ri por último, ri melhor: largos
minutos depois, quando o argumento se desenvolve, o espectador percebe que foi
inteligentemente manipulado, não através de uma grande “mentira” ou surpresa,
mas por ter sido ultrapassado pela subtileza com que Hill desfia a narrativa.
Só por isto, pelo facto de manter o espectador em sentido e, sobretudo, por não
o tomar por mentecapto e lhe exigir cérebro, o último filme do americano, dos
mais objectos mais esquizóides que tivemos oportunidade de ver em sala nos
últimos tempos, constitui, desde logo, motivo de interesse.
Assentando no
género clássico de “thriller de vingança”, A Missão dá igualmente
ares de ficção científica filosofante (na questão da criação e da mutação
humanas, do bem e do mal ou, ainda, da desviância comportamental como algo
“inato”, no que não deixa de respirar tópicos criminológicos, logo políticos,
fundos e actuais) e, importante não menosprezar, de comédia, como se o filme nunca
se levasse demasiado a sério. Apesar de Rodriguez nunca conseguir sair do overacting
(e não é apenas neste filme, antes um problema crónico cristalizado nos
"Velocidades Furiosas" que protagoniza), a sua personagem cativa pelo
modo como está a meio caminho entre a figura de B.D. e a de videojogo (não é
por acaso que ela se “transforma”, que “muda de capa"), quase um
“super-vilão” (para desenjoar dos “super-heróis” com que Hollywood tem
intoxicado as salas de cinema) que se vai movendo de arma automática em cada
mão. Falámos atrás na dimensão política, algo ainda mais patente no modo como a
questão de género (masculinidade/virilidade) surge a baralhar as contas (ou
seja, a nossa percepção cultural e simbólica) e a jogar ironicamente quer com a
androgenia de Rodriguez, quer – et pour cause – com as próprias
personagens que esta interpreta noutros filmes (sempre muito masculinizadas).
Como num western – de que Hill, um veterano a filmar desde os anos
70, é admirador –, as
personagens movem-se num espaço com códigos de conduta próprios, onde as normas
sociais e morais estão suspensas, tópico de que, por outros caminhos ainda, o
filme também se aproxima através da personagem de Sigourney Weaver, a cirurgiã
que, citando Poe, define a arte como um domínio estranho a considerações
políticas e morais para justificar o seu trabalho como uma obra artística (e,
no caso da “cirurgia estética” que inflige a Rodriguez, há aqui ecos do
"crime como obra de arte" propalado pelos célebres
"estetas" de A Corda, de Hitchcock, não por acaso um filme em
que a sexualidade das personagens principais também é problematizada). A B.D.
está igualmente latente no próprio dispositivo visual de
"apresentação das personagens" (os freeze frames que viram
"ilustrações", a lembrar Sin City), talvez o elemento mais
dispensável, juntamente com grande parte da banda sonora (demasiado presente e
de mau gosto), do filme, mas que nem por isso lhe retira interesse (e
perversidade) e impede de ser uma bem-vinda lufada de ar fresco às salas
(sobretudo agora, ou não fosse precisamente o Verão o período por excelência
dos “super-heróis”).
David Lynch:
The Art Life (2016), ONeergaard-Holm,
Nguyen, Barnes ★★
Não
sendo fãs incondicionais da obra de Lynch, mas simpatizando com muito dos seus
filmes e temas (e não tendo de todo, portanto, qualquer alergia anti-Lynch),
quiçá estaremos em posição privilegiada (i.é, "emocionalmente
imparcial", tanto quanto a "imparcialidade" existe nestas
coisas) para avaliar um documentário que vive, sobretudo (e em demasia), da aura
misteriosa e da gravidade que reserva ao seu objecto central, visível no próprio
dispositivo solene montado: Lynch sentado, a fumar ininterruptamente (o fumo a
forçar toda uma atmosfera "pensativa") e um microfone para onde vai
debitando memórias ou ideias, das mais interessantes (a mulher nua ensanguentada,
o vizinho Smith) às mais irrisórias ou irrelevantes.
Incidindo sobre a infância
de Lynch até ao momento em que ganha uma bolsa para filmar Eraserhead
(poderosa a forma como, salvo erro na última frase que se lhe ouve, explica,
sem grandes desenvolvimentos mas com emoção, o que o cativou na personagem
interpretada por Henry Spencer), é certo que o filme não retira fascínio à figura
de Lynch; diferente disso, porém, é o que se consegue fazer com isso (com esse
fascínio), e o filme, certamente pela própria reserva do cineasta, pouco
desenvolve sobre a sua "art life", contra o que o título anuncia
(justapor algumas frases soltas com imagens de Lynch a pintar ou de quadros seus
fica curto).
Nada contra a discrição, mas um documentário deste género, para
valer como objecto "observacional", exige mais algum tipo de
escavação – e evidentemente que não eram "revelações" aquilo que aqui
se pedia, bastando constatar, porém, que nenhum tipo de reflexão ou
problematização de determinados aspectos artísticos é levado a cabo, tudo se
ficando pelo tom monocórdico com que Lynch vai guiando impassivelmente o filme,
pouco dedo "ordenador" e criativo sobrando para os realizadores, que
parecem demasiado deleitados com o autor da recém-retomada série Twin Peaks. Em resumo: um filme
simpático, arrumado mas inofensivo, que por certo agradará aos mais aficionados
lynchianos precisamente pelo que apontámos acima: porque confirma (o mito, a
aura) sem perturbar (exactamente o contrário do que os filmes do próprio Lynch
sempre foram…).
segunda-feira, 12 de junho de 2017
into the shade
("All Bad", J.I.D. feat. Mereba, álbum "The Never Story", 2017)
"And if I'm trying to tell the truth, it's all bad
Cause if you looking for the proof, it's all there
(...)
I'm gon' step into the shade, I don't want the sun in my face"
Cause if you looking for the proof, it's all there
(...)
I'm gon' step into the shade, I don't want the sun in my face"
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