terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" - Estreia no festival Porto/Post/Doc

 
 
 
É com muito alegria que podemos dizer que o nosso documentário “Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes”, sobre a história e a memória do Rap do Porto, foi selec...cionado e terá estreia, em finais de Novembro, no Festival Porto/Post/Doc (27 Nov. a 3 Dez.), no Porto. Esperamos ver-vos a todos lá!
 
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It is with great joy that we can reveal that our documentary “Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes” (“You Can’t Create The World Twice”), about the history and memory of Porto Rap culture, was selected for the official programme of Porto/Post/Doc Film Festival and will have its premiere by the end of November. We hope to see y’all there!

O VENTO LEVAR-NOS-Á


"Laila's Wisdom" - ípsilon


Ela tem "Rap" no nome, logo por aqui está (quase) tudo dito...
No Ípsilon da semana passada, escrevo sobre "Laila's Wisdom", o novo álbum da Rapsody. "Power up with the word / I got it from my God / He said a good shepherd don’t trip over what they heard".
 
 

Festival do Rio - Jornal de Letras

 
 
Do Rio não trouxe apenas - embora isso tenha sido o mais importante - gente boa no coração... Também trouxe palavras, frases, ideias. Algumas delas estão no meu texto de hoje no JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, no qual faço a cobertura (a possível) do Festival do Rio l Rio de Janeiro Int'l Film Festival, e em que reflicto sobre a extensão e diversidade (exageradas) da programação e deixo elogios para "As Boas Maneiras" e "O Animal Cordial".
 
Alguns apontamentos também sobre o panorama internacional, nomeadamente, sobre os novos filmes de Hong Sang-soo, Abel Ferrara ou Sergei Loznitsa.

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Texto Festival do Rio - "O Animal Cordial"



No âmbito da minha participação no Festival do Rio de Janeiro, através do Berlinale Talents, foi publicado o meu texto sobre um dos mais entusiasmantes filmes que por lá vi: O Animal Cordial, da Gabriela Amaral Almeida. Um obrigado ao Heitor Augusto pela rápida mas profícua troca de impressões. Salve!
Trata-se de uma versão editada e mais curta do texto original que publicarei noutro lugar nos próximos dias. Para já:
http://www.festivaldorio.com.br/br/noticias/explodir-com-o-mundo-para-comecar-um-novo

terça-feira, 17 de outubro de 2017

fantômes

Falaram-me dela. Quero dizer, falaram-me de ti. Disseram-me: ela, quero dizer, tu, que acha que tu és o amor da sua, quero dizer, da tua, vida, agora namora com um rapaz que acha que ela, isto é, tu, é, digo, és, o amor da vida dele.

De outra forma (inversamente? reflexamente?), isto é o mesmo que ouvi ontem n' "Os Fantasmas de Ismael" (fantasmas, nem de propósito...) do Desplechin: "Eu queria separar-me dela, ela queria separar-se de mim, simplesmente nunca o quisemos ao mesmo tempo".

O pior é que, se calhar, ela, quero dizer, tu, também era (é?), ou seja, eras (és?), o amor da minha vida. Sim, se calhar; e, com toda a certeza, também nunca o sentimos ao mesmo tempo. E agora: que é feito de nós, quero dizer, de ti e de mim?


(Como é possível a Cotillard não parar de ficar cada vez mais bonita?)

domingo, 15 de outubro de 2017

massa



Estive no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro, ao abrigo do programa Talent Press Rio (https://www.goethe.de/ins/br/pt/kul/blo/est/21028767.html). Em breve, deixarei aqui alguns textos.

Não foi bom, não foi fantástico, nem "fixe" foi... Foi massa.

Obrigado, Ana Paula, Seymon, Heitor e todos os meus maravilhosos colegas com quem tive o gosto de passar estes dias. No coração. 

sábado, 14 de outubro de 2017

Voltar ao lugar onde fomos felizes: 20 anos de "Sem Cerimónias"



Em trânsito do Rio de Janeiro, só agora deixo aqui o artigo que escrevi no Ípsilon da semana passada sobre os 20 anos de um dos discos da minha vida: "Sem Cerimónias", dos Mind Da Gap.

Também on-line aqui: https://www.publico.pt/2017/10/07/culturaipsilon/noticia/voltar-ao-lugar-onde-fomos-felizes-20-anos-de-sem-cerimonias-1787379

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pete Rock & C.L. Smooth



Artigo que escrevi ontem para o PÚBLICO a propósito do concerto - que foi efectivamente histórico - no Plano B... Down with the kings!

Entrevista para a SÁBADO


Sou um dos entrevistados no artigo que a SÁBADO, pela mão do Gonçalo Oliveira, dedica esta semana ao hip-hop português. Texto por demais interessante para quem acompanha a música portuguesa, seja mais ou menos fã de rap.

Entre alguns dos momentos em que sou citado, lê-se, a certa altura, que “Agora quando não existe nenhuma [MENSAGEM], como muitas vezes acontece, faz-me alguma confusão”.

A frase está descontextualizada, como muito naturalmente acontece na edição deste tipo de... texto (extenso e com muitos entrevistados), e como, já agora, também me acontece quando entrevisto terceiros.

Portanto, antes de referir o que se lê acima, eu havia começado por dizer ao Gonçalo qualquer coisa como: “O rap não tem que ter ‘mensagem’ nenhuma. Não penso que nenhuma expressão artística esteja obrigada a ter uma ‘mensagem’, cada um é livre de fazer o que bem lhe apetecer. Isto, para mim, é muito claro. Podes ter vários tipos de discursos, vários tipos de ‘mensagens’, ou não, (…)” - e então, sim, a coisa depois segue como está em texto.

O que pretendo ali dizer é: “Agora quando não existe nenhuma IDEIA, DISCURSO, VISÃO PRÓPRIA SOBRE O MUNDO (qualquer que ela - visão - seja e quaisquer que sejam as formas que ele - mundo - tome), como muitas vezes acontece, faz-me alguma confusão” – e, aproveito também para limar agora, não me faz “alguma” confusão, faz-me muita. No rap, na soul, no funk, na poesia, no cinema, you name it.

Não esquecer: "I met this girl when I was 10 years old / And what I loved most she had so much soul..."

Já começou o ciclo 5 ANOS À PALA DE WALSH



Começámos na terça-feira passada e com casa esgotadíssima... Conversa por mim moderada com Eduardo Brito (realizador e argumentista) e João Sousa Cardoso (professor e artista).

Até à próxima semana!

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sinistro rodoviário

Ela subiu, eu desci, "então vamos para casa", dois copos abruptamente abandonados no canto da rua a servirem de evidência ao acidente violento (quando conduzir, não beba, não é o que dizem, meu amor?). Uns passos abaixo e chega uma ambulância, sirenes, paramédicos, coletes amarelos, uma maca, mesmo a calhar: estou ferido, levem-me, adormeçam-me, acordem-me no dia seguinte com os meus pais e o meu irmão de cada lado da cama a reconfortar-me, "foi só um susto, Xico, já passou", sim, já passou, vamos para casa, quando posso sair daqui, Doutor?

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Era muito tarde, mas a manhã não vinha, e ainda bem porque nós continuávamos a querer a escuridão: com o mapa reflectido no ecrã do telefone, mostrámos um ao outro as ruas das casas onde crescemos com os nossos pais, as escolas onde tínhamos estudado, as cidades bonitas dos nossos países em que já estivéramos e, sobretudo, aquelas que não conhecíamos. Depois eu disse que estava cansado de falar em inglês, ela também, e voltámos àquele assunto da tarde: somos absolutamente os mesmos quando falamos noutra língua que não a nossa? Nunca tinha pensado nisso, respondeu ela, mas daqui a uns meses já vou ser exactamente eu mesma para ti.

domingo, 17 de setembro de 2017

again




I FOUND YOU AT THE WINDOW AGAIN
LOOKING OUT, WATCHING THE LEAVES FALLING IN
AND IT WAS SOMETHING LIKE A DREAM
SO PERFECT, COULDN'T TALK TO ME....

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Artigo no IndieWire

 
 
Ainda no rescaldo da minha participação na Locarno Critics Academy, foi publicado um texto meu no IndieWire, no qual, a partir de alguns dos filmes que vi no festival, procuro seguir o trilho de uma certa e contemporânea desconstrução do conceito convencional de "parentalidade".
 
O texto original não corresponde integralmente ao publicado - foi alterado pelo editor, mas, enfim, é o que é. Enjoy.
 
Para ler aqui (clicar).
 
"(...) the face as a body matter associated with our identity, provides a template for understanding who we are. On the other hand, it also triggers an interpersonal questioning: who am I within this affective circle called “family”? What duties or tasks do I have or am I supposed to carry out as a “mother” or as a “father”? More: What projections and cultural and symbolic representations are associated with those roles? Last but not least: What expectations do others have about those roles within family dynamics?"
 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

lembro-te

"Hoje vi um casal a discutir. Lembrei-me de ti".

Hoje vi isto escrito numa parede e lembrei-me de ti.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

lembra-me

Depois de fazermos amor, ela disse que tinha encontrado um homem. Que talvez se apaixonasse, se é que isso já não teria acontecido. Fiquei entusiasmado com essa possibilidade e, num misto de curiosidade e cinismo, perguntei-lhe: "A sério? Conseguiste mesmo voltar a sentir aquilo?".
 
Com as palmas das mãos nas coxas, ela respondeu: "Como é aquilo? Lembra-me...".
 
As luzes e as sombras dos anos que passaram - ou dos que passarão? - concentraram-se no seu rosto naquele momento, todos os princípios e todos os fins. A descrença, o entusiasmo comedido, a ilusão que deixou de o ser, o pragmatismo triste (mas optimista?) de que precisamos como pão para a boca.

domingo, 10 de setembro de 2017

eles comem tudo e não deixam nada



(The Patsy, 1964, Jerry Lewis)

Logo nas primeiras cenas de "THE PATSY”, o “ciclo biológico” processa-se abruptamente: da morte para a morte, sem passagens pelo meio, irónica transição num filme em que tanto se fala do “nascimento”, do “fazer nascer” uma estrela. A morte de um comediante famoso, momento com que o filme se inicia, propicia a reunião de emergência da sua equipa (produtor, argumentista, secretária), corja de interesseiros que, durante o seu sucesso em vida, foi sugando e aproveitando-se da sua fama e riqueza: a casa em Malibu, as viagens à Europa, a mansão em Palm Springs... O seu “plano de sobrevivência” é simples e não menos “vampiresco”: encontrar um zé-ninguém (“nobody” é o termo que usam) e fazer dele, custe o que custar, uma nova estrela, ou seja, um novo corpo de cujo sangue se possam alimentar daí em diante. Quando Jerry, moço de recados (bellboy, novamente; working class heroe, sempre) do hotel, entra em cena no seu estilo desajeitado e inconveniente, a corja imediatamente se apercebe de que está ali o alvo por que ansiavam, a sua nova mina de ouro (não por acaso, os fatos pretos, os tiques físicos e o fumo dos cigarros aproxima-os da figura de gangsters...).

 
Autênticos vampiros, dirigem-se, silenciosos e em passo de zombie, progressivamente até ao seu encontro, rodeando-o, intimidando-o, a sede de dinheiro já a fazer-lhes correr água na boca. E como a sede é tanta, apertam-no de tal forma que Jerry acaba por cair da varanda. A morte do famoso comediante que inicia o filme dá lugar, então - leva a -, à morte daquele que ainda não o chegou a ser e, com isso, ironicamente, à própria morte da "solução financeira" da grupeta. Claro que, no filme, Jerry não morre (aliás, a queda da varanda serve para fazer passar os créditos) e “volta à tona” porque aterra em cima de um trampolim – algo (o “trampolim”) que acabará por rimar com a última cena do filme, na qual Jerry, agora “encostado à parede” (ou à varanda) pela mulher por quem está apaixonado, finge novamente cair no abismo, para voltar, uns segundos depois, a entrar em cena: “It’s just a movie, see? I’m fine. The people in the theatre know I ain’t gonna die. Here, see, it’s a movie set…”.