terça-feira, 12 de junho de 2018

Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes - no Cinema Trindade



Boas notícias para os próximos dias!: o filme vai estar em exibição a partir de dia 14 de Junho (esta quinta-feira) no Cinema Trindade (Rua do Almada, Porto), diariamente, durante uma semana.
 
Decorrerão duas sessões especiais, uma a 14 de Junho (quinta-feira) com a presença dos realizadores e outra dia 19 de junho (terça-feira) com convidados muito especiais. Horários da sessões muito em breve.
 
Venham todos! Até já

segunda-feira, 11 de junho de 2018

ípsilon - YE



No ípsilon da última sexta-feira sobre "Ye", novo disco de Kanye West.

Com um aviso à navegação:

"Não deixa de se revelar assaz hipócrita a forma como algumas publicações americanas que sempre idolatraram West por aspectos que a nós sempre nos mereceram reserva (as punchlines na fronteira do mau-gosto, o descaramento, o narcisismo extremado), e que se servem de toda e qualquer manifestação sua para uma desavergonhada exploração... do clickbait, venham agora a terreiro condenar o disco por esses mesmíssimos aspectos (francamente, fica a ideia de que, aproveitando o hype actual segundo o qual é de bom-tom reprovar West, não escutaram o disco seriamente, só isso explicando que nem sequer tenham compreendido como ele é o que mais próximo está, afinal, dos seus três primeiros e consensuais álbuns…)".


quarta-feira, 6 de junho de 2018

ípsilon - "KOD", de J. Cole



No Ípsilon da última sexta-feira, continuo a acompanhar a obra de J.Cole, talvez a grande - a "única" - mácula na programação do dia 20 Julho do Super Bock Super Rock, verdadeiro histórico pelos nomes de hip-hop/R&B que concentra.


"Integralmente produzido pelo próprio Cole (e tende-se a esquecer o seu virtuosismo neste departamento), 'KOD' – que, tal como '4YEO', não inclui qualquer convidado – prolonga a excelência dos arranjos (samplados e tocados) que já campeavam em '4YEO'. Algo imedia...tamente perceptível no trompete de 'Intro”, nas teclas de 'Photograph' (dedos de Ron Gilmore), no baixo de Nates Jone em 'Once an Addict' (incursão biográfica sobre a figura materna, ela própria uma ex-alcoólica e consumidora de crack) ou, ainda, nas cordas de 'The Cut Off' (soberba voz distorcida de kiLL edward, alter-ego de Cole que se crê corresponder ao seu abusivo padrasto), talvez o mais belo momento de todo o disco, condensador, aliás, da atmosfera jazzisticamente melancólica (e vice-versa) que tem caracterizado os seus últimos trabalhos: 'I know Heaven is a mind state, I've been a couple times / Stuck in my ways so I keep on falling down', dessacralização curiosa vinda de um rapper cristão (mas não menos existencialista) como Cole".


On-line: https://www.publico.pt/2018/06/03/culturaipsilon/critica/que-a-dependencia-e-uma-besta-1832406

segunda-feira, 4 de junho de 2018

celebrámos a palavra na
cama
como todas as coisas devem ser celebradas
(quase todas)
a luz a entrar demasiado cedo no teu quarto
intrusões que não compões

armados de uma filosofia imbatível, apuradíssima, coada pelos muitos e derrotados dias, celebrámos

Não
(no princípio não era o Verbo, foi
a quietude do substantivo
olhos que dispensam mãos e coxas se tudo
o que queremos
é fixidez
o contrário da
acção, berlindes
que se devoram, imobilizados)

deixámos para amanhã o que podíamos fazer hoje, contrariámos o
universal e absoluto princípio
da eficiência. fora com esses
tecnocratas!

fizemo-nos revolucionários da espera
inaugurámos o comité da paciência
vírgula da
demora
e do
tactear

Pê Dê Tê! Pê Dê Tê! Pê Dê Tê!

prometemos corpos que cantarão amanhãs
mas só cantarão amanhãs
amanhã
hoje,
não
hoje,
Não é
a palavra
amanhã será com certeza
outra

promessas nada vãs para quem
nos quisesse ouvir ou
ver
como esse teimoso e furtivo sol
partículas alienígenas que te doiram a franja

migalhas que não limpo
copo de água que tombo
pelas tuas costas
a enxurrada cobre-me dos pés à cabeça
tu não vês
(o frio não se vê)

e novamente
Não
vai tu primeiro, eu
vou a seguir
separaste assim as águas
sim, Não! claro, Não, Não
e Não

monossílabos crescem orgulhosamente em nós, rebentam em
afirmativas esplendorosas que nos elevam
do chão
literalmente, digo
a já não sei quantos mil pés de altitude de ti
vou ao Nimas fazer tempo
ignorando que me falarás da Marine
(os fantasmas conhecem-se, já devia saber)

seres
teres sido

projecção
?

se as sombras do teu quarto não desapareceram
quando a luz
entrou

projector estragado.
bobinas que se emaranham no peito.
larguem-me, deixem-me as veias em paz
sangue quer correr livremente
na cabeça o
botão
ligar
desligar

sexta-feira, 1 de junho de 2018

... And I need your love and reaction


 
 
(Eunice Collins, single, 1974)

meus pés, onde


 
 
(LP Arthur Verocai, 1972)
 
 
"Depois de sonhar no sofá
Desfiar minhas contas sem fim
Se nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A praça, o povo, a fé
O campo, a bola, o café
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A gente, o porto, o cais
O medo, a vida, o revés
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A gente, o porto, o cais
O medo, a vida, o revés
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?"

Entrevista com Black Milk - Público

Tocou a semana passada em Lisboa (Music Box) e no Porto (Plano B)  na companhia da extraordinária Nat Turner Band. À conversa com Black Milk no Público:
 
 
 
Artigo que escrevi há umas semanas sobre o seu disco "FEVER":
 

Entrevista para o Porto Canal


Link para entrevista que demos ao Porto Canal a propósito do nosso filme Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes:
 


(Ramiro, 2017, Manuel Mozos)

ípsilon - "Deepak Loper"

 
 
No Ípsilon de há umas semanas, escrevi sobre Papillon e o seu primeiro LP a solo "Deepak Looper". A liberdade está a passar por aqui.

"À data, Slow realçava como o seu horizonte era a mistura e o dinamitar de espartilhos (...), e Papillon é, neste sentido (nada pejorativo, entenda-se), o 'performer' de que Slow se serve para dar asas à sua profunda imaginação, numa sinergia altamente benéfica para ambos. De ...repente, encontramos Papillon, rapper “de formação”, a puxar da voz, cantando e experimentando entonações e inflexões por cima dos arranjos soberbos (apenas um entre mil exemplos: aquelas duas prodigiosas linhas de sopro sobrepostas no início de “Metamorfose Fase II”) com que Slow não pára de surpreender o ouvinte (...). Notável o modo como, em determinadas letras de Papillon, depois de, num primeiro momento, as palavras e as ideias poderem soar simplistas ou previsíveis, um twist as faz descarrilar (quase sempre com cariz dramático), assim densificando, problematizando, tudo aquilo que o ouvinte captara até aí (ao jeito da parábola) – é o caso de “1 Am”, canção aparentemente colorida e escapista cujo subtexto (negro, na verdade, e subtil na forma como o Pai biográfico se confunde com o Pai “Estado”) vai progredindo (teclas fabulosas, quase de filme mudo cómico, no momento da vertigem) até a um pesadelo-suicídio (há ecos do “sunken place” de 'Foge', o filme de Jordan Peele, também…).
 
 


sexta-feira, 25 de maio de 2018

NÃO CONSEGUES CRIAR O MUNDO DUAS VEZES - HOJE NO PASSOS MANUEL, 21H



Cartaz: José Vaz
 

Hoje voltamos ao Porto. Às 21h, no Passos Panuel, no âmbito do 5.º aniversário do ciclo HáFilmesNaBaixa!
 
Até já

quarta-feira, 9 de maio de 2018

"Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" no IndieLisboa e no Festival Telheiras



Foi muito bonita a exibição do nosso documentário "Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" no IndieLisboa International Film Festival! Obrigado a todos os que vieram e também aos que ficaram no fim para o Q&A...

E grande festa que foi no dia seguinte, na Casa Independente, com o histórico José Mariño e o DarkSunn...

E agora mais boas notícias: se são de Lisboa e arredores e não conseguiram verna semana passada,o filme volta a passar ESTE SÁBADO (12 MAIO) no Festival de Telheiras, com a presença dos realizadores para apresentação e Q&A no final. Às 21H, no Auditório da Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro (Telheiras)!

Até já

Nota: em cima, artigo saído no Jornal de Notícias de 3 de maio de 2018.


https://www.facebook.com/NaoConseguesCriarOMundoDuasVezes/

terça-feira, 24 de abril de 2018

so / ha-ha-haaaaaaard / in love / with youuuu


 
 
LP Just One Look, 1963, Doris Tray.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

tutto è sacro






Medea, 1969, P. P. Pasolini

sábado, 14 de abril de 2018

choses secrètes



("Man with a Movie Camera", 1929, Dziga Vertov)

ainda bem que só ontem vi, pela primeira vez, este Vertov. ainda bem porque, se o tivesse visto há 10 anos atrás, não teria compreendido como ele é o mais cinéfilo dos filmes cinéfilos – com o pormaior de o ser sem o pretender ser, inconscientemente (ou "infantilmente", diria até), sem “meta-referencialidades” deliberadas. não me vou estender sobre como aquilo que ali vemos, filmado nos anos 20, é do que de mais moderno já se fez no cinema (nem sequer é “prenúncio”, é moderno em si mesmo, ponto, consolida ou ultrapassa, até, os "modernistas" dos anos 60 em diante). entretanto, o cineclube do porto celebra hoje o seu 73.º aniversário com um Bresson, Au Hasard Balthazar (curioso cineasta para celebrar um aniversário). e, amanhã, há Bande à part, às 18h… isso: Vertov – Bresson – Godard (esse, o do grupo Dziga-coiso)… Sexta-feira 13, sábado 14, domingo 15, segunda 16, vingt-quatre fois la vérité par seconde…

ontem como hoje, no Vertov e no Hitchcock, o cinema é “a vida dos outros”, a janela, o destapar (o possível) do oculto. o segredo inexorável.

"FEVER" no ípsilon





"FEVER": Black Milk, um dos mais virtuosos mas também subvalorizados rappers e produtores americanos, começou por querer fazer um álbum em tom feel-good, mas o mundo, a realidade, meteram-se-lhe pelo caminho. Um dos discos americanos do ano no ípsilon da última semana.

Link: https://www.publico.pt/2018/04/09/culturaipsilon/noticia/o-termometro-diz-que-o-mundo-esta-com-febre-1808790

terça-feira, 3 de abril de 2018

Panoramica sulle case / sulla vitta...






(Caro Diario, 1993, Nanni Moretti)

no ípsilon - "Auto-Sabotagem"



Tragicomédia no Ípsilon da última sexta-feira... NERVE e "AUTO-SABOTAGEM".