(LP Tony & Frankye, 1971)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
terça-feira, 17 de julho de 2018
domingo, 15 de julho de 2018
raramente lhe tocava o formidável escolho de (censurado). acaso, patologia, destino, fortuna. um vírus persistente. banco de jardim que me torra as certezas. não pus protector; diz-me que sim, que o pôs antes de sair de casa, "prevenida" foi a palavra que utilizou, e eu penso que os óculos de sol me servem o mesmo propósito, prevenção. isso, os óculos, ela dispensa, e bem, acrescento eu, pergunta-me porquê e penso naquele poema do meu irmão, melhor, num verso, na sua melodia de encaixe tão bem burilada
foi o verde que me fez ver-te
mas não lhe digo. lindíssima quando, sentada, de cabeça baixa e olhando o chão, ouve uma versão inferior de mim (estou nervoso, raios, tudo me sai desgarrado, gelatinoso). nem há verde nesse momento, mas é lindíssima como te vejo, quero que tenhas a certeza disto. que estranho caminho percorro.
bem sei
"Deitei-me; o sono parecia tão longe de mim como a saúde, a juventude, a força. Adormeci. A ampulheta provou-me que dormi apenas uma hora. Na minha idade, um breve momento de sonolência torna-se o equivalente de sonos que duravam, outrora, todo o tempo de uma meia revolução dos astros; o meu tempo passou a medir-se por unidades muito mais pequenas.
(…) se pensamos tão pouco num fenómeno que absorve pelo menos um terço de toda a vida é porque é necessária uma certa modéstia para apreciar as suas bondades. O homem que não dorme, e tenho de alguns meses para cá ocasiões de sobejo para o constatar em mim mesmo, recusa-se mais ou menos conscientemente a confiar no curso das coisas. (…)
Nunca gostei de ver dormir aqueles que amava; descansavam de mim, bem sei; mas escapavam-me também. E todos os homens se envergonham do seu rosto alterado pelo sono. Quantas vezes, tendo-me levantado muito cedo para estudar ou ler, compus eu próprio as almofadas amarrotadas, os cobertores em desordem, evidências quase obscenas dos nossos encontros com o nada, provas de que em cada noite deixamos de existir".
Memórias de Adriano, M. Yourcenar.
"Nasir" no ípsilon
Nas e "NASIR" no Ípsilon de hoje, que também traz Paul Schrader e "First Reformed", para ver nos cinemas desde ontem.
ERRATA: "(...) remete-nos para o que de mais interessante ele possui, perdendo PERTINÊNCIA (...)".
On-line: https://www.publico.pt/2018/07/13/culturaipsilon/critica/nas-ressonancia-de-testamento-1837467
«O resultado da colaboração é francamente positivo, reforçando a camisola amarela editorial de Kanye West no presente ano, e algumas das apreciações menos boas que se têm ouvido explicam-se, essencialmente, por duas ordens de razão. A primeira reside na actual moda que garante pontos (ou "likes") a quem condenar West na praça pública (…) – tudo porque West manifestou apoio a Trump, o que, se pode ser ominoso (e é-o), não nos deve fazer perder de vista que, antes disso, há a música, e que convém ouvi-la sem palas de antemão (tudo isto levantando simultaneamente uma problemática questão: pode um apoiante de Trump ser anti-racista e denunciador da marginalização ou do abuso policial contra negros?). (…) A segunda razão – a de aqui se encontraria um Nas menos “poético” – entronca, em boa verdade, num erro comum entre os ouvintes de hip-hop: a propensão para confundir rap com poesia (“poesia urbana”, equívoco por excelência), forma, essencialmente, de tentar legitimar/justificar a sua condição “literária” ou, mais genericamente, a sua dignidade artística. É luta que, se ainda se poderia compreender há dez ou quinze anos atrás, está hoje francamente estafada: não só o rap dispensa muletas para valer como expressão artística (...), como a circunstância de se estar insistentemente a sublinhar esse atributo só acusa um complexo de inferioridade que, reitere-se, hoje, é só desnecessário (Kendrick Lamar acabou de vencer o Pulitzer, senhores…) (…). Se "everything", servida por um instrumental (e, já agora, um falsete) soberbo de West (é, sem cair em exageros, um dos melhores que já lhe ouvimos, épico na medida certa), não constitui uma das mais ricas e densas letras de Nas – mesclando a história política americana (abordada, de forma ainda mais “tratadista”, quando não aborrecida, em "Not For Radio", o pior instrumental do disco) com o ideal pan-africanista e relatos auto-biográficos –, então não sabemos quais serão as suas grandes canções».
Curtas Vila do Conde
O Curtas Vila do Conde começa este sábado (14) e estende-se até dia 22, com muita coisa boa para ver. Fui um dos programadores da secção TakeOne! e, para quem andar por lá, ficam as sugestões dos filmes que mais me tocaram, um deles em especial ("Cactos e as outras Plantas"):
- CACTOS E AS OUTRAS PLANTAS, Camila Vale ("People say I'm the life of the party / 'Cause I tell a joke or two / Although I might be laughing loud and hearty / Deep inside I'm blue / So take a good look at my face / You'll see my smile looks out of place...", Smokey Robinson dixit);
- A VER O MAR, Ana Oliveira e André Puertas - belo, belo, belo;
- THE VOYAGER, João Gonzalez;
- FLOR DO GÁS, João Castela;
- AMOR, AVENIDAS NOVAS, Duarte Coimbra.
sexta-feira, 13 de julho de 2018
três vezes
(LP From Langley Park to Memphis, 1988)
"Before you say you're lucky
Before you say she's good
Knock on wood"
segunda-feira, 9 de julho de 2018
e nas tuas veias acendi a cidade (...) / te amei por todo o Brasil
(LP Cabelos de Sansão, 1982)
"Vindos do espaço sideral
Teus olhos, dois discos brilhantes, entraram nos meus
Que energia
Tremi na base
Falei um trem além dos trilhos do tatibitate
Corri pelos fios da light"
movimento dos barcos
(LP Jards Macalé, 1972)
"Não quero ficar dando adeus
Às coisas passando, eu quero
É passar com elas, eu quero
E não deixar nada mais do que as cinzas de um cigarro
E a marca de um abraço no seu corpo"
sexta-feira, 6 de julho de 2018
when words become flesh
(LP In the Beginning: Before the Heavens, 2017)
"Man if (man if what)
What if we can just (just what)
Just blink yourself away
Man if (man if what)
What if this is just (just what)...
Just dreams from yesterday
Man if (man if what)
Whatever we make (make what)
Is what we make in the scenes we play
It's kinda crazy I guess
When words become flesh
And bring life to the things we say"
What if we can just (just what)
Just blink yourself away
Man if (man if what)
What if this is just (just what)...
Just dreams from yesterday
Man if (man if what)
Whatever we make (make what)
Is what we make in the scenes we play
It's kinda crazy I guess
When words become flesh
And bring life to the things we say"
o raio verde
"Pode-se dizer que Delphine é uma personagem apanhada no que Huysmans chamou melancolia. 'A vítima da melancolia mantém com o espaço a mais dolorosa das relações. Ou lhe falta espaço, ou o espaço lhe sobeja. Tem horror à finitude dele, mas a sua infinitude aterroriza-a da mesma maneira. Daí a busca melancólica das viagens e das distâncias: ao desorientado, as viagens prometem um fim, aos cativos uma evasão'. Talvez seja por isso que, entre uma segunda-feira, 2 de Julho, e uma segunda-feira, 6 de Agosto, Delphine tanto procure nas viagens o que quer e não sabe o que é".
João Bénard da Costa, à propos de Le Rayon Vert (1986, Eric Rohmer).
mais do que valsa
(LP Previsão Do Tempo, 1973)
mais do que sofrida / mais do que comprida / mais do que desesperada / mais do que amada / mais que se passasse a hora / mais do que agora / mais do que sozinho / mais do que esse vinho / mais que triste corpo feio / mais que negras noites veio / mais do que pobre coitado / amando mais do que amado
segunda-feira, 2 de julho de 2018
um girassol da cor de seu cabelo
(LP Clube Da Esquina, Milton Nascimento e Lô Borges, 1972)
"Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido?"
Subscrever:
Mensagens (Atom)














