(Through the Olive Trees, 1994, A. Kiarostami / Robin Hood, 1973, W. Reitherman)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
quinta-feira, 6 de setembro de 2018
floca-a-mina, meu mano querido.
Do meu irmão Lucas - ou Luca Maluka, como um dia a nossa Tia Lena o baptizou com a água benta de Água Longa.
re-aproximação ao vivido
"O cinema é dizer do vivido, falar do vivido; dizê-lo fazendo de conta que se vive seria muito bizarro".
Valérie Massadian, em entrevista ao ípsilon de 31-08-18 - com ligação (pelo menos na minha cabeça) para isto que aqui escrevi há uns tempos.
Valérie Massadian, em entrevista ao ípsilon de 31-08-18 - com ligação (pelo menos na minha cabeça) para isto que aqui escrevi há uns tempos.
"Cada um de nós tem mais virtudes que os outros supõem, mas só o êxito as torna notórias, talvez porque se espera então que deixemos de as praticar. Os seres humanos confessam estupidamente as suas piores fraquezas quando se espantam de que um senhor do mundo não seja indolente, presunçoso ou cruel".
"Memórias de Adriano", M. Yourcenar
Marcos Valle + Azymuth no ípsilon
No passado dia 30 de Agosto, Marcos Valle e os Azymuth celebram uma amizade de décadas no palco do B.Leza. Oportunidade não só para assistir a uma noite garantidamente de festa e calor, mas, também, para recuperar o rasto a uma parte mais vasta e esquecida da música brasileira: a black music dos anos 70 e 80.
domingo, 26 de agosto de 2018
mesmo à saída, tremendo muito das mãos depois de enfiar a custo o porta-moedas na malinha, olhe eu já tenho noventa e sete anos por isso posso dizer tudo o que penso sabe o senhor é muito bonito
e enquanto retribuo a simpatia, primeiro pelo reflexo do espelho depois virando-me na cadeira e passando-lhe a mão pelo ombro magríssimo, penso no tempo que para aqui andamos para dizermos aos outros o que queremos dizer. talvez a vida devesse ser, de facto, como naquela famosa boutade do woody allen: nascermos velhinhos e irmos rejuvenescendo à medida que o tempo passa. pois então, aos noventa e sete anos, já nenhum não-dito teríamos para nos castigar. menos poesia teríamos também escrito, talvez.
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
quarta-feira, 22 de agosto de 2018
a senhora doutora que por mim se apaixonou e por quem eu quase me apaixonava sentenciou carinhosamente está tudo bem o senhor só precisa de vitamina dê. na minha ignorância, nunca tinha ouvido falar em tal, mas imediatamente me passou pela cabeça a ideia de que, a ter uma cor, a vitamina dê seria do mesmo amarelo-céu a que cheiram os seus cabelos de anjo. para mim, até ao momento em que esta mulher de quem eu involuntariamente sei mais do que queria me diz o quão gosta de Roma com um sorrido dorido, vitaminas eram as dos sumos naturais e as daqueles homens que incham muito os músculos ou, então, as dos meninos cansados e distraídos da escola que precisam de se concentrar ou os meninos só cansados das universidades que fazem das madrugadas drogadas danças de estudo
e eu sem saber
viria a cumprir o seu receituário por
transviados trilhos de areia, fósseis
que levo para casa para me recordar
de que um dia também eu já
fui
pele osso farelo
que levo para casa para me recordar
de que um dia também eu já
fui
pele osso farelo
as gotículas terminaram antes disso
depois foi só mato
pinhais, estrume
pézitos pardos que se arrastam
indolentemente
da dê passei para a guê
gelados
pê
peixinho
cê
cigarrinho
ésse de suplementos e sal
um festim vitamínico, um
banquete da mesma letra do
bagaço que nos deixa atordoados para o resto
da tarde
tosgados como gostamos
de pronunciar
tosgados como gostamos
de pronunciar
o rui já está de braços abertos e calções
na cabeça lá longe
no mar a dani fala sem
parar com os olhos
no mar a dani fala sem
parar com os olhos
semicerrados nomeadamente do
garcía márquez e eu digo-lhe
garcía márquez e eu digo-lhe
então vou oferecer-te nos anos o meu livro preferido
do garcía márquez não do
vargas llosa e o monas
coitadinho tanto
precisa de descansar mas
por esta hora já é um faraó egípcio
Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes @ ÉVORA
Talvez não seja do domínio comum, mas algum do hip-hop mais fresco e irreverente (ou "fora-da-caixa", como agora se diz a propósito de tudo e de nada) alguma vez feito em Portugal saiu de uma cidade de 50 mil habitantes chamada Évora - e, em particular, da Sistema Intravenoso, que, depois da Matarroa e juntamente com a Monster Jinx, é a label independente com mais graça do país. "Dentes de Ouro & Flow de Platina" (2011) é um dos mais divertidos, javardos e inteligentes discos... que tenho nos ouvidos, clássico de um género musical que, até há uns anos, insistia em levar-se demasiado a sério (embora eu também o ame quando ele se leva a sério, ora pois). Fiz uma entrevista com o Marcos Valle (a sair em breve) e, nem de propósito, é nesse álbum do Pródigo e do Víruz que a "Mentira" é samplada-transformada na "Gira" - "Espero que esta noite não acabe paraplégico / Já 'tou com o sombrero / Parece que 'tou no Mérricow!".
Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes foi exibido ontem em Évora, ao ar livre, na Praça do Sertório, às 22h, no âmbito do festival Artes à Rua.

"Debaixo de água, está o rosto da tua amada"
(L'Atalante, 1934, Jean Vigo)
[Tivesse eu o visto antes de escrever sobre o "SWIMMING" do Mac Miller…]
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