(Corte de Cabelo, 1995, Joaquim Sapinho)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
segunda-feira, 22 de outubro de 2018
sexta-feira, 19 de outubro de 2018
quinta-feira, 18 de outubro de 2018
se me perguntas se
é a suor a que cheiras se
te abraço
a resposta (é sim) só se
primeiro descobrires a língua
despudoradamente
o tempo suficiente para ficar cá fora só,
virgem, desamparada no mundo
se te ris ela voltará
para dentro, mantém-te
séria rir só com as sardas
os olhos
abertos com(o) os meus
e ambos testemunhamos então
como todas as línguas
de amor são ridículas
momento em que as pestanas já não mais sombra fazem
a essa impronunciável órbita de frutos verdes e acastanhados
os olhos
os olhos
enfim
fechados
por substâncias mais alucinantes
do que todas as outras que adormecem
os que à nossa volta dançam
do que todas as outras que adormecem
os que à nossa volta dançam
as mãos, jogo das escondidas
sabotado à partida
sabotado à partida
as nossas ancas numa estranha
mutação fisionómica que as revistas da especialidade não previram
são quem tem os discos nas mãos
definem que é funaná
que ouvimos quando é vigorosa e repetitiva
a batida e de repente isto não é berlim
muito menos o porto
viemos à ilha de santiago
olha, ilha, não diria melhor
quatro arenosos pés que miro cá de cima
em redor, o oceano
só o atravessaremos quando as luzes nos forçarem
a abrir os olhos
ia haver um furacão
eles bem avisaram nas notícias.
mas tu não te precaveste devidamente
pensavas que podias sair à rua com as sardas
como se nada fosse.
como se nada fosse.
por isso acabarás espantada recusando olhar
para a câmara na entrada de um prédio feio
resgatada por um humilde mas muito posto canteiro
como a dona teresa das cervejinhas frescas pela fresca da manhã
a quem tu tanta estima dispensas.
no fim da caminhada
sentámo-nos na tua caravana e disseste:
já demos umas voltas,
no fim da caminhada
sentámo-nos na tua caravana e disseste:
já demos umas voltas,
nós
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Swamp Dogg no ípsilon
Senhoras e Senhores, no ípsilon da última semana, o O.G. Swamp Dogg e o seu velhíssimo-novíssimo-disco "LOVE, LOSS & AUTO-TUNE"
“'Que estranho caminho percorreste tu para chegar aqui'”, podíamos ter-lhe dito pelo meio das duas horas que durou a conversa entre Porto e Los Angeles. Nós em ameno fim de tarde, ele de manga cava branca acabado de acordar, a fresca a entrar-lhe pela varanda (por onde sairá até ao jardim num dos muitos cacofónicos momentos em que interrompe abruptamente, sem má-educação, a entrevista). Frase de particulares ressonâncias para cinéfilos ('disse-a' Bresson no final de 'Pickpocket', emulou-a César Monteiro em 'As Bodas de Deus') que, em boa verdade, o próprio Swamp Dogg, nascido Jerry Williams Jr., nos poderia ter devolvido: que estranho caminho percorri eu para, em 2018, ter o jornal de um minúsculo país do outro lado do Atlântico com uma área inferior à da Virgínia onde nasci a querer saber de mim. Um caminho que, iniciado nos anos 40 na pequena cidade de Portsmouth, se fez de muitos escolhos e revezes: 'Se um branco viesse pelo passeio na minha direcção, eu tinha de passar para a rua. Felizmente, não havia muito trânsito na cidade naquela altura!', gargalha ele, bem-disposto. 'Portsmouth é uma cidade naval e uma base da marinha militar. Quando um navio atracava, 3000 tipos desciam para se divertir. Aos negros e brancos que eram os melhores amigos durante meses na água diziam-lhes em terra: «Vocês não podem andar juntos!». Havia escolas separadas, bairros separados… Se eu passasse de bicicleta por um bairro branco, as hipóteses de me atirarem pedras eram reduzidas, mas por vezes acontecia'. As mesmas ruas onde 'à medida que eu passava por 10 casas, de pelo menos 5 delas ouvia grandes álbuns de música negra a tocar. Naquele tempo, toda a gente tinha um grande piano em casa e eu ia de casa em casa tocar. No Verão, as pessoas gritavam do alpendre: «Entra, Little Jerry, anda tocar!»'”.
Link para artigo completo: https://www.publico.pt/2018/10/12/culturaipsilon/noticia/as-sete-vidas-do-viralata-swamp-dogg-1846666
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
tudo a que tens direito
não é
é... educaste-as tantos
anos para isto
fecharem-te
a boca (já não bastava
teres mau ouvido) abrindo
as suas goelas muito sérias:
Mãezinha, a gorda
não!
mas tu insistes
fazes justíssima birra, a gorda
sim
gordíssima gostosíssima
a melhor parte da carne
de que a tua semana é feita
o teu homem (em quem vejo
beijo o senhor ferreira, ou o contrário já não sei
deus o tenha) quer ver o jogo, chegar a casa
ainda o sol não adormeceu
mas antes disso há o sofá torrado
de nascença e pelo sol dos anos
dispensas que eu te tire os
sapatinhos
nunca foram de cinderela só
lavoura, mãos grossas
gastas grosseiras
aninhas como o rapazito
que num dia quente ficou à tua
guarda enquanto os pais foram
a Marrocos fumar
desertos de tardias tolices
não sabendo que quando voltarem
o rapazito olhá-los-á com estranheza
apontando para o portão as calças sujas
com a areia das galinhas
quem são
enquanto me baixo
e te olho penso eternamente
crescer
é um lugar estranho (tantas vezes o escrevi
adulterando de emprestado o título
de um filme de que nem gosto especialmente)
a partida e a chegada deste caminho
portas que sucessivamente
inevitavelmente
se vão invertendo
velhos novos novos
velhos quem
cuida de quem
quando passamos a ser nós a fazer-lhes as batatas fritas
infindáveis festinhas na barriga
quando
em que momento
local, dia, hora
exactamente?
cubro-te com a mantinha que não
é azul nem improvisadamente
estrategicamente foi
dividida em duas
porque o lucas hoje nem veio, ficou a
crescer (precisamente)
beijo-te muito sem saber
piscar os olhos como fazias
antes de teres os joelhos
ancas
empedernidos
apalpo-te os veios carnudos do
rosto mas
nada dizes, os olhos
acordados não
abres.
que pensarás agora que
finges dormir como o rapazito
embaraçado
escondendo segredos
(este segredo foi a tua filha quem mo disse)
não é
é... educaste-as tantos
anos para isto
fecharem-te
a boca (já não bastava
teres mau ouvido) abrindo
as suas goelas muito sérias:
Mãezinha, a gorda
não!
mas tu insistes
fazes justíssima birra, a gorda
sim
gordíssima gostosíssima
a melhor parte da carne
de que a tua semana é feita
o teu homem (em quem vejo
beijo o senhor ferreira, ou o contrário já não sei
deus o tenha) quer ver o jogo, chegar a casa
ainda o sol não adormeceu
mas antes disso há o sofá torrado
de nascença e pelo sol dos anos
dispensas que eu te tire os
sapatinhos
nunca foram de cinderela só
lavoura, mãos grossas
gastas grosseiras
aninhas como o rapazito
que num dia quente ficou à tua
guarda enquanto os pais foram
a Marrocos fumar
desertos de tardias tolices
não sabendo que quando voltarem
o rapazito olhá-los-á com estranheza
apontando para o portão as calças sujas
com a areia das galinhas
quem são
enquanto me baixo
e te olho penso eternamente
crescer
é um lugar estranho (tantas vezes o escrevi
adulterando de emprestado o título
de um filme de que nem gosto especialmente)
a partida e a chegada deste caminho
portas que sucessivamente
inevitavelmente
se vão invertendo
velhos novos novos
velhos quem
cuida de quem
quando passamos a ser nós a fazer-lhes as batatas fritas
infindáveis festinhas na barriga
quando
em que momento
local, dia, hora
exactamente?
cubro-te com a mantinha que não
é azul nem improvisadamente
estrategicamente foi
dividida em duas
porque o lucas hoje nem veio, ficou a
crescer (precisamente)
beijo-te muito sem saber
piscar os olhos como fazias
antes de teres os joelhos
ancas
empedernidos
apalpo-te os veios carnudos do
rosto mas
nada dizes, os olhos
acordados não
abres.
que pensarás agora que
finges dormir como o rapazito
embaraçado
escondendo segredos
(este segredo foi a tua filha quem mo disse)
MICAR - Texto "12 Angry Men"
Decorreu na semana passada a 5ªedição da MICAR – Mostra Internacional de Cinema Anti-Racista, para cujo catálogo escrevi um texto sobre “12 Angry Men”, que foi também publicado on-line no À pala de Walsh. O título original do texto é “AS ASAS DOS JUSTOS” e o filme, esse, um tratado de todos os tempos, certamente fundamental numa época como a nossa em que todos têm sempre muita pressa em disparar acusações e denúncias nas “redes sociais”.
Link para texto completo: http://www.apaladewalsh.com/2018/10/12-angry-men-1957-de-sidney-lumet/
"Sobre a personagem de Fonda, dizíamos, apenas viremos a saber, numa rápida conversa de quarto-de-banho (literalmente), que é arquitecto. E assim voltamos, então, à referência bíblica que insinuámos nas primeiras linhas – e voltamos também, repare-se, a Bresson e à Graça. Talvez que Fonda, esse corpo alado disfarçado num alvo fato, não seja, afinal, um “arquitecto” qualquer, e esta “última reunião” de doze homens – que lembra uma outra que Leonardo Da Vinci um dia imortalizou – não seja, também ela, uma reunião qualquer (Fonda como um Judas “invertido”). Quiçá Fonda seja um qualquer “grande arquitecto” ou um enviado seu que, tal qual o anjo de James Stewart no 'It’s a Wonderful Life' de Capra, uma vez cumprida a sua missão na terra dos homens – a de “fazer o bem” (Do The Right Thing, diria Spike Lee), pois que, como se lê na placa cimeira do tribunal (de imponentíssimas colunas que um dia Mussolini recuperou para o espaço público italiano, e que Lumet apanha no travelling que abre o filme), “Administration of Justice is the Firmest Pillar of Good” –, parte, batendo as asas, daquela escadaria outrora uma via-sacra. A chuva parou. Oxalá que por cada anjo (ou justiceiro) exterminador houvesse um anjo salvador".
domingo, 7 de outubro de 2018
07-09-2018
companheiro: os discos já cá cantam. perdi a cabeça, eu que nem sou destas coisas, e agora também te trago ao peito e nas costas. não é metáfora, mas podia ser. fica tranquilo.
terça-feira, 2 de outubro de 2018
in my résumé
(LP Cuffed, Collared & Tagged, 1972)
"In my résumé
What will I say
About games I had to play
To try to get my way
In my résumé?
Shall I write about
How long my existence was in doubt?
Or do the things
I was ashamed to shout about
In my résumé?
Will I sing
‘Oh at last
My future’s become my past?’
I’ve seen the rocks of Alcatraz
In my résumé
I’m thinking as I’m writing
I’m sketching as I go
Trying to put into perspective
Things my children oughtta know
Gotta be so careful
I don’t lead minds astray
It’s how you read what’s written in the past
That makes the future style its way
In my résumé"
About games I had to play
To try to get my way
In my résumé?
Shall I write about
How long my existence was in doubt?
Or do the things
I was ashamed to shout about
In my résumé?
Will I sing
‘Oh at last
My future’s become my past?’
I’ve seen the rocks of Alcatraz
In my résumé
I’m thinking as I’m writing
I’m sketching as I go
Trying to put into perspective
Things my children oughtta know
Gotta be so careful
I don’t lead minds astray
It’s how you read what’s written in the past
That makes the future style its way
In my résumé"
segunda-feira, 1 de outubro de 2018
Masego no ípsilon
"Ainda este ano, o rapper norte-americano Freddie Gibbs causou sensação com a capa do seu novo disco ('Freddie'), uma recriação fiel, mas com o seu rosto, da cover do célebre 'Teddy', LP de 79 do grandíssimo nome da soul americana Teddy Pendergrass. Tirando a graça do gesto, tiro completamente ao lado: a música de Gibbs está tão próxima da de Pendergrass como a Terra de Plutão, não pelo fa...cto de o primeiro fazer hip-hop, mas porque o seu hip-hop em particular, interessado nos contos violentos de drogas e ruas, em nada contacta com a sensualidade e o charme canastrão do som e das palavras do homem de 'Close The Door' ou 'Turn Off The Lights'. Isto para dizer que, se há rosto que, num esforço de re-actualização, poderíamos substituir na artwork desse álbum de Pendergrass (ou na de um de Barry White ou Luther Vandross), ele é, justamente, o de Masego, jovem cavaleiro andante sempre a apalpar, cheio de souplesse, os terrenos do amor, do sexo, do engate cortês". [ERRATA: "ave-marias" em vez de "aves-marias"]
No ípsilon da última sexta-feira.
On-line: https://www.publico.pt/2018/09/29/culturaipsilon/noticia/masego-tem-sexo-na-ponta-do-sax-1845178
***
Entretanto, gostaria apenas de deixar o meu esclarecimento ao exmo. senhor leitor “Zé Goes”, que, a partir de Lisboa, pelas 17h40 de um belo e soalheiro sábado, expressou a sua metódica dúvida: “O que quer dizer este título que o articulista aqui meteu? Ou está na brejeirice foleira ou só quer ganhar mais uns leitores taradinhos. É o que está a dar...”. Quero, portanto, dizer-lhe, meu caríssimo Zé Go...es, que a resposta correcta se acha, decididamente, na segunda parte da sua equação. Somos mais, cada vez mais, os tarados, e, prepare-se – quem o avisa seu amigo é –, muito em breve invadiremos, sem apelo nem agravo, os decentíssimos lares de quem em belos e soalheiros sábados está a comentar artigos on-line, momento em que lhes faremos tropelias muito, mas mesmo muito, taradas.
Começaremos por lhes abrir os olhos com umas enormes pinças (como fizeram àquele desgraçado no filme do Kubrick) - e, por favor, tenha a bondade de ler mesmo "pinças", longe de mim querer deixá-lo em angustiante equívoco - enquanto lhes impingimos as fotografias do Mapplethorp. O resto deixo à sua nada tarada imaginação. Reitero: quem o avisa seu amigo é.
sexta-feira, 28 de setembro de 2018
a minha ligação com helena almeida é tão superficial quanto estranhamente profunda - ou, mais apropriadamente (modestamente), íntima. resume-se, creio, a uma experiência. valência num domingo em que uma sombra velha conhecida, que já ameaçara na noite anterior, me começa a agarrar pelo pescoço. agora vejo que não escolho a palavra sombra à toa, não por metáfora mas porque lhe li numa entrevista a referência a um trabalho seu chamado entrada negra, que não conheço a não ser pelo modo como o descreve por palavras - quando vou investigar, faz-se, então, luz, apercebo-me de que sim, esse trabalho estava numa das salas daquela cidade que, por algumas horas, albergou um trapézio gigante. entrou pela entrada negra adentro, diz, num dia de calor. como esse dia de valência. vou adiando a certeza de que já lhe começo a sentir as mangas roçando-me os maxilares. andando pela rua, como um gelado, ninguém diria que. no mapa, assinalo o museu, vamos aqui. mas ninguém quer ir, todos exaustos dos excessos. mal sabem - e mal eu próprio compreendo - como é a exaustão que, paradoxalmente, sem que eu o deseje, activa o fight-or-flight, expressão que shakespeare certamente teria apreciado. sou persuasivo, quero dizer, persistente, e já estamos na fresca a tentar pagar pelos bilhetes de estudante. que serenidade se começa a apoderar de mim. imagens, ideias, palavras, enfim, linguagens com que comunico, me aconchegam, familiares mesmo se esta é a primeiríssima vez que delas me aproximo. já no último terço da caminhada, HELENA ALMEIDA, e eu penso se se tratarará de uma artista sul-americana quem sabe brasileira, mas é portuguesa ó como me sinto feliz ainda antes de ver as suas pernas junto a cadeiras, paredes, faixas negras, manchas azuis, ó como me sinto próximo de casa e dos meus. até serralves é lá mencionada, uma exposição sua que por lá esteve, e eu penso nos quadrinhos que o meu irmão aí um dia pintou ainda criança era e a sombra criança para mim o era também. haveriam de ficar ao abandono em casa dos meus pais até eu os reaver para a minha casa nova, onde passam a ocupar uma das paredes da sala, são quatro, escolhi-os de uma série numerosa numa tarde em que o carro fungava tanta era a memória que carregava (quase voava pela janela é melhor fechares lucas, não xico só o que é leve é que voa). muito longe ainda de saber que, tanto anos depois, também a contas com sombras, o meu irmão faria das aguarelas suas melhores amigas enquanto a minha mãe finalmente descansa na areia e eu, enfim, nado. swimming, pois e sempre. é também por esta altura, quando as placas rogil e maria vinagre silenciosamente nos satisfazem a barriga e eu espreito os pirenéus de algas pela janela, que penso em como essa experiência em valência se liga directamente à minha recente vontade em fotografar, não filmar, fotografar, controlar e enquadrar o redor, fazê-lo meu como um batedor depois de verificar silenciosamente que o terreno está livre de minas. acto contínuo e um segundo depois penso que não quero pensar nisso, my mind plays tricks on me como se diz, não pode saber o meu ponto forte que depois já sabe por onde me pegar. diabinho hã, devias saber que domingo é dia santo, toma lá água benta então, sente este
shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh não me queiras fazer-te ouvir um outro maior, muito maior, explosão seca e falsamente distante da onda quando se nos rebenta. como o início de uma trovoada, uma rebelião vencedora.
quarta-feira, 26 de setembro de 2018
sexta-feira, 21 de setembro de 2018
se calhar há um dia
em que te encontro
lá fora
como vocês dizem
peço-te
umas aulas
em que te encontro
lá fora
como vocês dizem
peço-te
umas aulas
professora de quem
nunca me interessei por uma lição que fosse
arrogância feita de livros
teorias
desprezo por essas ondas paredes
tubos tábuas rasantes
se calhar há um dia
quando estamos todos
sentados em
silêncio à espera do milagre
(vem em forma de garganta
engolir-nos)
eu decido remar um pouco só
para não esfriar
e estás lá tu sentada
indiferente
mimadamente triste
tristemente bonita
(os teus cabelos foram os únicos
que nunca me fizeram
comichão no nariz)
provavelmente uma mão
no queixo a outra chapinhando
maldição que ninguém sabe
quem ta atirou para cima
então olhamo-nos
e tu pensas nas flores no pára-brisas
que terás feito com elas
pensas tu
penso eu talvez os dois
(cuidado com as distracções, isto
não foi feito para pensar
a garganta pode estar aí ao virar da esquina)
e com o bilhete?
havia bilhete ou eram só
flores já não sei mas ó sim se
me lembro do correio de resposta
no quarto-de-banho dos meus pais
gelidamente impedindo
que o meu irmão tão novo
ainda fosse testemunha do
seu primeiro crime
se calhar voltamos a
terra come
back to earth e volto a mostrar-te um disco
que amo como em dois mil e seis amava
o pratica(mente) que vieste comprar
comigo, já no carro
a partilhar com o pti
o sumário do dia,
caderno que altivamente não deixo que olhes
a partilhar com o pti
o sumário do dia,
caderno que altivamente não deixo que olhes
por cima do meu ombro.
se calhar
não
discos que seriam aulas novamente
a música do costume
venham as do mar
onde só o vento
é quem faz as revelações.
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