sexta-feira, 26 de outubro de 2018

I'll even take your blame / yes I will oh well



 
 
(LP Honey, 1975)




Europa '51 (1952), R. Rossellini / Thelma (2017), J. Trier


 
 
[Oslo, 31. august (2011) / Thelma (2017), Joachim Trier]

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

lamento às águas (Brasil 2018)


 
 
(LP Os Tincoãs, 1977)

ossessione



(La Belle Noiseuse, 1991, Jacques Rivette)


Sam The Kid em entrevista:

"Acreditas que já tenho a capa do álbum feita há anos [desde 2011]? Só a capa do álbum é uma cena mágica que consegui fazer. (…) o álbum vai chamar-se “Beats Vol. 2 - Rap” e é um grande back to back comigo próprio. (…) Uma vez vi uma imagem de uma bacana deitada na cama, uma cena muito bonita, com ela a olhar para a câmara como se estivesse a olhar para alguém. (...) E a capa do álbum é assim. (…) Não entro na capa: é uma mulher..., uma beleza, eu sou a lente. E depois a questão é, se o hip hop fosse uma mulher, quem é que seria esta pessoa por quem estou fascinado? Quando era puto, nos anos 90, via as cenas da MTV e era fascinado por uma bacana do programa “The Grind”. Gravava tudo em VHS. Aquilo tinha uns dançarinos fixos e havia lá uma rapariga que era a minha paixão. E ela era perfeita para isto. Nem tinha plano B. E agora, como é que vou chegar a esta paixão que eu tinha? Fui investigar, porque sabia o nome dela. (…) eu era tão fã que fixei o nome dela depois de o apresentador lhe ter dado a oportunidade de fazer um shout out. O nome dela apareceu em rodapé e nunca mais me esqueci. Fui pesquisar e encontrei o Facebook dela. Esperei bué tempo e pensei: não posso ser eu, vai parecer estranho. Se calhar vou pôr alguém profissional a tratar disto. Ela demorou algum tempo a responder, mas respondeu. Eu paguei-lhe, ela veio para Portugal, para o meu quarto, o quarto onde eu via a cena e era apaixonado por ela, deitou-se na minha cama, a olhar para mim, e fotografámos. E a cena é que ela tem a idade do hip hop. Nasceu em 1974, é do Bronx, onde o hip hop nasceu. E para ela significou muito. Foi a última vez na minha vida em que senti magia".
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

touchez / touchez pas




(Touchez Pas au Grisbi, 1954, J. Becker)

terça-feira, 23 de outubro de 2018




("Beatrice", LP Fuchsia Swing Song, 1965)

"Piano & a Microphone 1983" no ípsilon

 
 
No ípsilon da última sexta-feira, um principesco disco:

"'Piano and a Microphone 1983' cumpre, desde logo, uma importantíssima tarefa, a de reavivar no imaginário popular – sobretudo o das gerações mais novas, para quem Prince simbolizará, acima de tudo, uma postura e uma indumentária espampanantes, 'eighties' e 'fora-da-caixa' (e do armário, pois embora Prince nunca se tenha manifestado militantem...ente em assuntos LGBT, há uma irredutível dimensão queer, transgénero e não-normativa na sua obra) – o magnífico executante que Prince também era. Um 'omni-instrumentista' (na cover art de 'For You', o seu formidável LP de estreia em 1977, pode ler-se que ele toca os 27 instrumentos) que, ao contrário daquilo que lhe é mais imediatamente associado (o fulgor na guitarra), mostra aqui todo o seu brilhantismo ao piano, tão clássico quanto pop, tão solene como entertainer. E depois, claro está, a sua voz, elasticidade infinita, uma em que as questões de harmonia e afinação se eclipsam e o ouvinte se passa a concentrar, quase em exclusivo, na expressividade da interpretação, suas curvas emocionais e exuberantes derrapagens".
 

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

do amor, sexo, morte - um pequeno tratado plástico
















(Corte de Cabelo, 1995, Joaquim Sapinho)







(Corte de Cabelo, 1995, Joaquim Sapinho)


Nossa Senhora Aparecida!, que filme mais lindo, mais cheio de graça.

sexta-feira, 19 de outubro de 2018

tutto è sacro

 









(Deste Lado da Ressureição, 2011, Joaquim Sapinho)

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

se me perguntas se
é a suor a que cheiras se
te abraço
a resposta (é sim) só se
primeiro descobrires a língua
despudoradamente
o tempo suficiente para ficar cá fora só,
virgem, desamparada no mundo

se te ris ela voltará
para dentro, mantém-te
séria rir só com as sardas
os olhos
abertos com(o) os meus
e ambos testemunhamos então
como todas as línguas
de amor são ridículas
momento em que as pestanas já não mais sombra fazem
a essa impronunciável órbita de frutos verdes e acastanhados

os olhos
enfim
fechados
por substâncias mais alucinantes
do que todas as outras que adormecem
os que à nossa volta dançam
as mãos, jogo das escondidas
sabotado à partida
as nossas ancas numa estranha
mutação fisionómica que as revistas da especialidade não previram
são quem tem os discos nas mãos
definem que é funaná
que ouvimos quando é vigorosa e repetitiva
a batida e de repente isto não é berlim
muito menos o porto
viemos à ilha de santiago
olha, ilha, não diria melhor
quatro arenosos pés que miro cá de cima
em redor, o oceano
só o atravessaremos quando as luzes nos forçarem
a abrir os olhos

ia haver um furacão
eles bem avisaram nas notícias.
mas tu não te precaveste devidamente
pensavas que podias sair à rua com as sardas
como se nada fosse.
por isso acabarás espantada recusando olhar
para a câmara na entrada de um prédio feio
resgatada por um humilde mas muito posto canteiro
como a dona teresa das cervejinhas frescas pela fresca da manhã
a quem tu tanta estima dispensas.

no fim da caminhada
sentámo-nos na tua caravana e disseste:

já demos umas voltas,
nós

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Apparition



















(Deste Lado da Ressureição, 2011, Joaquim Sapinho)

Swamp Dogg no ípsilon



Senhoras e Senhores, no ípsilon da última semana, o O.G. Swamp Dogg e o seu velhíssimo-novíssimo-disco "LOVE, LOSS & AUTO-TUNE"
“'Que estranho caminho percorreste tu para chegar aqui'”, podíamos ter-lhe dito pelo meio das duas horas que durou a conversa entre Porto e Los Angeles. Nós em ameno fim de tarde, ele de manga cava branca acabado de acordar, a fresca a entrar-lhe pela varanda (por onde sairá até ao jardim num dos muitos cacofónicos momentos em que interrompe abruptamente, sem má-educação, a entrevista). Frase de particulares ressonâncias para cinéfilos ('disse-a' Bresson no final de 'Pickpocket', emulou-a César Monteiro em 'As Bodas de Deus') que, em boa verdade, o próprio Swamp Dogg, nascido Jerry Williams Jr., nos poderia ter devolvido: que estranho caminho percorri eu para, em 2018, ter o jornal de um minúsculo país do outro lado do Atlântico com uma área inferior à da Virgínia onde nasci a querer saber de mim. Um caminho que, iniciado nos anos 40 na pequena cidade de Portsmouth, se fez de muitos escolhos e revezes: 'Se um branco viesse pelo passeio na minha direcção, eu tinha de passar para a rua. Felizmente, não havia muito trânsito na cidade naquela altura!', gargalha ele, bem-disposto. 'Portsmouth é uma cidade naval e uma base da marinha militar. Quando um navio atracava, 3000 tipos desciam para se divertir. Aos negros e brancos que eram os melhores amigos durante meses na água diziam-lhes em terra: «Vocês não podem andar juntos!». Havia escolas separadas, bairros separados… Se eu passasse de bicicleta por um bairro branco, as hipóteses de me atirarem pedras eram reduzidas, mas por vezes acontecia'. As mesmas ruas onde 'à medida que eu passava por 10 casas, de pelo menos 5 delas ouvia grandes álbuns de música negra a tocar. Naquele tempo, toda a gente tinha um grande piano em casa e eu ia de casa em casa tocar. No Verão, as pessoas gritavam do alpendre: «Entra, Little Jerry, anda tocar!»'”.

Link para artigo completo: https://www.publico.pt/2018/10/12/culturaipsilon/noticia/as-sete-vidas-do-viralata-swamp-dogg-1846666

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

até que a vida nos separe - foi o que pensei quando vi aquela fotografia, dois corpos amortalhados abraçando-se, amando-se de morte.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

smile



(Run On Sentences Volume Two, 2015, Larry Fisherman aka Mac Miller)

quarta-feira, 10 de outubro de 2018









(Play Misty for Me, 1971, Clint Eastwood)