Aqui, para nosso alívio, não temos que escolher entre a democracia e o fascismo. Só entre afectos, gostos e obsessões, taras&manias marcopaulianas, sensibilidades e luzes, cores e vertigens. É o Palatorium deste mês, já um pouco desactualizado no que aos meus olhos diz respeito: falta ali uma pala no En Guerre e outras três no Halloween. Bons filmes!
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
segunda-feira, 12 de novembro de 2018
domingo, 11 de novembro de 2018
não sei do que gosto mais
ou menos
o hospital escuro
as marcas do sangue nas
negras imundas paredes
deixadas pelas garras
do vampiro que a mão esquerda
da minha mãe golpeia enquanto a direita
me passeia assustado
da minha mãe golpeia enquanto a direita
me passeia assustado
se o moderno
monumental
alvo brilhantíssimo
distópico hospital
em que somos
minúsculos, pois que até aqui
no lugar
das curas
insistimos em nos
insistimos em nos
apequenar, matar
paradoxais semideuses
que têm
mas não sabem
onde cair
quero dizer,
quero dizer,
como cair
mortos
vivos
zombies
quarta-feira, 7 de novembro de 2018
John Wayne, yo / 07-09-2018
(LP GO:OD AM, 2015)
"I came for whoever is in charge
I suggest you go and get yourself a weapon and a guard
They need some coffee, everybody’s sleeping on me...
Going around door to door, setting off alarms
All that horse shit, you should have left it at the barn
I suggest you go and get yourself a weapon and a guard
They need some coffee, everybody’s sleeping on me...
Going around door to door, setting off alarms
All that horse shit, you should have left it at the barn
Keep a stallion, tell her gallop to the store and get cigars, yeah
Too many whips, gotta get a new garage made
I might steal one just to drive it in a car chase
Me and my bizarre ways (Lord have mercy)
I moved up from a Private to a Sergeant
You can see it from the scar face
Hidden in a dark place, swimming in the shark tank"
Too many whips, gotta get a new garage made
I might steal one just to drive it in a car chase
Me and my bizarre ways (Lord have mercy)
I moved up from a Private to a Sergeant
You can see it from the scar face
Hidden in a dark place, swimming in the shark tank"
terça-feira, 6 de novembro de 2018
sabes o que não é estranho
e devia ser:
apareceres-me a meio da noite
branquíssima
sem que to peça
não me roubes o sono de que
preciso mais logo para
ir ao cinema, único lugar
onde o pacto, justo, está já celebrado à partida:
apareçam as que aparecerem
imagens apenas
ladras de coisa nenhuma
pelo contrário, vítimas de
usurpação
com elas sim
é para o lado
que durmo melhor
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
chorou como um menino quando a avó ficou no hospital. "nem duas palavras lhe conseguia perceber ao telefone", diz com falsa altivez, como se ambos desconhecêssemos que a mão que não larga a minha treme da comoção. mais tarde, repararei na mão dele, do avô, uma imensa mancha violácea que peço para fotografar. dias depois, estarão finalmente juntos nesta casa e, então, como se tudo voltasse ao tempo em que o avô saía de manhã para trabalhar e regressava à hora do almoço preparado pela maria das dores (teve que ir embora, parece que uns fios sumiram, fico agora a saber), vemos, no sofá torrado de nascença e pelo sol dos anos (abre os estores, a avó quer luz), as cobras na televisão. a voz do locutor ainda é a mesma, quem sabe não se tratará de uma reposição, aí é que seria a volta completa. é desde esse tempo que lhes guardo pavor e fascínio extremos, os mesmos que me revolveram a cabeça de menino quando, sozinho em casa, vi um programa em que um rapazito como eu, australiano talvez, encontra uma enorme e esfíngica aba de dois minúsculos olhos à saída da sanita quando se prepara para o xixi-cama. anos, muitos, que passarei atemorizado pelo bicho que subirá secretamente pelos canos. é pela mesma altura que verei da janela do carro a pele seca de uma delas pendurada num poste no meio da neve a caminho da serra da estrela como aviso para não sei, afinal, exactamente o quê. ou julgo que vi. a avó, de olho guloso (como se também colocasse a língua de fora), fixa o ecrã e depois, subitamente, passa a mão por debaixo das minhas pernicas
olha
olha aqui uma
bichebichebiche
também está aqui uma
como faz com os gatos lá fora, junto ao tanque, cobras e gatos, galinhas, lesmas, para ela tudo seres pertencentes à mesmíssima ordem, como um prolongamento dos seus dedos, unhas, da sua pele, saliva. uma tarde haverá - algo que me estava perfeitamente predestinado, cosmicamente marcado - em que uma dessas cobras salta do televisor para a bouça. nem a verei com olhos de ver, corro para dentro, grito, o Jorge descerá negligentemente do seu clandestino sótão onde ainda hoje encontro tesouros (discos, mapas, porta-chaves…) no seu habitual espírito gozão e, de uma machadada só, zás, não mais a vi. deixa aí nas cobras que eu gosto, pede agora. e eu, fora do seu ângulo de visão, levanto-me e dou dois passos só para ver outra vez aqueles dois berlindes rutilantes. o olhar só se desviará no momento de se ir aliviar, dou-lhe o meu braço e andamos lenta, mesmo muito lentamente, até ao momento em que terá de optar por baixar as calças à minha frente ou fechar a porta, as duas ao mesmo tempo não consegue. eu fecho a porta, chame-me quando terminar, sim? cha me me quando ter mi nar, sim? e sento-me novamente, uma cadeira bem rectangular para me amparar das circunvalações.
domingo, 4 de novembro de 2018
sábado, 3 de novembro de 2018
quinta-feira, 1 de novembro de 2018
but I, I love youuuuuu
(LP This Old Heart Of Mine, 1966)
"This old heart of mine been broke a thousand times
Each time you break away, I fear you've gone to stay
Lonely nights that come, memories that flow, bringing you back again
Hurting me more and more
Each time you break away, I fear you've gone to stay
Lonely nights that come, memories that flow, bringing you back again
Hurting me more and more
Maybe it's my mistake to show this love I feel inside
'Cause each day that passes by you got me
I love you, yes, I do
These old arms of mine miss having you around"
'Cause each day that passes by you got me
Never knowing if I'm coming or going
but I, I love you
This old heart darling, is weak for youI love you, yes, I do
These old arms of mine miss having you around"
quarta-feira, 31 de outubro de 2018
Folha de S. Paulo
Car@s Amig@s,
Perante as graves e permanentes ameaças e ataques (para já, apenas verbais) à liberdade de imprensa e de expressão no Brasil, e, em particular, ao jornal Folha de S.Paulo, decidi fazer a assinatura do jornal. Proponho, a quem entender por bem, fazer o mesmo. Assim, além do acto simbólico através do qual ajudam à preservação da liberdade e da democracia no Brasil, passam também a beneficiar do acesso irrestrito a conteúdos de excelente nível (política, nacional e... internacional; cultura; investigação).
Em Portugal, e uma vez que, como já se percebeu, o fenómeno está aí ao virar da esquina, apelo também à assinatura do jornal Público, não porque lá escreva, mas porque muitos anos antes de o fazer, era já um leitor indefectível. O Público é, não preciso de o desenvolver, um dos mais importantes pilares do nosso jornalismo e, por conseguinte, da nossa democracia.
Os links abaixo. Boas leituras!
Folha de S. Paulo:
Público:
terça-feira, 30 de outubro de 2018
Wah Wah Watson
com excepção do hip-hop, que já vinha muito, muito de trás, foi quando entrei na faculdade que o meu mergulho a sério na música negra americana se iniciou – e não tanto por ecos de casa (os meus pais tinham muitos LP de música brasileira, zeca e sérgio godinho, música clássica, mas, de black music, só os obrigatórios: James Brown, um Barry White aqui e acolá, pouco mais) quanto, como acontece com tanta boa gente, pelo rastrear dos samples originais dos beats que eu amava. nesse salto para aquelas que continuam a ser, todos estes anos depois, as minhas águas predilectas, houve uma revista fundamental para eu aprender a poda: não apenas os músicos e os discos, mas, também, como só viria a perceber mais tarde, a escrever (sobre música; cinema são outros quinhentos).
essa revista chamava-se (chama-se?) Wax Poetics e, num dos primeiros exemplares que comprei na Princesinha, a papelaria em Cedofeita onde a passei a encomendar mensalmente (eles tinham encomendado uma vez, à experiência, um número e, por milagrosa coincidência, eu passei nessa semana à porta; provavelmente fascinado pelo rosto do Sly Stone na capa, relativamente ao qual não fazia a mais pálida ideia de quem se tratava, decidi comprar), descobri o Wah Wah Watson, que morreu na quarta-feira passada. um side-man, génio na sombra, que fez apenas um álbum a solo (“Elementary”, 76) e tocou em centenas (literalmente) de discos de outros grandes nomes, todos bem mais reconhecíveis ao ouvido do que ele. o seu desaparecimento, mais do que me entristecer, remete-me para esse tempo outro no qual me maravilhava com todos aqueles nomes, discos, capas (da WP e dos discos que cada número abordava), referências, comparações, caminho livre, escancarado, privilegiado, para a minha curiosidade (nunca percebi aquelas pessoas que mal-dizem os críticos pelo facto de os seus textos estarem cheios de “referências", embora sempre me tenham parecido bastante preguiçosas e choninhas; pela minha parte, dominando mais ou menos um assunto, elas sempre foram bem-vindas, era da maneira que ia descobrindo mais e mais).
um tempo, também, em que as revistas de música eram realmente valiosas para um leitor com olhos-de-pensar; para evitar a nostalgia fácil, fui ler outra vez o artigo (assinado por Kurt Iveson) sobre o Wah Wah Watson de cabo a rabo e, confirma-se, é mesmo uma excelente peça, dessas que desapareceram das Pitchforks, New Musical Expresses e afins. triste, bastante triste, tanto como, movido pelo ímpeto de me re-conectar à WP (que deixei de subscrever, à data, pelo preço e indisponibilidade de tempo para a ler devidamente), ficar a saber que o mais recente número (sobre o Prince, de uma ponta à outra) terá sido, muito provavelmente, o último. para contrariar o fatalismo, um artigo que sugere que eu estou absolutamente errado e que a coisa está de óptima saúde (acreditar, como diz a outra, é livre): https://www.theguardian.com/…/the-crisis-in-music-journalis…
se este meu post servir de alguma coisa, que seja, pelo menos, para convencer alguém a assinar (e a não permitir o assassinar) da Wax Poetics. sobre o Wah Wah Watson, que as palavras do Kurt Iveson lhe façam a merecida justiça (WP n.º 37, Oct/Nov, 2009):
“Watson’s career has bubbled away under the surface of industry fame like the bubbles that are one of his signature sounds. (…) Watson wants to talk about what he does, not what he’s done. As far as he’s concerned, he says, ‘I’m fifty-six, I’m having fun, and I haven’t even touched the surface of my creativity’. (…) As he puts it, ‘Old-school musicians have an identifiable sound… Plenty of musicians today, they can play great, but they don’t have a sound’. (…) It’s one thing to have a musical vocaculary, it’s another thing to know how to use it. This brings us to a third elemento of Wah Wah’s sound – his approach to execution. Finding just the right niche of his guitar, for him, is a matter of developing an overview of a track’s conceptual foundation. Playing the right part is not just a matter of technical ability; it’s also fundamentally about listening skills and arrangement. This is a key part of Wah Wah’s formula for successful musical collaboration, especially when it comes to funky music: ‘Listen to people like Jimmy Smith, James Brown – the funk is in the arrangements’. (…) Of course, being a great player is not enough to make a career as successful as Watsons’s. This brings us to element number five – business. Wah Wah summed up his strategy like this: ‘I’m the bone looking for the dog, not the dog looking for the bone’. To illustrate, Wah Wah gave me some dating tips, for free. ‘It’s like, if you see someone you like, don’t rush in there. You gotta be real casual, dog… That way, you’ll make her want to come to you. Are you with me?’”.
fantasmas, fascismos
(Glória, 1999, Manuela Viegas)
Sim, os fantasmas existem - infelizmente, não apenas os dos filmes, também os do fascismo. Que, afinal, não era só o histérico "fássismo" que alguns alardeavam e relativamente ao qual outros zombavam - e atenção que estes últimos são os mesmos que, agora, já se estão a posicionar estrategicamente. Assunção Cristas, Jaime Nogueira Pinto, Paulo Portas.
O mundo continua cheio de coisas lindas, como este filme - a partir de agora só vamos ter que lutar acrescidamente para que elas continuem a existir. Sem querer impor nada a absolutamente alma alguma (tenho alergia a superioridades morais, de esquerda ou de direita, dá-me igual), peço, a quem entender por bem, que pondere este apelo: o discurso de ódio está definitivamente a instalar-se porque preconceitos e ideias feitas até aqui adormecidos enquanto a democracia funcionou de forma mais ou menos normal (com todos os defeitos, e são muitos, que os regimes e governos dela aproveitaram ou produziram) estão agora a tomar conta de muitos em virtude de um clima tóxico que conjuga decepção (muitíssimo legítima), frustração (idem), ignorância, fake news e aproveitamento estratégico por parte de políticos populistas. Uma das formas possíveis e profícuas de combater este fenómeno (há outras, evidentemente, nomeadamente institucionais e não-institucionais, mas que não invalidam esta) é discuti-lo no dia-a-dia, nas nossas vidas quotidianas. Eu próprio sinto a necessidade (como, provavelmente, muitos outros), depois de uma adolescência/juventude em que me lançava a discutir por dá-cá-aquela-palha e de o ter deixado em absoluto de fazer por falta de paciência e sobretudo por necessidade de re-avaliação das minhas próprias posições sobre alguns assuntos, de voltar a debater seriamente, taco-a-taco, com quem lança, na rua, no café, no trabalho, ideias feitas sem pensar no que elas realmente significam e projectam. Fica o meu apelo, tão insignificante quanto sentido, para que, nos próximos tempos, sempre que presenciarem alguém dos vossos círculos a manifestar uma posição homofóbica, racista, xenófoba ou afim, o contrariem e discutam saudavelmente com ele, desmontando as falácias de raciocínio que levam a conclusões perigosíssimas. É, insisto, umas das formas possíveis – que, certamente, dará muito trabalho e exigirá paciência – de travarmos uma tragédia cujo sufixo “anunciada” depende de nós. Se, por outro lado, acharem que o que digo faz algum sentido, por favor sintam-se à vontade para o re-passar para outros grupos/amigos, ou escrevam-no pelas vossas palavras, tanto dá.
Podcast "Prestes A Ver"
este verão foi, com toda a certeza, aquele com mais sol, areia e água salgada dos meus últimos 5, talvez 10 anos. nada, porém, que tenha sido planeado ou particularmente desejado - aconteceu ser assim, e aconteceu muito bem. pelo meio desta regeneração não premeditada, um filme que, em 2011, não apanhei em sala veio-me, a certa altura, intensamente à cabeça, e, quando voltei à pedra não erodida da cidade, corri a vê-lo. “Deste Lado da Ressureição”, de Joaquim Sapinho, é um fi...lme de que não gosto muito, mas no qual encontro, ainda assim, boas e generosas ideias, a maioria delas, porém, e é pena, toscamente concretizada – desde logo, essa coisa (crónica em alguns cineastas ou filmografias, mas absolutamente ausente do maravilhoso “Corte de Cabelo”, também de Sapinho) de dizer pouco ou nada sobre os elementos narrativos nucleares (o desaparecimento do pai, o sofrimento daquele filho e a fuga, o seu violento corte com a mãe – embora daí também emerja um mistério que não deixa de ser cativante, sobretudo pela hipótese edipiana e incestuosa) e, ao invés, de explicar, prolixamente, desnecessariamente (quando não, até, pateticamente), as camadas transcendentais ou metafísicas dessa mesma narrativa, e que ao leitor devem ser deixadas para reflexão/como sugestão (aquela confrangedora cena na praia entre o rapaz e o instrutor de surf, em que o segundo diz, perdoem-me a eventual imprecisão, que “a praia é a nossa religião e o mar o nosso Deus”). é um desequilíbrio que, de facto, não se compreende, mas que, ainda assim – insisto –, não me retira completamente o prazer na leitura do filme.
é disso e de outras coisas que falo no podcast do Daniel Reifferscheid, “Prestes A Ver”, para ouvir aí em baixo (e com quem, há muitos anos atrás, quando ele foi meu editor num dos primeiros sites para o qual escrevi, discuti, breve mas intensamente, hip-hop e “mensagem”, música e erudição, por aí fora).
Podcast: Episódio Trinta E Seis - Deste Lado Da Ressureição (c/Francisco Noronha)
segunda-feira, 29 de outubro de 2018
domingo, 28 de outubro de 2018
tás a ver
entre outras razões pelas quais nunca esqueço o brasil da duas vezes em que lá estive (e apenas no rio de janeiro, pelo que a minha experiência é extraordinariamente pobre e redutora), uma é tão simples quanto isto: por ocasião da segunda ida, foi o único lugar, até hoje, em que fui “minoria” num grupo maioritariamente negro/mulato e homossexual. para um miúdo que nasceu e cresceu numa europa caucasiana e heterossexual, e numa cidade em que, até há pouco tempo, a presença de comunidades dos palop ou restante áfrica era tão reduzida (mil beijos, meus queridos lídia e celso), uma tal conjuntura não é - ou, felizmente, não era, passado – assim tão frequente de acontecer. essa semana no brasil foi também uma das mais felizes nos meus últimos anos. portanto, oupa, brasil, vamos lá virar esta porcaria. com a certeza de que, independentemente do que o dia de hoje ditar, teremos que arregaçar as mangas nos próximos tempos - no brasil, em portugal, na europa. não passarão – mas não passarão mesmo. haddad, democracia, brasil, outubro 2018.
"Tás a ver? A linha do horizonte
A levitar, a evitar que o céu se desmonte?
Foi seguindo essa linha que notei
Que o mar na verdade é uma ponte
Atravessei-a e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais como as vidas são iguais
Muito mais do que se pensa, mudam as caras
Mas todas podem ter as mesmas expressões
Mudam as línguas, mas todas têm
Suas palavras carinhosas e os seus calões
As orações e os deuses também variam
Mas o alívio que eles trazem vêm do mesmo lugar
Mudam os olhos e tudo o que eles olham
Mas quando olham
Todos olham com o mesmo olhar"
A levitar, a evitar que o céu se desmonte?
Foi seguindo essa linha que notei
Que o mar na verdade é uma ponte
Atravessei-a e fui a outros litorais
E no começo eu reparei nas diferenças
Mas com o tempo eu percebi
E cada vez percebo mais como as vidas são iguais
Muito mais do que se pensa, mudam as caras
Mas todas podem ter as mesmas expressões
Mudam as línguas, mas todas têm
Suas palavras carinhosas e os seus calões
As orações e os deuses também variam
Mas o alívio que eles trazem vêm do mesmo lugar
Mudam os olhos e tudo o que eles olham
Mas quando olham
Todos olham com o mesmo olhar"
(LP "Cavaleiro Andante", 2005)
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
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