quinta-feira, 15 de novembro de 2018

one for the boys


 


(LP Words And Music, 1988)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

"the sensation"






(Nymphomaniac, 2013, Lars von Trier)

cinema en abyme



(La Signora Senza Camelie, 1953, M. Antonioni)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

In this simple act we call love


 
 
(LP My Love And Music, 1976)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Não se compreende nada da doença enquanto se lhe não reconhece a estranha semelhança com a guerra e o amor: os seus compromissos, as suas simulações, as suas exigências, esta bizarra e única amálgama produzida pela mistura de um temperamento e de um mal. Estava melhor, mas para enganar o meu corpo, para lhe impor as minhas vontades ou ceder prudentemente às suas empregava tanta arte como outrora para alargar e ordenar o meu universo, para construir a minha pessoa e embelezar a minha vida".
 
(Memórias de Adriano, M. Yourcenar)

os fantasmas também (nos) olham




(Halloween, 2018, David Gordon Green)


 
 
(LP Django/Misty, 1984)

Palatorium



Aqui, para nosso alívio, não temos que escolher entre a democracia e o fascismo. Só entre afectos, gostos e obsessões, taras&manias marcopaulianas, sensibilidades e luzes, cores e vertigens. É o Palatorium deste mês, já um pouco desactualizado no que aos meus olhos diz respeito: falta ali uma pala no En Guerre e outras três no Halloween. Bons filmes!

domingo, 11 de novembro de 2018

não sei do que gosto mais
ou menos
o hospital escuro
as marcas do sangue nas 
negras imundas paredes
deixadas pelas garras
do vampiro que a mão esquerda
da minha mãe golpeia enquanto a direita
me passeia assustado
se o moderno
monumental
alvo brilhantíssimo
distópico hospital
em que somos
minúsculos, pois que até aqui
no lugar
das curas
insistimos em nos 
apequenar, matar 
paradoxais semideuses
que têm
mas não sabem
onde cair
quero dizer,
como cair
mortos
vivos

zombies

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

 



(Night of the Living Dead, 1968, George A. Romero)

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

John Wayne, yo / 07-09-2018




(LP GO:OD AM, 2015)
 

"I came for whoever is in charge
I suggest you go and get yourself a weapon and a guard
They need some coffee, everybody’s sleeping on me...
Going around door to door, setting off alarms
All that horse shit, you should have left it at the barn
 
Keep a stallion, tell her gallop to the store and get cigars, yeah
Too many whips, gotta get a new garage made
I might steal one just to drive it in a car chase
Me and my bizarre ways (Lord have mercy)
I moved up from a Private to a Sergeant
You can see it from the scar face
Hidden in a dark place, swimming in the shark tank"

terça-feira, 6 de novembro de 2018

sabes o que não é estranho
e devia ser:
apareceres-me a meio da noite
branquíssima
sem que to peça
não me roubes o sono de que
preciso mais logo para
ir ao cinema, único lugar
onde o pacto, justo, está já celebrado à partida:
apareçam as que aparecerem
imagens apenas
ladras de coisa nenhuma
pelo contrário, vítimas de
usurpação
com elas sim
é para o lado
que durmo melhor

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

You stepped into my life


 
 
(LP Melba, 1978)
chorou como um menino quando a avó ficou no hospital. "nem duas palavras lhe conseguia perceber ao telefone", diz com falsa altivez, como se ambos desconhecêssemos que a mão que não larga a minha treme da comoção. mais tarde, repararei na mão dele, do avô, uma imensa mancha violácea que peço para fotografar. dias depois, estarão finalmente juntos nesta casa e, então, como se tudo voltasse ao tempo em que o avô saía de manhã para trabalhar e regressava à hora do almoço preparado pela maria das dores (teve que ir embora, parece que uns fios sumiram, fico agora a saber), vemos, no sofá torrado de nascença e pelo sol dos anos (abre os estores, a avó quer luz), as cobras na televisão. a voz do locutor ainda é a mesma, quem sabe não se tratará de uma reposição, aí é que seria a volta completa. é desde esse tempo que lhes guardo pavor e fascínio extremos, os mesmos que me revolveram a cabeça de menino quando, sozinho em casa, vi um programa em que um rapazito como eu, australiano talvez, encontra uma enorme e esfíngica aba de dois minúsculos olhos à saída da sanita quando se prepara para o xixi-cama. anos, muitos, que passarei atemorizado pelo bicho que subirá secretamente pelos canos. é pela mesma altura que verei da janela do carro a pele seca de uma delas pendurada num poste no meio da neve a caminho da serra da estrela como aviso para não sei, afinal, exactamente o quê. ou julgo que vi. a avó, de olho guloso (como se também colocasse a língua de fora), fixa o ecrã e depois, subitamente, passa a mão por debaixo das minhas pernicas

olha
olha aqui uma
bichebichebiche
também está aqui uma

como faz com os gatos lá fora, junto ao tanque, cobras e gatos, galinhas, lesmas, para ela tudo seres pertencentes à mesmíssima ordem, como um prolongamento dos seus dedos, unhas, da sua pele, saliva. uma tarde haverá - algo que me estava perfeitamente predestinado, cosmicamente marcado - em que uma dessas cobras salta do televisor para a bouça. nem a verei com olhos de ver, corro para dentro, grito, o Jorge descerá negligentemente do seu clandestino sótão onde ainda hoje encontro tesouros (discos, mapas, porta-chaves…) no seu habitual espírito gozão e, de uma machadada só, zás, não mais a vi. deixa aí nas cobras que eu gosto, pede agora. e eu, fora do seu ângulo de visão, levanto-me e dou dois passos só para ver outra vez aqueles dois berlindes rutilantes. o olhar só se desviará no momento de se ir aliviar, dou-lhe o meu braço e andamos lenta, mesmo muito lentamente, até ao momento em que terá de optar por baixar as calças à minha frente ou fechar a porta, as duas ao mesmo tempo não consegue. eu fecho a porta, chame-me quando terminar, sim? cha me me quando ter mi nar, sim? e sento-me novamente, uma cadeira bem rectangular para me amparar das circunvalações.

domingo, 4 de novembro de 2018

hitchcock all over







(Vicky de Almeida em Duma Vez Por Todas, 1986, Joaquim Leitão)

sábado, 3 de novembro de 2018
























(Corte de Cabelo, 1995, Joaquim Sapinho)


Se não são os minutos iniciais de um filme mais bonitos do cinema português… são os minutos iniciais de um filme mais bonitos do cinema português (com direito a mise en abyme no último still…). E aqui nem se ouve o piano.