domingo, 2 de dezembro de 2018

dançar, dançar













Contra o neo-puritanismo (e outros ismos que, dele se afastando e arrogando-se até de o combaterem, não menos policiantes pretendem ser),

dançar, dançar (Ohio Players, 1972-1988)

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

I was number one for a while



 
 
(LP Fragile, 1984)

hard loving man






(LP Glad To Be Here, 1983)




Também conhecido por: "um gajo picuinhas".

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

io e te: eu e Bertolucci

 
 
estou ligado a Bertolucci por difusos, transviados caminhos. memórias e afectos de geometria muito variável. ainda adolescente, quando o dito "cinema alternativo” era, julgava eu, “o Tarantino”, o seu nome integrava, juntamente com outros melodiosos apelidos terminados em “-ini”, todo um horizonte que eu sabia existir mas a que, por uma razão ou por outra, ainda não tinha tido a vontade necessária em aceder. mas a consciência da sua existência – pelos VHS dos meus pais que via nas prateleiras, lado a lado com os de um homem qualquer que fazia cinema num longínquo e exótico país chamado "Irão" – era já, para mim, um importante balão de oxigénio. os meus pais “sabiam” (o meu pai ainda hoje se continua a referir ao “1900”, que eu continuo sem ter visto, como uma “obra-prima”; estou para ver isso), logo, eu também poderia vir a saber um dia. em qualquer caso, só viria a ver o famigerado “The Dreamers”, filme obrigatório para as gerações nascidas em 80 e 90 (a par, sei lá, do “Requiem for a Dream” do Aronofsky, outro que continuo sem ver, tudo coisas de que, naquela idade, um tipo ouvia falar como “maradas”), depois de toda a gente, depois, até, creio, de lhe ter visto o “Il Conformista”. e, estou quase certo, também já depois de ter visto os Godards dos 60s (imagine-se, por isso, a minha decepção, a sensação de frouxidão). foi pela mesma altura em que os tais “-inis” já eram sinónimo, para mim, de todo um mítico, belo, passado (do qual faz parte, aliás, o meu cineasta predilecto).
 
mas a Bertolucci ligo também a faculdade de direito, um professor em particular que, de par com o Visconti, invariavelmente o evocava nas aulas, quase sempre sem sentido algum que não o prazer de falarmos daquilo ou daqueles que amamos (claro que tantos não percebem isto e, então, acto contínuo, toca a chamar o professor de “snob” porque está a falar de uma coisa que um gajo não conhece; está bem, pá), no final de cada aula se despedindo, de juridicamente ilícito cigarro fumegante na mão, com um “Ci vediamo!”. também na faculdade, no cineclube de direito mais concretamente, o “Prima della rivoluzione” foi, por um motivo de que agora não me recordo, um dos pouquíssimos filmes que programámos que não pude ver (ou em que tive de sair a meio). Foi numa sessão especial, vejo agora, com bolo e tudo o mais (nomeadamente, ingenuidade e romantismo): https://cineclubefdup.blogspot.com/2012/12/sessao-dupla-amor-e-revolucao.html?fbclid=IwAR1dWMs4gk4QA69-Xh1o6Cg3hkBAOG4xcHdEiTLU-mmlFBFhoDDoeIPYEIA
 
mas a mais espectacular ligação que tenho com Bertolucci é, enfim, da ordem da fixação: tinha-me apaixonado pela Tea Falco (que nome, este, nossa senhora) no “Io e Te” (por falar em ingenuidade e romantismo) e, em 2014, num dos 365 dias mais felizes dos meus últimos anos, no chuvoso dia em que me despedia da I. para apanhar a camioneta para o aeroporto, ela, a Tea, estava ali a 3 metros de mim, cigarro na boca, botifarras e vermelhíssimos lábios. zombie, punk e vampira como no filme do Bertolucci (foi nas mesmas férias em que, ao passar na rua, vi da janela a Stacy Martin num restaurante, mas, neste caso, não me pareceu tão ninfomaníaca como no filme). 10, 15 segundos e oupa, já um pé (o esquerdo, só pode) a subir para a camioneta e olha, adeus Londres. Ci vediamo!
 
 
(Fevereiro de 2014, o eterno retorno...: http://obosforo.blogspot.com/2014/02/londres.html)
Não tenho por hábito publicar/partilhar este tipo de artigos, mas é a primeira vez que oiço alguém a falar desta forma sobre algo que me preocupa ("angustia" será a palavra mais apropriada) e para o qual tenho ideias semelhantes (e digo-o tendo já pensado/pesado as questões jurídicas que estão em cima da mesa, por defeito - dos grandes - profissional). É por aqui o caminho.
 
"Google e Facebook têm presença tão relevante que quase criam novas formas de se viver socialmente. São... responsáveis por isso e precisam se abrir à regulação. E não apenas do Judiciário, mas com estruturas próprias, para que não se tornem um ambiente descontrolado. E teremos de caminhar para uma solução em termos de direitos de conteúdo (...). Na medida em que esses ambientes se tornam mais relevantes para a vida social e dos negócios, eles não podem se eximir dos efeitos colaterais que causam nessas esferas. Uma das discussões que emergiram é a de desmembrar o Google em várias empresas, para que o poder não fique tão concentrado. Isso já ocorreu no passado, com a Standard Oil e com a AT&T. Seria algo saudável para a economia, as agências de propaganda e a sociedade".
 
 
Artigo completo:
 


(Hardcore, 1979, Paul Schrader)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

move and groove together



 
 
(LP Sweet Southern Soul, 1969)

O Sangue


 
 
 
(Mauvais Sang, 86, L. Carax / Três Irmãos, 94, T. Villaverde)

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

mutação


 
(Os Mutantes, 1998, Teresa Villaverde)


Como, provavelmente, muita gente da minha geração, foi um dos primeiros filmes do "cinema português" que vi - no computador, claro, infelizmente. Todos estes anos depois, a revisão (agora sim, em tela; louvável retrospectiva em Serralves) não decepciona - pelo contrário, o filme cresce, força que é essa que os rostos destes actores carregam, tanto mais impressionante sendo eles debutantes (e não-profissionais, em todo o caso) que, em tantos e longos planos, aguentam a câmara em close, só pele e olhos exprimindo o indizível. Chapeau, TV.

 

Ao cuidado de 2018 e dos anos que aí vêm:



 (Blue Collar, 1978, Paul Schrader)

 
"They pit the lifers against the new boy and the young against the old. The black against the white. Everything they do is to keep us in our place".
 

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

one for the boys


 


(LP Words And Music, 1988)

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

"the sensation"






(Nymphomaniac, 2013, Lars von Trier)

cinema en abyme



(La Signora Senza Camelie, 1953, M. Antonioni)

terça-feira, 13 de novembro de 2018

In this simple act we call love


 
 
(LP My Love And Music, 1976)

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

"Não se compreende nada da doença enquanto se lhe não reconhece a estranha semelhança com a guerra e o amor: os seus compromissos, as suas simulações, as suas exigências, esta bizarra e única amálgama produzida pela mistura de um temperamento e de um mal. Estava melhor, mas para enganar o meu corpo, para lhe impor as minhas vontades ou ceder prudentemente às suas empregava tanta arte como outrora para alargar e ordenar o meu universo, para construir a minha pessoa e embelezar a minha vida".
 
(Memórias de Adriano, M. Yourcenar)

os fantasmas também (nos) olham




(Halloween, 2018, David Gordon Green)