terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Jerry Paper - Like a Baby


 
No ípsilon da última sexta-feira, Jerry Paper, o copinho-de-leite com acento à Sinatra, a dar-nos música da boa. É rapaz, casado, adora o cor-de-rosa e usa frequentemente vestidos de mulher - esperemos que dê muitos concertos aqui e no Brasil.
 
"É, portanto, este “cromo” — que na capa podemos ver de flácido tronco coberto por uma camisola muito high school, caixa-de-óculos despenteado e um ovo junto ao peito (?) —, com o seu quê de “woodyallenesco”, o responsável por esse efeito paradoxal, ...de estranheza, que só nos começará a abandonar já a meio do disco, quando finalmente nos habituamos ao seu tom grave, clássico, démodé, até. Sim, um loser do liceu (Losing the game é título de uma das canções, no “game” se podendo ler “vida”) que podia ter saído do Animal House de John Landis (ou, geracionalmente mais recente, de um American Pie) com um acento à Sinatra e Dean Martin (é também interessante, por isso, imaginá-lo futuramente num registo jazz) (...)".
 

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

that bad in you





(LP Ménage à Trois: Sextape Vol. 1, 2, 3, 2018)




"What makes us good is that

I always saw that bad in you"

what a time to be alive



(Silvalde, 1-01-2019)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

2019: c'est ça (2)




(La Confession, 2016, Nicolas Boukhrief)

2019: c'est ça




(LP Now, 1984)

Week-end: dos bons, só com groove



No ípsilon da passada sexta-feira, escrevo sobre o que 2019 nos poderá trazer a partir de um visionamento de Le livre d'image e, sobretudo, de Week-end, ambos de Godard.

Mas como tenho esperanças para 2019, que seja um week-end dos bons, com o groove dos australianos Poloshirt (Winston Surfshirt + Polographia) a ecoar no quarto.

Links on-line:

Hoje é sexta-feira, amanhã, Week-end? - https://www.publico.pt/2018/12/28/culturaipsilon/cronica/hoje-sextafeira-amanha-weekend-1855616

Da Austrália com Groove - https://www.publico.pt/2018/12/31/culturaipsilon/noticia/australia-groove-1855436

"Le plus terrible dans ce monde c'est que chacun à ses raisons"









(La Confession, 2016, Nicolas Boukhrief)

sábado, 29 de dezembro de 2018

cet évident objet du désir







(Ma part du gâteau, 2011, C. Klapisch)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

rhythm of the falling rain


 




(LP Jan & Dean Take Linda Surfin', 1963)

olhar pela segunda vez, sempre




(The Man Who Shot Liberty Valance, 62, J. Ford / Banshun, 49, Y. Ozu)

 
"Mesmo quando se escolhe a vida, tem de se passar pelo cadáver do amor. Vera Miles é quem o sabe até ao fundo. No mesmo plano em que lembra ao marido as razões que tem para se sentir orgulhosa, revela-lhe que a flor do cacto fora ela quem a trouxera. Entre o jardim e o deserto, fica suspensa na curva final do comboio, movimento semelhante ao do início do filme, apenas em sentido inverso. O primeiro plano 'arrancava para a frente': o último 'puxa-nos para trás'.
(…)
Essa figura única na obra de Ford (um flashback dentro dum flashback, uma mesma sequência na multiplicidade dos pontos de vista) é muito mais do que a chave do filme, ou a revelação de quem matou Liberty Valance. É o apelo, pela primeira vez tornado explícito, a que olhemos sempre pela segunda vez, já que há sempre um fundo sob um fundo e outro ainda sob esse".
 
João Bénard da Costa

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

um Natal feliz para tod@s










(The Man Who Shot Liberty Valance, 1962, J. Ford)

domingo, 23 de dezembro de 2018

2018 - FILMES



Os 10 filmes do meu contentamento (estreias comerciais em PT apenas):

1. L’amant d’un jour (Philippe Garrel)
2. Ramiro (Manuel Mozos)
3. Cold War – Guerra Fria (Pawel Pawlikowski)
4. Phantom Thread (Paul Thomas Anderson)
5. Roma (Alfonso Cuarón)
6. Le livre d’image (Jean-Luc Godard)
7. Call Me by Your Name (Luca Guadagnino)
8. Frantz (François Ozon)
9. First Reformed (Paul Schrader)
10. Hereditary (Ari Aster)


Outros filmes (estreias comerciais apenas) que levo comigo de 2018: Lean on Pete, Jusqu’à la garde, Lady Bird, Der Hauptmann, Visages villages,Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, As Boas Maneiras, Milla, Ana, Mon Amour, Happy End, Thelma.

Tenho sentido a felicidade de, todos os anos, encontrar um filme, pelo menos, com o qual crio uma relação especial, distinta da que mantenho com todos os outros. Isso não faz dele, evidentemente, “melhor” do que os restantes; esta não é a lista dos “melhores do ano” (isso pode ser encontrado nas indiewires desta vida), mas sim, mais modestamente, a lista d' os filmes do meu contentamento. Seriações como esta são apenas isso mesmo: diários de afectos que folhearemos daqui a uns anos e que então nos remeterão para aqueles que ama(á)mos, para noites mal dormidas ou refasteladas tardes de praia, pontadas no peito cuja electricidade desce pelo tronco e faz com que a perna esquerda adopte um passo estranhamento sincopado, diferente do habitual. Em 2018, talvez pela primeira vez, nenhum filme me abraçou dessa forma. Culpa dos filmes, culpa minha? A culpa é sempre dos dois. Reterei, porém, Cleo caminhando em frente; Cleo de pé, sempre. Nunca tentando nadar, apenas caminhando, nenhuma onda capaz de a abalar – no máximo, um cabelo colado às pálpebras que uma mão rapidamente sacode. Cleo.

muito lá de casa





(La signora senza camelie, 1953, M. Antonioni)



(Light Sleeper, 1992, P. Schrader / Der amerikanische Freund, 1977, W. Wenders)

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

fazendo balanços, fechando contas disto e daquilo e eis que a agenda se abre, de repente, na penúltima página

sob pressão, à espera
do primeiro caracol
que não chega
a não ser que

enorme silêncio creme a seguir, um esquecido poema bruscamente interrompido pelo caracol que veio de onde eu menos esperava. tinha-me sentado estrategicamente no banco que me permitiria avistar a entrada, controlar os acontecimentos, mas até nisso fui apanhado na curva. quiçá a mesma que não previ e de onde apareceu, calças de ganga, um livro de poemas na mão, olhos de um planeta próximo. pedirei, tempos depois, numa dessas noites em que os nossos dedos se abraçam, como miniaturas de soldadinhos, por telemáticas insónias, que largue o livro e me deixe ver a mão, as mãos. vejo paredes, janelas, uma paisagem, o rapaz triste dos cabelos longos. este ano deu-me tanta coisa boa, com a excepção das tuas mãos: nunca as vi

2018 - DISCOS



Aos populistas e proto-fascistas que, no dia de hoje, tentam instrumentalizar uma insatisfação que, mais do que legítima, faz parte da normalidade saudável da vida em democracia e para a qual não há milagres imediatos (os impostos que são "altos", a existência de políticos "corruptos" - a sério?), damos música no Ípsilon, e da boa - pela minha parte, fico particularmente feliz por ver na lista dos 10+ os discos de Swamp Dogg (3.º) e de Mac Miller (6.º).
 
A minha lista individual abaixo: não são os "melhores discos do ano" (isso interessa-me tanto como os livros recomendados pelo zuckerberg), mas sim os discos do meu ano, balões histriónicos no diário, calendário dos meus afectos e memórias. Deixo também outros discos que, por uma razão ou por outra, me tocaram e projectam o que de mais entusiasmante poderemos ouvir no(s) próximo(s) ano(s). Nos comentários, link para os textos nos quais escrevi sobre alguns deles.
 
1. SWIMMING (Mac Miller)
2. Love, Death & Auto-Tune (Swamp Dogg)
3. Kids See Ghosts (Kanye West & Kid Cudi)
4. Lady, Lady (Masego)
5. Poloshirt EP (Poloshirt)
6. Caution (Mariah Carey)
7. Wanna Be Your Man (Prophet)
8. Ye (Kanye West)
9. Piano & a Microphone 1983 (Prince) + Lala Belu (Hailu Mergia)
10. Weather or Not (Evidence) + A Breukelen Story (Masta Ace & Marco Polo) + Fever (Black Milk)
 
Outros (sem ordem):
Oxnard (Anderson .Paak), Language (Starchild & The New Romantic), Deepak Looper (Papillon), KOD (J. Cole), Dear Annie (Rejjie Snow), PRhyme 2 (PRhyme), Conexão (Amber Mark), Mona Lisa (Apollo Brown & Joell Ortiz), Orpheus vs The Sirens (Hermit & The Recluse), Like A Baby (Jerry Paper), Jassbusters (Connan Mockasin), Silk Canvas (VanJess), Fill in the blank (Kev Brown), Bad Constant (Matt Maltese), Whack World (Tierra Whack), Girl Code (City Girls), Shugga Sextape Vol. 1 (Ian Isiah), Marée Basse (Vendredi Sur Mer), Time (Louis Cole), And Yet It’s All Love (Fatima), Harlan & Alondra (Buddy), Care For Me (Saba), No Rain, No Flowers (Sabrina Claudio), Travel Light (Children of Zeus), KTSE (Teyana Taylor), Ben Khan (Ben Khan), Black Ego (Lando Chill), Crush (Ravyn Lenae)

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

ritmos e blues no ípsilon



 
No Ípsilon da última sexta-feira, há ritmos e blues em abundância: há Mariah Carey, mas também 3 grandes discos de Marco Polo & Masta Ace ("A Breukelen Story"), PRhyme (Premier & Royce Da 5'9'' - "PRhyme 2") e Apollo Brown & Joell Ortiz ("Mona Lisa"). Word up.
 
 
 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

We will never have Paris again




(Ultimo tango a Parigi, 1972, B. Bertolucci / Love, 2015, G. Noé)
 
 
 
[Ontem, ao rever o do Bertolucci, apercebi-me de como o do Noé nele se baseia/inspira livremente. Há muitos, mesmo muitos pontos comunicantes (inclusive uma cena filmada, também em modo "strolling", nesta ponte: não consegui encontrar o still exacto do Love, este foi o mais próximo que encontrei). Aliás, o Love torna-se mesmo outro filme quando lido a partir do do Bertolucci.]