quarta-feira, 26 de junho de 2019

terça-feira, 25 de junho de 2019

you can have it




 
(LP Something Special, 1981)



"Has there ever come a time when you fell real nice
And you want to let someone know that you really appreciate them?
All you have to do is moan a little bit for me,
It goes something like this
Ooooh, ooooho, oooooh, oooooho"

sábado, 15 de junho de 2019

repasto a 4 mãos



No ípsilon de hoje, "Classe Crua", o há muito aguardado álbum que junta Sam The Kid e Beware Jack

"Num trabalho que é perpassado de uma ponta à outra pela ideia de mar e ondas, praia e correntes, apetece dizer que, como a onda que vem subindo e ganhando força à medida que se aproxima da costa (tal qual a ordem do alinhamento), o disco só verdadeiramente rebenta (a catarse, então) quando, enfim, BW põe de parte o registo ego trip e se permite a divagações de cariz mais introspectivo. Até os menos atentos se lembrarão do hoje autêntico hino do rap português “Não Percebes” (2001): “Do hip-hop cru e duro tu não és um puro ouvinte”; “Para toda a classe alta eu represento a chungaria / Para toda a classe baixa eu represento a simpatia”… Pois bem: em 2019, continuamos, felizmente, a ter hip-hop cru e duro, mas há muito que ele deixou de ser classista – o que empresta a "Classe Crua" a virtude adicional de se constituir num objecto de certo modo “pedagógico” quando a matriz cultural do hip-hop está, porventura mais do que nunca, descaracterizada e os mais novos crescem no equívoco de que ele se identifica exclusivamente com as patéticas estrelas do trap e do mumble rap".

Link: https://www.publico.pt/2019/06/12/culturaipsilon/critica/intermitente-repasto-4-mao-1875972

quinta-feira, 13 de junho de 2019

now that I found you



 

 
(LP From The Foundations, 1967)


terça-feira, 11 de junho de 2019

bom filho à casa torna, não é o que se diz? as dores de barriga que nunca ninguém soube explicar, que nos obrigavam a aumentar o volume do rádio ao impensável e, no limite do desespero, a parar o carro e sair para a rua por uns minutos, essas dores parecem ter-te subido pelo corpo, acompanhado o crescimento dos membros, instalaram-se na cabeça... moem o juízo, não é o que se diz. entranhas eram e entranhas continuam a ser. ó se moem. o pai que andava contigo para todo o lado está de novo com o seu bebé, embalando, atenuando-lhe as dores, a única diferença em quem agora conduz o carro. ciclos, não é o que se diz... também este terá o seu fim, voltarás, sem dares por isso, a colocar pedras no pão da professora, meu querido








(Dirty Harry, 1971, Don Siegel)

sexta-feira, 7 de junho de 2019

heart to heart




(LP Here Comes The Cowboy, 2019)


07-09-2018.

"Mac DeMarco recently stated in an interview with Entertainment Weekly that this track is a tribute to Mac Miller, who was a close friend of his. 'We had this strange history, and then we became really close, and I was going over to his place multiple times a week, up until the point that he passed away'".

 
"To all the days we were together...

To all the time we were apart
Of each other's lives, heart to heart
And so I had a late arrival
So we never saw the start
Of each other's lives, heart to heart"



you'll be waving, not drowning, my beloved


 
Not Waving, but Drowning - inscrição que, retirada de um doloroso poema da escritora inglesa Stevie Smith, não deixa de rimar com o título e o universo lírico do derradeiro álbum do malogrado Mac Miller, de quem Carner é geracionalmente muito próximo - esta sexta-feira no ípsilon e dia 11 de Julho no Alive.
 
 
“Dear Jean”, cantada por Carner e dedicada à mãe, tem, em “Dear Ben”, “palavreada” por esta última, o seu reverso: na primeira, o filho anuncia à mãe, em jeito epistolar, que irá sair de casa (literal e simbolicamente) para viver com a amada (“She's not behind me or behind you / But beside we and beside two (…) / So one night I'll be saying ‘I do’ / To a girl that can read my mind too”); na segunda, a mãe responde ao remetente: “I've watched you grow, from first kick, to first kiss / Watched you hold your own from boy to man (…) / As you stand firm, bare and bold, not afraid to walk alone [discreta referência ao hino do Liverpool de que Carner é um entusiasta adepto] / For I've gained a daughter / I've not lost a son”. Entre uma e outra (a principiar e a fechar o disco, tal como Yesterday’s Gone encerrava já com a mãe de Carner em modo versejador), a passagem do tempo, a vida que se vai fazendo, num diarístico e tocante registo que tanto traz à memória as confissões de Adrian Mole como o miúdo do Boyhood de Richard Linklater".

Link: https://www.publico.pt/2019/06/07/culturaipsilon/critica/velho-jovem-loyle-1874973

quinta-feira, 6 de junho de 2019

o bem

"Ayo, Mamma
Obrigado à vida que me deste
Ayo, Pappa
Eu sei bem o quanto tu sofreste

 
Lembro-me da minha cota
Sempre ter 'tado lá para mim
Vocês sabem que… Se me conhecem...
Ya, mas… A dica é tipo
Este sonho não é só meu
Sei que a minha mãe reza todos os dias por mim
E eu oiço e prezo
God is telling to me everyday
And he tells me that

O meu pai reza por mim, a minha mãe reza por mim
A minha irmã reza por mim, a minha avó reza por mim

And that's it boy…
Listen to the higher power!
 
Ouve quem pede o bem por ti
Pede o bem pelos outros
That's the motherfucking lesson, man…


(Antes de eu morrer, eu vou pôr-te a viver!)"


("À Vontade", ProfJam)


Porto, 6 de Junho de 2019.

terça-feira, 4 de junho de 2019



(The Favourite, 2018, Y. Lanthimos)

segunda-feira, 3 de junho de 2019









(Opening Night, 1977, J. Cassavetes)

sexta-feira, 31 de maio de 2019

desiderata




(Det sjunde inseglet / O Sétimo Selo, 1957, I. Bergman)

segunda-feira, 27 de maio de 2019






(Grand Central, Rebecca Zlotowski, 2013)

“Vou para Lisboa!”



(The State of Things Redux, 2019, W. Wenders / Ligares, Abril 2019)



7-05-2019




(LP Macadelic, 2012)


7-09-2018 - ou dar aos braços, que a maré vai levantar e descer e levantar

"You take away the pain and I thank you for that
If I ever get the chance, bet I'm paying you back
I'mma be waiting for that
I'mma be waiting for that"

while I'm down here on this Earth





(LP Any Way You Like It, 1976)

shea butter baby




no ípsilon da passada sexta-feira, a propósito de Shea Butter Baby, belo LP de estreia de Ari Lennox, deixo a sugestão (desejo) para que os senhores promotores a tragam cá a breve trecho – e se escrevo “olhando para a programação de concertos dos próximos meses” (e não “para a programação de festivais de Verão”), é porque gostava de assistir a um concerto seu como foi o de Toro y Moi na semana passada no Porto:

um concerto em que as pessoas estão realmente lá para ver um músico em concreto, sem estarem à espera do que vem “a seguir” (a ânsia, sempre), sem consultarem o papelinho ou a “app” para ver o que está a acontecer em simultâneo nos setenta e quatro palcos em redor, sem mastigarem o prego gourmet enquanto conversam sobre as chatices do escritório porque nem estão ali para ver “este gajo, mas o que toca às 23h15 no palco trinaranjus”, etc., etc. um concerto em que rarearam (efectivamente!) os telemóveis no ar e em que houve tempo para o que um espectáculo ao vivo deve ser: intenso, concentrado, divertido, envolvente. casais abracadinhos, gente sozinha a dançar, grupos em histeria (entoando a "Freelance", "pa pa pa pa ra, pa pa pa pa ra ra", como se de um hino de estádio de futebol se tratasse), tipos silenciosos a observar tudo com muita atenção, enfim, um concerto “normal” com pessoas “normais” (impossível descortinar uma ou várias “ondas”, parecia só gente que por um dia se tinha esquecido de levar os adereços de sinalização grupal). e que bom que foi... de concertos “incríveis” já está, como é sabido, o inferno cheio. depois de uma primeira parte esquecível (erika de casier), chaz, sem prolongar demasiado o suspense, entrou a horas decentes (22h quase e 30) para um concerto sólido, charmoso, seguro (os únicos momentos menos bons quando a bateria se lembrava de acelerar sem motivo aparente, escangalhando a orquestração). talvez demasiado eficiente, é certo, mas, novamente, um espectáculo justo, “normal”, sem artificialismos de ocasião (“best audience in the world”, veejaying estéril, etc.), muito bem tocado sob a batuta de chaz no korg. ficou, claro, a impressão de que foi curto, de que se poderia ficar lá horas e horas, que chaz tem repertório para toda uma noite e seus diferentes moods, do disco funk vivaço ao psicadelismo mais negro, “technado” mesmo, para tocar das 5h da manhã em diante. tocou a “Freelance” duas vezes seguidas só porque sim (“- you wanna do it twice?” – “yeaaaaahhh”; - “okay, fuck it, let’s do it”) e despediu-se com a “Rose Quartz” sem concessões (“we don’t make that encore thang anymore”) e sem pingo de sobranceria. belo concerto, sem bullshit, só música e emoções.