quinta-feira, 7 de novembro de 2019



(Tenebrae, 1982, D. Argento)

Quem nasce sem nome, cresce sem... medo




(Divino Amor, 2019, G. Mascaro)

blow-up



(Deep Red, 1975, D. Argento)

 
E 11 anos depois de Antonioni, David Hemmings voltava a fazer... "blow-up"
(e quanto ao "Put your fucking mouth on the curb" do "American History X", a patente, sabe-se agora, estava já registada em nome de Argento)

terça-feira, 5 de novembro de 2019

the balance




Uma das maiores figuras vivas do jazz mundial, cuja vida dava (e deu!) não um mas vários filmes, Abdullah Ibrahim volta em 2019 aos discos de originais. África, Nova Iorque, a música, o Islão – para todos eles o sul-africano há muito encontrou o seu Budo. Para os meus hip-hop heads, trata-se do pai da... Jean Grae
 
entrevista no Ípsilon da última sexta-feira
 

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

diving into the deep end





 
(LP Made In Nigeria, Kio Amachree)
 
 
(A Rainy Day in New York, 2019, W. Allen)
 
 
eppure si muove… a opção pelos tons agora castanhos, laranja-mortiços, um Outono crepuscular, folhas dourado-triste caindo no eterno ciclo dos afectos. um renovado interesse pelo plano-sequência, não obviamente em modo exibicionista, mas como forma de concentrar, intensificar, a emoção de cada vinheta (o plano nunca “sequencia” duas vinhetas, duas cenas, abstém-se de furar espaços físicos distintos, tudo aqui está distante desse tipo de exercícios). há menos cartoon, talvez, ...em virtude dessa continuidade da câmara, sim, mas também pelos enquadramentos, cada vez mais fechados, recortados, nos rostos das personagens. e pela sua duração: menos contra-campo, mais fixação, esteja a personagem a assumir o diálogo ou a escutar. e, depois, um talento excepcional, já conhecido mas excepcional, a dirigir actores: chalamet bem (diz-se que é o enésimo alter-ego de Allen; não é, ou, pelo menos, não é o clássico, como está implícito nessa observação), selena gomez muito bem, elle fanning soberba (gosto dela desde que andava a fazer home videos com os amigos no "Super 8" do J. J. Abrams). filme feliz para quem tiver fé, tristonho para quem quiser acreditar. que me lembrou, ou que me lembra no momento em que escrevo, o The Catcher in the Rye. até para o ano

domingo, 3 de novembro de 2019

folha de sala Casa Manoel de Oliveira - "House By The River"





Um dos títulos menos vistos - e mais impressionantes - de Fritz Lang passa hoje na Casa Manoel de Oliveira, às 17h. É um filme imperdível. A folha de sala da sessão corresponde a este texto (versão editada) que escrevi para a Pala de Walsh em 2014. Para quem achou o "Joker" "perturbador", cuidado com as dores de barriga à saída de Serralves


Link:


(Cheyenne Autumn, 1964, J. Ford)


(Cheyenne Autumn, 1964, J. Ford)


(Cheyenne Autumn, 1964, J. Ford)

quinta-feira, 31 de outubro de 2019



“If the symbol actually exists as an object in the real world, can the director be accused of over-obviousness? Is there not always a built-in nonspecificity to all symbols that will lead the interpreter to ‘find’ more than what the artist has ‘put’ there? (…) For example, Biarese and Tassone choose to interpret the immense, visually striking pillar that comes between Pieto and Vittorio at the stock exchange in symbolic terms that are also dismayingly literal: ‘(…) Between Piero and Vittoria there will always be an obstacle, the stock market’. It is true that the director chose to include this particular object within his film frame, and thus in some sense is responsible for it. But he cannot be held responsible – and then, in some cases, castigated – for the specific, often simplistic meanings that others claim to find there.
Another more general and farther-reaching question, one that goes beyond symbol-making, is also raised by these examples. It concerns the very nature and expression of visual meaning in film and, by extension, in any visual medium. Verbal meaning has always been privileged over visual meaning because the former has traditionally been considered more specific, and more specifiable, than the latter. It is always difficult to say ‘exactly’ what any visual image means, and this accounts, in part at least, for much of the ‘free play’ in the criticism if Antonioni’s films, which rely so much upon visual suggestion. As much recent theory has demonstrated however, the specificity of verbal language may be more apparent than real. After all, a dictionary never provides unambigious, base meanings for words, but only more words to look up. The question that is especially relevant to Antonioni’s films is this: ‘Is’ there meaning if it cannot be verbalized? How does visual meaning happen, and how can it be described? Consider the heavily marked traffic ‘zebra’ lines that Vittoria crosses late in the film. (…) If we exclude the overtly symbolic reading, then what do they ‘mean’? Antonioni gives explicit evidence in his screenplays that he thinks in this nonspecific, nonsymbolicmanner.
(…) How for example, would we go abut establishing a meaning for the hands that so often appear as graphic, expressive elements in Antonioni’s films? (In ‘L’eclisse’, the motif is more ambivalent: at one point, the lovers expressively match hands on opposite sides of a glass, but the quasi-erotic charge of the image is dissipated when the same motif is refigured in the hand of the drowned drunk that is sticking out of Piero’s sports car as it is hoisted to the surface of the lake). (…) is this merely an aesthetic, visual, or emotional link without any specific thematic or narrative meaning beyond that? (…) is thematic meaning intended, or is the meaning, vague and unspecific as it is, resident in the graphic nature of the composition itself, and thus inexpressible in words?
(…) What then begins is the magnificent series of shots (…) motivated presumably by the lover’s unkept promise to meet each other in the ‘usual place’ that evening. These shots bring the film to a brilliant emotional and aesthetic close that is accomplished almost solely by formal and abstract means. (…) What might be called the ‘human track’ is completely evacuated in the final minutes (…). (…) once again, the precise meaning, of necessity, remains vague. Some critics find the end of the film ‘arid’, but Tinazzi is closer to the truth when he suggest that the finale can be read as a display of the intense mistery of reality.
(…) Things refuse to represent or to point to an elsewhere, to a something, or a meaning, beyond themselves. This now apparently humanless terrain also attests the power of the sheer facticity of objects in the world – (…) a truth that reminds one of the phenomenological insistense that Being is always being ‘in the world’.
Antonioni has himself said: ‘I love objects, I love them like I love women; I believe that we have feelings towards objects; it’s yet one more way of grabbing onto life’.
(…) Pascal Bonitzer’s suggestive description (…) seems particulary appropriate in the context of L’eclisse: ‘Since cinema, like the uncounscious, does not know negation, emptiness in Antonioni exists positively; it is haunted by presence. There is no more beautiful moment in an Antonioni film (and each seems structured to reach this end) than that in which this characters, his human beings, are cancelled, only so as to leave behind, it seems, a space without attributes, a pure space… Empty space is not a void: full of mists, of fleeting faces, of evanescent presences or of random movements, this space represents that final point of being finally freed from the negativity of intentions, of passions, of human existence”.

Peter Brunette, “L’eclisse (1962)”, in The Films of Michelangelo Antonioni (1998, Cambridge University Press)

quarta-feira, 30 de outubro de 2019



 
 
(LP Ivory, 1981)

notes to self

Joker (T. Phillips) ***
Les Plus Belles Années d'une vie (C. Lelouch) **
A Rainy Day in New York (W. Allen) ***
Il Traditore (M. Bellocchio) **
 
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La Signora di Tutti (M. Ophüls) ****
Nashville (R. Altman) ***
Cheyenne Autumn (J. Ford) ****
L'Eclisse (M. Antonioni) ****

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

"Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes" em exibição na Escola das Artes da UCP



O filme que co-realizei com Catarina David, Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes, está de volta à sala de cinema: é exibido no dia 30 Outubro (esta quarta-feira), às 18h, na Escola das Artes da Universidade Católica do Porto, integrado no ciclo "Porto, Periferia", no âmbito da exposição “Guido Guidi · Caçador de Sombras: Viagem aos limites do Porto”.
 
Exibição seguida de debate com os realizadores. Entrada gratuita. Até lá
 

salaam aleikum



Uma das mais estimulantes figuras do jazz actual, cujo herança familiar árabe a tem levado a criar peças de grande exuberância, tem dúvidas quanto à existência do hoje tão propalado “novo jazz inglês”. Depois do estrondoso "La Saboteuse", Yazz Ahmed está de volta com "Polyhymnia". Salaam Aleikum!

Entrevista com Yazz Ahmed no ípsilon da última sexta-feira

eclipse



bom, então resumindo, grosseiramente, as coisas, é assim: a minha cinefilia começou com o Antonioni. com o La Notte, mais concretamente, ao qual se seguiu o L’Avventura e o L’Eclisse. depois, bom, depois seguiram-se os outros todos; não os vi de rajada (os cromos que me faltavam só vi mesmo nos últimos 3-4 anos) e só o Zabriskie Point, creio, tive oportunidade (ou vontade) de rever. nunca voltei, deliberadamente, à trilogia, também por medo de decepção. foi no Cineclube do Porto que voltei a ver aquele que foi um dos primeiros “planos de mãos” da minha vida.
 
no sábado passado, às 18h, foi assim: silêncio que se vai observar o eclipse

terça-feira, 22 de outubro de 2019

curioso como, perante pessoas muitíssimo velhas, um dos factores pelo qual medimos a sua lucidez é o seu sentido de… humor. se o têm, se o conservam, se o aplicam em conversa, quase imediatamente atestamos  que estão, enfim, bem. de saúde, claro.
 
(pensamento há muito ruminante e agora finalmente "concluído" aquando da conversa com Jean-Louis Trintignant na Cinemateca Portuguesa no dia 8-10-2019. "La Vie est belle. Je me tue à vous le dire. Dit la fleur. Et elle meurt", J. Prévert)

luz, lama






 
 
(La signora di tutti, 1934, M. Ophüls)

 
O convite de Roberto a Gaby para a soirée em sua casa - que chega, literalmente, "caído do céu", depois de uma briga na qual defende o bom nome de Gaby sem sequer a conhecer, com isso lucrando uma cicatriz na testa - está, desde o primeiro momento, envenenado… Flores, luz, sim, mas também lama: rugosidade, viscosidade.

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

360º






 
 
(La signora di tutti, 1934, M. Ophüls)
 
 
A música já não se ouve mas o par continua a dançar, saindo do salão e entrando para uma sala lateral mais reservada. Gaby larga-lhe a mão, rodopia sozinha, Roberto fica a ve-la. Gaby (sim, “Gaby”, pois que nesta noite em que se subtraiu à opressão do pai, é tudo menos a sua “Gabriella”) senta-se no sofá perfeitamente zonza, bêbeda de felicidade. Há um preço a pagar: a liberdade, o desejo, le plaisir, também dão ressaca. Tonturas. Alucinogénios... Dazed & Confused... “Vês? I...sto é o que acontece quando me deixas sozinho”, diz ele com 23 sentidos diferentes na ponta da língua. Ainda ela está a acabar de dizer que sente a cabeça à roda e já Ophüls começou a desenhar um movimento de 360º com a câmara (mas quem é que faz isto por estes dias? ‘Avant-garde’? ‘Experimental’? Está[va] tudo aqui...). No início do movimento, Gaby está tonta; no fim, quase restabelecida, sabendo nós que este “restabelecimento” marcará uma viragem na sua vida. Ao contrário das regras da geometria, algo mudou, então… Quando voltamos até eles, a pergunta: “O que me fizeste há pouco?”, ainda mal refeita do sonho de que acaba de acordar. “Nada”, afirma Roberto, atrapalhado, sem saber que, muitos anos depois, outros homens trocarão a graça e o cavalheirismo por pózinhos mágicos secretamente colocados em copos de bebidas em salões onde a música jamais se cala. Minas & armadilhas, cada era com as suas… Convida-a a irem até ao jardim e Gaby, assentindo, dirige-se na direcção (errada) da câmara: os efeitos da tontura perduram, as próprias coordenadas geográficas soçobram.
 
Já seria estratosfericamente belo se fosse apenas isto, esta candura do domínio do literal. Mas não: antes metafórica forma de explicitar – equiparar – a câmara como ponto de vista absolutamente subjetivo de uma personagem (recorde-se que todo o flashback ocorre a partir do momento em que, no início do filme, Gaby dá entrada no hospital em situação de vida ou de morte – “vida ou morte”, claro, romantismo supremo, o extremo oposto, por definição, de qualquer geometria…). Daí as muitas outras tonturas que a câmara testemunhará (ou seja, que a memória de Gaby recuperará, mais ou menos distorcidamente) ao longo do filme: vapores, fumos, os "fondu enchaîné", as subtis duplicações das formas…

sexta-feira, 18 de outubro de 2019



(Nashville, 1975, Robert Altman)