quinta-feira, 14 de maio de 2026

sobre o ciclo Marilyn Monroe


A minha cinefilia fez-se nos cineclubes universitários, sobretudo no da FDUP, de que fui director e programador. Por isso, programar (como, na verdade, fazer crítica ou realizar), para mim, sempre foi aproximar de, ir ao encontro de, suscitar interesse e curiosidade no outro, aprender com ele, também. Sempre tive aversão ao snobismo na programação, sobretudo quando velado (o mais frequente).

Isto para dizer que fiquei muito feliz quando, no final do intenso ciclo Marilyn Monroe (6 filmes, 6 apresentações, seis debates, 12 convidados, dossier escrito com texto introdutório e 6 folhas de sala) que programei na semana passada na Casa Comum da UP, um dos elementos do público, que esteve presente em absolutamente todas (!) as sessões - um senhor de meia-idade que vim a a saber ser psicólogo na área penal (família, violência doméstica, tudo coisas, de resto, familiares a Monroe) -, partilhou com os presentes como tinha gostado do ciclo pelas tertúlias que ali se fizeram, de como isso era algo que, no seu entender, hoje rareia. Também para mim, isso é o melhor de tudo. E a prova de que se "dá" tanto quanto se "recebe" (muitas vezes de gente teoricamente menos "equipada" para pensar o cinema) foi visível em dois momentos muito concretos.
Num caso, um jovem, de mãos dadas com o seu companheiro, destacou, a propósito de "Niagara", como, no final do filme, a personagem de Joseph Cotton mata a "puta" (Monroe) e salva a "santa" (Jean Peters), ou seja, um esforço moralizante, muito Código Hays, de enterrar uma América (feminina, independente, emancipada, transgressora) e manter a vigente (algo que, depois de ouvido, parece muito óbvio, mas que, até aquele momento, ninguém na sala referira).
Noutro caso, o próprio senhor acima referido que, no debate acerca de "Bus Stop", ofereceu uma chave de leitura rompedora para o filme, ao lembrar como a transformação moral do protagonista masculino (Bo) se dá não por qualquer via racional ou consciente, mas, simplesmente, através da violência (agressão física) que ele próprio sofre às mãos de outro homem. Ou seja, a violência de Bo só é sublimada através de uma segunda ordem de violência (e já conhecemos os resultados de tudo o que é sujeito à "cura" pela violência: não duram e a violência ressurgirá no futuro a dobrar).
O meu sincero agradecimento à Casa Comum, aos convidados e a todos os que vieram ver, conversar, pensar, rir também! Marilyn foi mesmo "one of a kind", figura semi-humana, semi-divina, tocada pela transcendência. Em Julho, voltamos, now for something completely different, com... MEL BROOKS.

Até já!

notes to self

Blue Moon ***
Balane 3 ***
O Estrangeiro ***
Riefenstahl ***
Mektoub, Meu Amor: Canto Segundo ***
Os Domingos **
Romaria ***
Projecto Global ****
Nino **
Entroncamento **
Divina Comédia ***
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Ladies of the Chorus ***
Don't Bother To Knock ****
Niagara ****
River of No Return ***
Bus Stop ****
The Prince and The Showgirl **
Let's Make Love ***
The Misfits *****
Blonde *
My Week With Marilyn **
The Legend of Marilyn Monroe **
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[séries]
Breaking Bad ****

quinta-feira, 7 de maio de 2026

I'm In Love Again


(LP PH Factor, Phil Hurtt, 1979)

 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Ciclo Marilyn Monroe a partir de amanhã na Casa Comum



Começamos já amanhã a celebrar e a pensar os 100 ANOS DE MARILYN MONROE com filmes e debates. A acompanhar o programa, será disponibilizado um dossier escrito com texto do ciclo + folhas de sala. Entrada livre!



QUEM ÉS TU, NORMA JEANE? 100 ANOS DE MARILYN MONROE
Programador: Francisco Noronha

5 Maio
18h00: Don’t Bother to Knock/Os Meus Lábios Queimam (Roy Baker, 1952)
Convidados: Manuela Hargreaves (historiadora de arte) e Marina Leonardo (actriz e realizadora)
21h30: Niagara (Henry Hathaway, 1953)
Convidados: Daniela Rôla (crítica de cinema) e Cláudia Coimbra (investigadora)

6 Maio
18h00: River of No Return/Rio Sem Regresso (Otto Preminger, 1954)
Convidados: Vítor Ribeiro (director do Cineclube de Joane) e Ana Carneiro (directora do Cineclube do Porto)
21h30: Bus Stop/Paragem de Autocarro (Joshua Logan, 1956)
Convidados: Daniel Marques Pinto (professor universitário) e Pedro Ludgero (músico e realizador) [Podcast Noites de Cabíria @noitesdecabiria]

8 Maio
21h30 Let’s Make Love/Vamo-nos Amar (George Cukor, 1960)
Convidados: Miguel Ramalhete Gomes (professor universitário) e José Reis (professor universitário)

9 Maio
21h30 The Misfits/Os Inadaptados (John Huston, 1961)
Convidado: António Roma Torres (psiquiatra e crítico de cinema) e Bernardo Pinto de Almeida (historiador de arte e ensaísta)