quinta-feira, 2 de julho de 2026

Ciclo Mel Brooks na Casa Comum


Em Julho, voltamos à
Casa Comum da Universidade do Porto com um ciclo dedicado ao cinema cómico de MEL BROOKS (que, em 2026, vivo da silva, celebra 100 anos!), na sua dupla condição de actor e realizador. De 17 a 25 de Julho, com entrada livre!

Todas as sessões serão precedidas de apresentação e acompanhadas de um dossier escrito sobre a obra de Mel Brooks. Debate na sessão de 18 Julho com José Santiago (programador de cinema).

Venham!

+ Info:




RIR, APESAR DE TUDO! O CINEMA POLITICAMENTE INDISCRETO DE MEL BROOKS
De 17 a 25 de Julho na Casa Comum
Programador: Francisco Noronha
Programa completo:
17 Julho
18h30: The Producers/O Falhado Amoroso (Mel Brooks, EUA, 1967)
18 Julho
15h00: To Be Or Not To Be/Ser Ou Não Ser (Alan Johnson, EUA, 1983)
18h30: Blazing Saddles/Balbúrdia no Oeste (Mel Brooks, EUA, 1974) + Debate com José Santiago (programador de cinema)
24 Julho
18h30: Young Frankenstein/Frankenstein Júnior (Mel Brooks, EUA, 1974)
25 Julho
15h: High Anxiety/Alta Ansiedade (Mel Brooks, EUA, 1977)
18h30: Life Stinks/Porca de Vida (Mel Brooks, EUA, 1991)

Quantos ciclos de comédia enquanto género cinematográfico se vêem por aí? Poucos, muito poucos, sintoma de como o humor ainda é visto, redutoramente, como mero “entretenimento” ou forma de alienação (o que em si mesmo nada tem de pernicioso, diga-se em qualquer caso). Num tempo marcado pela incerteza, a escalada militar, a polarização e um sentimento crescente de medo colectivo, fazer comédia nos nossos dias é, de certo ângulo, um acto político; e rir é, podemos dizê-lo, mais do que um gesto profundamente natural e humano, um acto de resistência contra a normalização da violência, do autoritarismo e do desespero.
É neste contexto que se propõe a realização de um ciclo de cinema dedicado a Mel Brooks, de quem se celebram 100 anos em 2026 (ainda vivo!), uma das grandes - mas mal-amadas - figuras da história do cinema cómico. Na dupla condição de realizador e actor dos seus filmes, Brooks construiu uma obra singular que alia o humor desregrado e despretensioso ao comentário e sátira políticos e culturais. Dialogando de forma directa com a história do cinema, através de uma paródia e desmontagem dos códigos do cinema clássico e popular (que o norte-americano, importa sublinhar, ama e admira) e de géneros (musical, western, terror, suspense, policial), Brooks mostra como as imagens moldam o imaginário colectivo e como o humor, ao questioná-lo, pode expor os mecanismos do poder e suas narrativas dominantes. Herdeiro do slapstick e da comédia verbal clássica (dos irmãos Marx à tradição da stand-up comedy), Brooks atualizou esse legado para o cinema moderno, satirizando o totalitarismo, o racismo, a ordem e os mitos que a sustentam, bem como denunciando a ganância e as hierarquias sociais, desta forma continuando os seus filmes a interpelarem, pois, o nosso presente. O humor não banaliza o horror, antes o desarma e destitui-o do seu poder simbólico - ou, nas suas palavras, "A comédia destrói a dignidade do inimigo".
Noutros casos, porém, interessa-lhe a piada pela piada, o chiste pelo chiste, a desfaçatez por si mesma. O seu humor é, por isso, excessivo, provocador e, frequentemente, desconfortável, justamente porque se recusa a ser neutro ou inofensivo, não se coibindo de visar vilões e vítimas, opressores e oprimidos. Revisitar a sua obra é não apenas celebrar o centenário do seu autor, mas, também, reafirmar o valor da liberdade, da inteligência crítica e da capacidade de rirmos dos outros e de nós mesmos. Rir, apesar de tudo.