quinta-feira, 5 de março de 2026

Everything


(LP Doer Of The World, Dan Peek, 1984)

quarta-feira, 4 de março de 2026

You never know what’s going on just down the road


(LP Silo Park, Harper Finn, 2025)

Tud Dret


(Chã das Caldeiras, Fogo, Fevereiro 2026)


Era miúdo quando uma equipa de filmagem animou toda a ilha. Estávamos nos anos 90 e a ilha num estado de isolamento que, hoje, já parece mentira. Lembra-se de um senhor a dizer “Acção!” e a repetir a mesma cena vezes sem conta. Uma cena simples: um homem, idoso, sentado à mesa leva lentamente a mão a um copo de sumo e, de forma igualmente vagarosa, bebe-o. Um sumo era uma coisa tão rara por esses dias na ilha que o velho Djilormo não se conseguia controlar e de uma assentada pegava no copo e bebia-o de um trago uma e outra vez! “Devagar, devagar, devagar!”… Mas era muita a sede de Djilormo e a beberagem prolongava-se - e o sumo também! O filme era Casa de Lava e a criança que retém a memória desse feliz episódio é Nezito, nado e criado em Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo. É também ele que se prepara para fazer a estreia como actor num filme (já rodado) do Paulo Carneiro…

Subimos juntos há dias os vulcões onde Inês de Medeiros fez de Ingrid Bergman. Tud Dret!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A Horse with No Name

(LP America, America, 1972)


You see I've been through the desert
On a horse with no name
It felt good to be out of the rain
In the desert, you can remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quik Stop

 


(LP The Fall-Off, J. Cole, 2026)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Boots and Shoes

 

(LP The Korgis, 1979)

Everybody’s Got To Learn Sometime


(LP Dumb Waiters, The Korgis, 1980)

Crónica no Público

 


NÓS, OS ALIENS - crónica no Público/ípsilon da última sexta-feira (6-02-2026)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

(Detour, Edgar G. Ulmer, 1945)

Por detrás desta porta giratória, está uma cama (porque por detrás do poder está sempre o... sexo). É um raro, subtilíssimo, apontamento cómico, completamente screwball, no negrume de Detour. Desde ontem que estive bastante tempo a tentar compreender um diálogo. Apontando para a cama, Vera pergunta-lhe autoritariamente: "You know how to work it?". Depois de girar a cama (fechando-a, ou seja, encerrando qualquer possibilidade carnal), Al retorque: "I invented it". O idiomático da expressão escapou-me por completo e há boas razões para isso: é quiçá o único momento de todo o filme em que Al, homem frágil, acossado, totalmente dominado, como uma criança, por Vera, denota alguma força ou confiança. Resposta que a deixa - também pela única vez - congelada, sem resposta. Aliás, essa - a sexualidade, o desejo - é a única reserva de Poder que este homem conserva em relação a ela: por três vezes nega a carnalidade que Vera, ostensiva e despudoradamente, e mandando as convenções machistas às urtigas, lhe exige. A única coisa que Al consegue salvaguardar da autoridade desta mulher está no meio das suas pernas. E não lha dá - ao mesmo tempo que alardeia a sua potência nesse campo. A inversão total, portanto, das relações de poder de género que o cinema clássico americano tão magnificamente contou. Que os censores da cartilha Hays tenham fechado os olhos a isto espanta-me.

Dito isto, apanhei, por acaso, uma entrevista de Fátima Campos Ferreira a Ricardo Ribeiro. O estilo e o tom das perguntas conserva-se há anos: pretensioso, boçal, bacoco. Não foi para isto que se fizeram personagens como Vera!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Hocus Pocus


(LP Vacancy, 2026)

Mobbin in DC


(LP Vacancy, Ari Lennox, 2026)

My life


(LP AS SEEN ON TV, Aktu El Shabazz, 2026)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Jungleland


(LP Born To Run, 1975)

Born to Run


(LP Born To Run, Bruce Sprinsgteen, 1975)

Come and Get Your Love


(LP Wovoka, Redbone, 1973)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Final Form!


(LP The Return, Sampa The Great, 2019)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Circle Of Life


(LP So Legendary, Lords of the Underground, 2025)

sábado, 10 de janeiro de 2026

Jin, Jîyan, Azad


Pensar no Petzold de Barbara, Jerichow, Phoenix, etc. e ver agora um objecto como Miroirs no. 3 é uma experiência da ordem do sofrível: quanto esquematismo (realismo vs sobrenatural, plano inicial de rosto vs plano final de rosto, revelação narrativa vs explosão da máquina de lavar, o doppelgänger e "a mulher que viveu duas vezes" tratados sem ponta de rasgo), quanta desinspiração, quanto, enfim, academismo. Quando o filme já vai no seu terço final e o filho grita a Laura "Tu não és minha irmã!" - eis a definição de anti-clímax. Que cansado está o cinema de Petzold.

Um dos grandes filmes da colheita iraniana dos últimos anos (também por se desviar da própria tradição dessa linhagem), juntamente com 3.ª Guerra Mundial, Holly Spider e Estrada Fora. Engenhoso, intenso, imaginativo, tudo o que o separa, portanto, do último Panahi (pai). Do filme político de conspiração para o thriller psicológico, quase slasher! (um homem perseguindo e aprisionando 3 mulheres), do melodrama para o filme de paranoia; da opressão de todo um regime político-religioso para a opressão primordial do pater familias (sem maniqueísmos: este era o homem angustiado, isto é, com uma reserva de humanismo, por ter de sentenciar homens à morte sem poder avaliar os seus casos). As ruínas da aldeia-fantasma da última cena e as ruínas de uma família-fantasma, morta-viva, dadas pela experiência do tempo de três horas. ... Jin, Jîyan, Azad!