Bósforo
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
quinta-feira, 5 de março de 2026
quarta-feira, 4 de março de 2026
Tud Dret
Era miúdo quando uma equipa de filmagem animou toda a ilha. Estávamos nos anos 90 e a ilha num estado de isolamento que, hoje, já parece mentira. Lembra-se de um senhor a dizer “Acção!” e a repetir a mesma cena vezes sem conta. Uma cena simples: um homem, idoso, sentado à mesa leva lentamente a mão a um copo de sumo e, de forma igualmente vagarosa, bebe-o. Um sumo era uma coisa tão rara por esses dias na ilha que o velho Djilormo não se conseguia controlar e de uma assentada pegava no copo e bebia-o de um trago uma e outra vez! “Devagar, devagar, devagar!”… Mas era muita a sede de Djilormo e a beberagem prolongava-se - e o sumo também! O filme era Casa de Lava e a criança que retém a memória desse feliz episódio é Nezito, nado e criado em Chã das Caldeiras, Ilha do Fogo. É também ele que se prepara para fazer a estreia como actor num filme (já rodado) do Paulo Carneiro…
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
A Horse with No Name
(LP America, America, 1972)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
(Detour, Edgar G. Ulmer, 1945)
Por detrás desta porta giratória, está uma cama (porque por detrás do poder está sempre o... sexo). É um raro, subtilíssimo, apontamento cómico, completamente screwball, no negrume de Detour. Desde ontem que estive bastante tempo a tentar compreender um diálogo. Apontando para a cama, Vera pergunta-lhe autoritariamente: "You know how to work it?". Depois de girar a cama (fechando-a, ou seja, encerrando qualquer possibilidade carnal), Al retorque: "I invented it". O idiomático da expressão escapou-me por completo e há boas razões para isso: é quiçá o único momento de todo o filme em que Al, homem frágil, acossado, totalmente dominado, como uma criança, por Vera, denota alguma força ou confiança. Resposta que a deixa - também pela única vez - congelada, sem resposta. Aliás, essa - a sexualidade, o desejo - é a única reserva de Poder que este homem conserva em relação a ela: por três vezes nega a carnalidade que Vera, ostensiva e despudoradamente, e mandando as convenções machistas às urtigas, lhe exige. A única coisa que Al consegue salvaguardar da autoridade desta mulher está no meio das suas pernas. E não lha dá - ao mesmo tempo que alardeia a sua potência nesse campo. A inversão total, portanto, das relações de poder de género que o cinema clássico americano tão magnificamente contou. Que os censores da cartilha Hays tenham fechado os olhos a isto espanta-me.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
terça-feira, 13 de janeiro de 2026
sábado, 10 de janeiro de 2026
Jin, Jîyan, Azad
Pensar no Petzold de Barbara, Jerichow, Phoenix, etc. e ver agora um objecto como Miroirs no. 3 é uma experiência da ordem do sofrível: quanto esquematismo (realismo vs sobrenatural, plano inicial de rosto vs plano final de rosto, revelação narrativa vs explosão da máquina de lavar, o doppelgänger e "a mulher que viveu duas vezes" tratados sem ponta de rasgo), quanta desinspiração, quanto, enfim, academismo. Quando o filme já vai no seu terço final e o filho grita a Laura "Tu não és minha irmã!" - eis a definição de anti-clímax. Que cansado está o cinema de Petzold.