You and Me (1938), Fritz Lang.
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
domingo, 27 de outubro de 2013
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
we still pump Biggie
"Sing Like Bilal" (c/ Joell Ortiz), álbum DJ Premier Presents - Get Used To Us (2010). DJ Premier.
"New rap is cool but we still pump BIGGIE!"
domingo, 13 de outubro de 2013
from time
"From time" (c/ Jhené Aiko), álbum Nothing Was The Same (2013). Drake.
"I've been dealing with my
dad, speakin' of lack of patience
Just me and my old man
gettin' back to basics
We've been talkin' 'bout the
future and time that we wasted
When he put that bottle
down, girl that nigga's amazin'
Well, fuck it, we had a
couple Coronas
We might have rolled a white
paper, just somethin' to hold us
We even talked about you and
our couple of moments
He said we should hash it
out like a couple of grown ups
You a flower child,
beautiful child, I'm in your zone
Lookin' like you came from
the 70's on your own
My mother is 66 and her
favorite line to hit me with is
Who the fuck wants to be 70
and alone?
You don't even know what you
want from love anymore
I search for somethin' I'm
missing and disappear when I'm bored
But girl, what qualities was
I lookin' for before?
Who you settlin' for? Who
better for you than the boy, huh?"
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
estão à espera de quê?
Nothing Was The Same (2013), Drake.
É, desde já, um dos álbuns do ano: obra praticamente perfeita (retirem-lhe "Hold On, We're Going Home", faixa metida a martelo para tocar no club, e uma coisinha ou outra) onde, além de ecoar o melhor do 808's and Heartbreak (K. West, 2008) e do Channel Orange (F. Ocean, 2012), predomina o talento letrista (não só no "conteúdo" do que é dito, mas, sobretudo, no wordplay com que é dito) de um tipo demasiado aparatoso para não ser julgado pela capa. Acontece aos melhores, Drake, live with that.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
Walsh #3 - Crítica "Fruta Louca" (Raridades)
Fruta Louca (1956), de Kô Nakahira.
O meu último artigo para o À pala de Walsh debruça-se sobre o filme Fruta Louca (1956), de Kô Nakahira, e está já disponível para leitura aqui ao lado.
Filme pouco visto e lembrado (daí a sua inclusão na rubrica Raridades) que, a despeito do retrato de uma geração de jovens japoneses idiossincrática (a geração Tayozoku), foi preponderante para toda uma nova forma de fazer e pensar o cinema japonês - a Nuberu Bagu, "vaga" com afinidades com as outras (desde logo a francesa) que, pelos anos 60, varreram o cinema um pouco por todo o globo.
Num dos primeiros planos do filme (um plano americano), Haruji (Masahiko Tsugawa) é filmado, de frente, conduzindo uma lancha: é um rosto desorientado e perturbado o que vemos, próprio de quem – saberemos mais tarde – procura alguém, mas, sobretudo, procura algo: um rumo, um caminho, que, metonimicamente, são os que toda uma geração de jovens japoneses, a bem dizer, perseguia à época. Desse plano americano (que, gradual e claustrofobicamente, se convola num grande plano, espécie de aprisionamento psicológico progressivo da personagem, imerso na sua obsessão) saberemos, também mais adiante, pertencer à sequência final do filme: ou seja, o filme abre e fecha exactamente do mesmo modo, sintoma de que algo de errado perpassa esta geração, no sentido de que aquela perturbação não fica “resolvida” no filme, antes andando em círculo, sem saída. É a utilização da circularidade como factor indiciário da obsessão ou paranóia, sugestão que se repete, “plasticamente”, no final do filme, na cena (de um silêncio aterrorizante) em que Haruji descreve repetidas voltas em torno do barco onde se encontram Eri e o seu irmão, antes do acto final. Foi, assim, com essas voltas infernais, doentias, que Kurutta kajitsu abriu (escancarou…) a porta a pelo menos três dos temas-chave da revolução da Nuberu Bagu, da qual foi um prenúncio: o desejo, a obsessão, a morte.
(Excerto)
(Excerto)
Soweto Kinch
Senhoras e Senhores, o estupendo Soweto Kinch - de quem neste local entretanto tornado ermo falei em 2008 (!) - toca, esta sexta-feira, na Casa da Música. Go with the flow:
domingo, 6 de outubro de 2013
os suspeitos do costume
O Cineclube FDUP voltou e não fez a coisa por menos: ele é Lubitsch, ele é Dreyer, Pabst, etc.. Nem é bom pensar. Confiram por vocês mesmos - right there.
o último grande junkie
"O Último Grande Junkie" (produção de Kilú), álbum Coisas de 1 Porco (2013). Beware Jack.
Coisas de 1 Porco é uma das melhores coisas que aconteceu nos últimos tempos ao hip-hop português - "fresh como o Prince em Bel-Air!", como se ouve na faixa acima. Por falta de tempo, não cheguei a escrever sobre o álbum, mas fica agora um cheirinho. Download gratuito ali.
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
o princípio da ocupação
As Amigas (1955), Michelangelo Antonioni.
Repare-se na sombra (de resignação, de conformismo, do "pragmatismo triste" - feliz malgré tout) que pende sobre a Eleonora R. Drago.
sábado, 21 de setembro de 2013
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Walsh #2 - Crítica "Deep End" (Recuperados)
Deep End (1970), Jerzy Solimowski.
O meu segundo artigo (ali o primeiro) para o À Pala de Walsh já está on-line na rubrica Recuperados, onde tentei, de alguma forma, desempoeirar um filme tão singular como esquecido: Deep End (1970), do polaco Jerzy Skolimowski. Filme que, situado a meio caminho entre o fascínio e a interrogação crítica sobre o que foi isso dos anos 60 (a revolução sexual, a liberdade, a música dos Beatles e companhia, etc.), envelheceu só mesmo no passar dos anos.
Nesse olhar sobre a Inglaterra dos swinging sixties, há uma sequência que talvez simbolize, derradeiramente, a lente interrogadora e crítica do pintor Skolimowski (e se dizemos pintor não é por acaso, tamanha a importância da cor e das “pinceladas”, literalmente falando, que são dadas no filme, mas já lá iremos). Falamos da sequência – já perto do final do filme – em que Susan procura, desabridamente, com a ajuda de Mike, o anel de noivado que deixou cair num chão coberto de neve (um anel perdido na neve – só a imagem mental é arrebatadora). A ansiedade e o desespero de Susan em encontrar o anel chocam, com estrondo, nos ares dos tempos que Susan, de modo especialmente flagrante, encarna e se orgulha de transmitir aos homens (e são vários) com quem se relaciona: a libertação sexual, o amor livre, a libertinagem, enfim, o “why not?” elevado a novo santo-e-senha das relações sexuais.
(Excerto)
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
apontamentos ébrios sobre a noção de Arte (sobre o que deve ser)
Husbands (1970), John Cassavetes.
"Terrible, terrible, terrible... terrible, unreal, unreal! No passion! (...)
Honestly, with soul! (...)
No feeling... no feeling! A little feeling! (...)
No, too cute... too cute! No cute, real, from the heart! From the heart! From the heart! (...)
You're not speaking to us! (...)
Where is the warm? Where is the warm? Where is the warm at your heart?"
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
e pronto, é isto
"Nuvens Cinzentas" (c/ Vinil e Beware Jack), álbum Frankie Diluvio Vol 1 (2013). Blasph.
"Às vezes um gajo ri, às vezes um gajo chora
Dizem-me isto a toda a hora..."
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
super rich kids
O Gangue de Hollywood (2013), Sofia Coppola.
O melhor do filme da Sofia Coppola é a selecção musical dotada de um notável significado intradiegético, de que é o melhor exemplo o Frank Ocean que fecha o filme: Super rich kids with nothing but fake friends (outra grandiloquente passagem é aquela em que se ouve o Kanye West a berrar, na cena do fotograma acima, Stop trippin' I'm trippin off the pow[d]er / Till then, fuck that the world's ours / 21st Century Schizoid Man).
Quanto ao resto, trata-se de um retrato, a princípio prometedor, de uma juventude que descamba numa reportagem inofensiva, distante e... desinteressante - vale, a este propósito, o que escreveu o Jorge Leitão Ramos: como podia deixar de ser inofensivo se foi a própria Paris Hilton a ceder a sua casa na vida real para fazer o filme?...
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
isso do "realismo"
Até Ver a Luz (2013), Basil da Cunha.
Nos idos de 2011, irritado com a pretensiosidade (de genuinidade sociológica) de Sangue do Meu Sangue, escrevi que "ao forçar um retrato de uma realidade social degradada como o faz, Canijo já não está a falar (só) de Portugal. E colocar meia dúzia de “bandeiras” nacionais (música pimba, relatos de futebol, etc.) não altera essa evidência".
Em 2013, encontramos precisamente o inverso do filme de Canijo: Até Ver a Luz é um olhar nu e honesto sobre a mesma realidade (a marginalidade do ghetto), mas agora sem bandeiras nem etiquetas - sem estereótipos, portanto (curiosíssimo notar como o combate aos estereótipos pode descambar no seu reforço...). Acresce o que de poético - e é muito! - o novo filme de Basil da Cunha transporta consigo (quase apetece falar, não fossemos traídos pelo conceptualismo, em "realismo poético"...), coisa perfeitamente ausente de Sangue do Meu Sangue, que, reclamando a bandeira do realismo, resvala para uma pornografia (que é ficção, que é simulacro, para chamar Jean Baudrillad) do real (alguém falou em "pornografia da tortura" para se referir a Só Deus Perdoa, pois permitam-me agora a adaptação).
Filme belíssimo para ver na noite que é a sala de cinema, nessa penumbra por onde (sobre)vivem os Sombras de todos os dias.
Filme belíssimo para ver na noite que é a sala de cinema, nessa penumbra por onde (sobre)vivem os Sombras de todos os dias.
domingo, 25 de agosto de 2013
Crítica - "Frankie Diluvio Vol 1"
Novamente com mais tempo, voltei a escrever sobre música. A minha crítica sobre o primeiro disco de originais de Blasph, Frankie Diluvio Vol. 1, acabadinho de sair, já está disponível na RDB, aqui ao lado.
“Frankie Diluvio” notabiliza-se, sobretudo, para além da mestria na punchline (há coisas que só mesmo Blasph sabe cuspir com obscenidade e classe em doses iguais), na recuperação, em termos sónicos, do G-Funk com que Dr. Dre, nos idos de 90, revolucionou o hip-hop a partir da California, dando à luz a sonoridade com selo west coast (e que Dâm-Funk tem vindo a reciclar com o seu sedutor electro-boogie): samplagem do funk endiabrado tocado por gente como os Parliament e os Funkadelic (igualmente audíveis nos álbuns de alguns dos seu mais famosos membros, com George Clinton e Bootsy Collins à cabeça) acompanhada de baixos a rebentar pelas costuras (fat bass, não há melhor forma de o dizer) e, como pedra de toque, finas linhas melódicas tecidas pelos então inovadores – ao menos no mundo do hip-hop em sentido estrito (a bem dizer, os Kraftwerk já lhes tinham dado bom uso antes) – sintetizadores (a que Timbaland e companhia deu novos contornos, quase sempre de mau gosto, no hip-hop da primeira década dos anos 2000).
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