Terceira vez que ando na Grécia e, mais do que nunca, a certeza: não há povo português como o grego, nem gregos como os portugueses. Escusado procurarmos por afinidades e cumplicidades com brasileiros, cabo-verdianos, espanhóis, italianos, franceses (muito menos!, apesar de ter crescido a achar, ou a desejar, que assim fosse, por causa do cinema que amava); fomos separados à nascença desta gente despretensiosa, simples e agasalhadora, que sabe comer e beber, que não se põe em bicos de pé para nada e gosta de receber. Como se diz num grego perfeito que acabo de traduzir da net, “Chorís malakíes”, i.e., sem merdas. Mesmo se, como nós, neles habite, talvez pelas longevas ruínas que os rodeiam a cada passo, uma melancolia indefinível (tal como nós, e ao contrário dos italianos/romanos, o seu passado é não uma fonte, mesmo que complexa, de orgulho ou alegria, mas de fracasso, decepção, perda, enfim, “saudade”). Basta percorrer as suas rádios: frequências e mais frequências de melodias afadunchadas e tristes como a noite. E pur si muove:
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