Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
"Isto demonstra uma teoria minha. Uma pessoa sobe a uma montanha russa para experimentar determinadas emoções, e pergunto-me se não acontecerá o mesmo com uma relação amorosa. Quando era jovem, eu julgava reprovável e até sujo que um homem que se considerava apaixonado empregasse as mesmas palavras com moças diferentes. No entanto, isso não tem nada de mal. A única fidelidade verdadeira das pessoas concentra-se nas emoções que se deseja voltar a sentir".
Norman Mailer, O Parque dos Veados.
sábado, 10 de outubro de 2015
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
T&C/AVNP&NMTC
Há dias, dei aqui nota da crítica (clicar) que escrevi a propósito de T&C/AVNP&NMTC. Agora, numa interessantíssima comunicação artista-público, NERVE dá conta, diariamente, do longo processo criativo do álbum, desde os instrumentais, letras, artwork (excelente) até, muito simplesmente, ao estados de espíritos que o acometeram e influenciaram as curvas e contra-curvas de todo o processo. A não perder.
O último registo pode ser lido aqui (clicar), onde encontrarão links para os anteriores.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
ReB #5 Crítica: “Trabalho & Conhaque” ou “A Vida Não Presta & Ninguém Merece a Tua Confiança” (2015)
NERVE é um dos artistas mais talentosos, autoristas, idiossincráticos e marginais no hip-hop português. Alguém cujo trabalho sigo desde 2006 (EP Promoção Barata) e que tem vindo a construir uma obra muito própria, poética, megalomaníaca e chavasqueira em doses iguais.
Tinha, por isso, de escrever sobre o seu novíssimo álbum (cujo conceito inicial remonta há 10 anos atrás), cuja maior virtude é o seu maior defeito: a manutenção da mesmíssima linha dos trabalhos anteriores, com a (grande) excepção da sonoridade global do álbum. Para ler e, sobretudo, ouvir no Rimas e Batidas (clicar).
"(...) estes anos volvidos, o seu imenso talento mantém-se intocado, sendo isso que lhe permite adornar o seu trabalho com doses cavalares de egocentrismo, megalomania (em “Lenda”, mas até na própria comunicação com os fãs) sem que isso nos cause incómodo. Isso e o facto de sabermos que, por detrás dessa máscara (do “Andy Kaufman” a que NERVE alude em “Subtítulo”), há um tipo esquivo (“esquizóide”, nas suas palavras), introspectivo, complexado (a meias com a tal megalomania, como é audível em “Conhaque”), noctívago (conferir sample inicial de “Monstro Social”), mais ou menos misantropo – afinal, um tipo como muitos de nós, mas, no caso, dotado de um particular talento para escrever canções e que faz do seu muito desalinhado hip hop o meio de expelir a sua visão cáustica, sarcástica e auto-depreciativa de si, do mundo e da própria arte (“Se eu fizesse o pino / a arte ressuscitava / E um urinol voltava a ser um urinol” – Duchamp e dadaísmo, em “Monstro Social”, dizem alguma coisa ao leitor?)".
(Excerto)
Artes Entre As Letras #3
O segundo número de Setembro do jornal Artes Entre As Letras já está nas bancas. Na página 19, a crítica de cinema, onde escrevo sobre O Inquieto (Miguel Gomes) e Homem Irracional (Woody Allen).
Walsh #33 Ponha os olhos nesta sopa de planos/Strangers on a Train (Sopa de Planos)
Saborosíssima, esta nova Sopa de Planos. Sobre óculos. Para ler no local do costume (clicar).
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
boyhood
No ano passado, quando saí do Boyhood, enviei, muito emocionado, com uma mão no volante e um cigarro piegas na boca, uma mensagem ao meu irmão. Na noite passada, fomos ouvir o Sam the Kid aos Poveiros, ele num frémito, sempre de braço no ar, a tentar captar tudo o que se passa à sua volta. Abraça-se a mim nas músicas que, de tanto ouvir no quarto ao lado, passou a amar. No dia seguinte, que é o dia em que me preparo para sair de casa dos meus pais, bato à porta do quarto. Acabou de acordar. Está escuro e vejo o ecrã do computador aceso. Pergunto-lhe o que está a ver e ele diz-me que é o filme do Linklater. Vem-me aquela frase do filme à memória:
"You know how everyone's always saying «seize the moment»? I don't know, I'm kinda thinking it's the other way around. You know, like the moment seizes us".
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
cinéma vérité
(Safe, 1995, Todd Haynes)
1. «Marine Richard, de 39 anos, sofre de hipersensibilidade eletromagnética e não pode estar junto de telemóveis, 'routers', televisores ou outros gadgets, tendo alegado estar impossibilitada de trabalhar».
Fonte: Diário de Notícias (clicar)
2. «Se tudo isto (a “doença” de Carol) é real (patológico) ou pura ficção (paranóia), é coisa que o filme, deliberadamente, nunca esclarece, já que, nas idas ao médico, o diagnóstico é sempre o que de nada de anormal se passa com a sua saúde. É Haynes a “medir”, queremos dizer, a confundir as fronteiras da percepção comum sobre a noção de “loucura” – Carol está mesmo doente? E se está, de quê? De depressão? Ou da tal “environmental disease”? Mas isso existe mesmo? Ainda que haja esse propósito claro em desfocar a fronteira que convencionalmente traçamos entre sanidade e insanidade [a mesma que é colocada em causa, ainda que em termos distintos, mas tendo outrossim uma mulher como protagonista, por Rossellini em Europa ’51 (1952)], nem por isso deixa de ser evidente que a “doença” de Carol parece ser outra: o profundo vazio, o absoluto tédio, a perfeita esterilidade do seu dia-a-dia, pontuado por lanches com amigas tão frívolas como ela própria, idas ao ginásio e ao cabeleireiro e cujo ponto alto é o “susto” com o facto de a cor do sofá encomendado para a sala de estar não corresponder à pretendida. É a somatização deste imenso tédio e dos seus “químicos” (sofás, cabeleireiros, ginásios) que, a pouco e pouco, fará de Carol um ser perfeitamente alienado (“alienígena” mesmo), débil (Carol tem por apelido “White”, que condiz com a sua cor e com a do leite que muito infantilmente bebe no filme) e fantasmático (as deambulações solipsistas pelo jardim de sua casa a meio da noite)».
Fonte: À pala de Walsh (clicar)
sábado, 29 de agosto de 2015
domingo, 16 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Truffaut meets Miller
"Quanto aos filmes eróticos ou pornográficos, sem ser um espectador apaixonado pelo género, penso que constituem uma expiação ou, pelo menos, uma dívida por saldar com os sessenta anos de mentira cinematográfica sobre as coisas do amor. Faço parte dos milhões de leitores de todo o mundo que a obra de Henry Miller não só seduziu como ajudou a viver, sofrendo eu então com a ideia de que o cinema continuava tão atrasado em relação aos livros de Henry Miller quanto à vida tal como ela é. Infelizmente, ainda não consigo citar um filme erótico que seja o equivalente de Henry Miller (os melhores, de Bergman a Bertolucci, foram filmes pessimistas) mas, afinal, essa conquista da liberdade é bastante recente para o cinema e devemos igualmente considerar que a crueza das imagens levanta problemas bem mais bicudos do que a das palavras".
François Truffaut, Os Filmes da minha vida, Orfeu Negro, 2015, p. 20.
o último dos românticos
"«Sou um lunático. Tanto me sinto forte, poderoso, como me sinto obrigado a reagir. Tudo em excesso. Fui forçado a crescer, mas há uma parte de mim que rejeita a ideia. Por vezes faço coisas estúpidas, mas quando as faço parecem-me justas» (...).
«Não quero ser um revolucionário, um Che Guevara. Sonho amar uma mulher, criar uma família. Às vezes sinto-me triste, perdido, e sonho com o meu bairro de infância, em Lanús. Dava tudo para voltar atrás e ser outra vez criança»".
«Não quero ser um revolucionário, um Che Guevara. Sonho amar uma mulher, criar uma família. Às vezes sinto-me triste, perdido, e sonho com o meu bairro de infância, em Lanús. Dava tudo para voltar atrás e ser outra vez criança»".
terça-feira, 4 de agosto de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)









