Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
além do mais, é bonita
Nadezhda Tolokonnikova, das Pussy Riot.
Entre outras coisas, é por causa disto que se diz que os homens românticos (no sentido filosófico, não no piegas) têm uma certa tendência para ser anti-sistema. Pudera.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
O Revólver Entre as Flores
"Belarmino de volta ao ringue", álbum O Revólver Entre as Flores (2011). Keso.
O Revólver entre as Flores, um disco que, por razões obscuras, nunca viu a luz do dia (leia-se edição comercial, prevista para 2009), virou disco-mito no hip-hop português, mas por razões que transcendem esse acidente de percurso.
Keso (ex KS Xaval, pseudónimo com o qual assinou Raios Te Partam, 2003, um álbum mais street), rapper do Porto, que só tive a felicidade de conhecer recentemente, é uma figura verdadeiramente fresh no panorama do hip-hop nacional, não só pelas letras, que misturam erudição com calão e muito humor, mas, também, por ser um produtor de mão cheia, arquitecto de beats amparados em composições elaboradas que, não raras vezes, parecem, pela sua complexidade e ecletismo, tocadas por instrumentos e não saídas de uma mpc. E já disse que, além de rimar, também canta?
O resultado final é um álbum que, pese embora a sua (demasiado) curta duração (10 faixas, muitas delas com menos de 3 minutos), não hesito em colocar entre os 10 melhores de álbuns de hip-hop português dos anos 2000.
Pessoalmente, é ainda para mim um regozijo escutar um álbum que cita, inúmeras vezes, filmes e figuras do cinema (o título da faixa acima é um alusão flagrante a Belarmino, 1964, de Fernando Lopes).
"Oiçam", álbum O Revólver Entre as Flores (2011). Keso.
domingo, 22 de julho de 2012
sábado, 21 de julho de 2012
o livro
"Nas Humanidades e nas Ciências Sociais, a sobrevalorização dos artigos decorre, também, de outros factores, com consequências bem gravosas. Por um lado, tal exagero encontra-se directamente associado a uma ideia bem provinciana de que será possível reduzir o conhecimento a uma espécie de grande base de dados de consulta electrónica, incluindo nela as próprias revistas. Trata-se, no fundo, da tradução da ideia pacóvia de que "está tudo na Internet", logo, a nossa presença ou se faz através desse meio ou não se faz. Ora, não haverá aqui, mais um vez, uma enorme confusão? É que disponibilizar livros ou artigos em formato digital não implicará nunca colocá-los no mesmo plano. Por outro lado, importa desfazer uma espécie de fascínio pelo quantitativo: mais concretamente, o número de ocorrências, enquanto autor ou objecto de uma citação, dificilmente pode ser tomado como indicador de um contributo para a inovação. De tudo isto, fica arredado o pensamento individual, de autor, desenvolvido, durante anos a fio, num livro, bem como a responsabilidade de julgar pela qualidade e não pela quantidade".
Artigo completo: aqui.
sexta-feira, 20 de julho de 2012
quarta-feira, 18 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
é Verão, está calor e a Chaka Khan também veio
"All Good", álbum Art Official Intelligence: Mosaic Thump (2000). De La Soul.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
quinta-feira, 28 de junho de 2012
terça-feira, 26 de junho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
o joelhinho
O joelho de Claire (1970), Eric Rohmer.
Ir a um cinema que não os dos centros comerciais tem, como se sabe, vantagens perspícuas. Ontem, quando, já em cima da hora, cumprimentei o anafado senhor da recepção (que tinha, atrás de si, uma mini televisão a emitir o Itália-Inglaterra) e pedi por um bilhete, fui brindado com um fanfarrão:
"então, vem ver o joelhinho, não é?"
Ainda pensei em dizer que não, que ia mesmo era ver o Rohmer (ou a Laurence de Monaghan, digo-o agora), mas depois o Pedro Proença fez uma asneira qualquer e perdi a sua atenção.
contradições de um cinéfilo
Ouvi-o dizer: adorei todos os filmes do Rohmer que vi, mas em nenhum deles consegui deixar de adormecer por uns instantes.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
cosmopolitismo post-habermasiano
Para demonstrar como o seu país (Portugal) é tão atrasadinho em relação a outro (o "estrangeiro", em geral), diz que, em 2003, esteve em Nova Iorque e, já então, se serviam wraps no Mc Donald's (nós, aqui, desgraçados, com o prosaico Big Mac).
segunda-feira, 18 de junho de 2012
reconstrução
"No instante de choque o pesar é diminuto: a dor principiou cerca das três horas da madrugada quando comecei a planear a vida que ainda tinha de viver e a relembrar as recordações de modo a, por qualquer forma, poder eliminá-las. As boas recordações são as piores e eu tentei lembrar as más. Tinha prática. Já vivera tudo isto noutros tempos. Sabia que seria capaz de fazer o necessário, mas era tão mais velho... senti que a energia que me restava não chegava para uma reconstrução".
Graham Greene, O americano tranquilo, Unibolso, p. 158.
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