terça-feira, 19 de março de 2019

Um filme é uma miúda e o seu olhar



No ípsilon de última sexta; retrospectiva de Bette Gordon a partir de dia 21 no Rivoli, no Porto:
 
"No noir, as mulheres são sempre objecto de um homem obcecado. Elas são o enigma, o puzzle, o objecto do olhar do homem. Ele deseja apanhá-las, submetê-las, amá-las. Eu quis ver o que acontecia se invertesse esses papéis: a mulher não é o objecto, antes o sujeito. É ela a investigadora, a detective, e o homem a figura enigmática. O que acontece quando é ela o voyeur que observa e persegue o homem?"
 
 

luz e mais luz

 
 
 
O miúdo dos grandes caracóis doirados e o seu novo álbum City Pop no ípsilon:
 
“Ultimamente, parece que estou 'hip' outra vez, sabes? No início de tudo, eu era ‘trendy’ ou coisa parecida, mas depois fiquei fora de moda porque a cena era mais os Depeche Mode, a New Wave, aquela cena negra e depressiva toda… Mas, nos últimos 3 anos ou assim, parece que voltou a ser ‘ok’ ser feliz outra vez! (...)". A ideia é interessante e Benny, depois de uma pausa, desenvolve-a: “Não consigo ...explicar por que razão as pessoas ‘querem’ ser felizes outra vez. Acho que é o zeitgeist, é para onde as pessoas estão a ir agora… Penso que é algo aleatório, na verdade. Todos os movimentos precisam de ter uma renovação... ‘After dark comes light again’, sabes? Mas que tipo de luz? Isso é o que nunca sabemos! Nunca sabemos em que dark ou em que light é que as pessoas vão pegar. E sim, talvez isto se possa explicar em termos políticos, vivemos tempos obscuros e tal, mas… não acho que seja o caso. Penso que é mesmo uma coisa aleatória! É muito difícil explicar por que motivo as pessoas gostam de determinado tipo de arte em cada momento, nunca o sabemos. Porque se o conseguirmos explicar, então, torna-se um tédio! A regra é a de que não o consigamos explicar”.
 
 

segunda-feira, 11 de março de 2019





(LP Searching For The Young Soul Rebels, 1980)

sexta-feira, 8 de março de 2019

You've got a cute way of talking




 
 
(LP Endless Flight, 1976)

segunda-feira, 4 de março de 2019

agendas, emendas



(LP 5-30, 2014)


"ela comenta,
lamenta e quer que eu a (a)guarde
enquanto
lentamente a saudade aumenta no quarto
e ela emenda
dá-me uma agenda e quer que eu (a)guarde
mas se eu me prendo
pode ser que me arrependa mais tarde
ou aprendo a gostar
ou tentamos tar
mais tempo a apostar na gente
ou sou exigente
ou dou-te um filho bastardo
mas eu sou mais - tarde no estúdio a investir
no meu futuro
estúpido pa existir
ser diligente
e eu adoro que
tu me adores sem o lençol no teu corpo
até fechar os estores há o meu sol
que vem da minha ponte
o risco da amargura
pôr toda a ternura em confronto
e ver-te numa moldura e para a ruptura
ainda não tar pronto
(…)
existe o medo que ela desista
e eu ficar o gajo chato que ela fala à sua nova conquista
que "os homens são uma merda" é o discurso que espalha
e nós só queremos que não nos caia uma dama toscaia
que nos distraia e mais tarde nos traia
que eu saia da saia da mãe e regresse ca tralha
agora é difícil encontrar alguém que me vicie
ficar calmíssimo até à calvície e tu grisalha
não foram precisos nós, entre nós havia um laço
até que algum de nós o violasse
e agora tentas mas não podes tirar o que passámos um dia
saudades das fotos que nós nunca tirámos, eu queria
e eu dispenso a desavença e perdemos a cabeça
e cada sentença vai sentir-se, a ver se eu diria
'queres um amigo ou um boy que te acompanhe?
queres estar comigo ou queres estar com alguém?'

(…)

a dúvida cai
como chuva grossa
o ânimo vai
mergulha numa poça
a minha esperança
trava na insegurança"

sexta-feira, 1 de março de 2019

but if you think I'm gonna let you go / no can do





(LP Hallway Symphony, 1972)

one good woman






 
 
(LP Hallway Symphony, 1972)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

near you




(LP Moments, 1971)



"I want to be near you
I want to hear what you have to say
As long as I'm near you
Nothing will seem to pass away
Long as I'm near you, longing to hear you
Long as I'm near you"








(One Week, 1920, Buster Keaton)


Minha nossa senhora, quanta graça...

(para contrabalançar aquele intertítulo inicial onde se lê que "Wedding bells have such a sweet sound but such a sour echo"...)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

I guess this was you





(A Mulher Canhota, 1978, Peter Handke)

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019





(The Bridges of Madison County, 1995, C. Eastwood)

sábado, 23 de fevereiro de 2019

Changing Face of Feminity in 60’s Taiwan - no Fantasporto



... para as traseiras de Taiwan. Começou ontem o Fantasporto e, com ele, a mostra “Changing Face of Feminity in 60’s Taiwan”. Special thanks to Yi-Wen Amy Huang and Zoey Wu for their kindness and generosity

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

about us






"It might not be the right time
I might not be the right one
But there's something about us I want to say
'Cause there's something between us anyway…"

refuse to do


 
 
(LP Studio, 2015)



"that's what I refuse to do
don't make me dance
dance with another"

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

as águas de Godot




(lindíssima-íssima Maria Ribeiro em Vidas Secas, 1963, Nelson Pereira do Santos)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

it's gonna scare 'em



(Easy Rider, 1969, D. Hopper)


"Of course, don't ever tell anybody that they're not free, 'cause then they're gonna get real busy killin' and maimin' to prove to you that they are.
 
Oh, yeah, they're gonna talk to you, and talk to you, and talk to you about individual freedom. But if they see a free individual, it's gonna scare 'em".

Fantas 19



O Fantasporto começou ontem e há texto no ípsilon de sexta sobre a mostra “Changing Face of Feminity in 60’s Taiwan”. Para depois não perguntarem “Ei, o Fantas, já não vou lá desde que o Sporting foi campeão, como é que aquilo tá?”, que tal irmos ao Rivoli ver o “Easy Rider”, amanhã o “The Shining”, na quinta o “A Clockwork Orange” e sexta o “Alien” (o originalérrimo)? Sim, sim, são mesmo estes os filmes que lá vão passar nos próximos dias.
 
As coisas podem já não ser como quando gostávamos muito delas (não é o meu caso, mas sei e compreendo essa impressão entre muita gente), mas também não o voltarão a ser se não quisermos saber do assunto. Até lá, pois então

o que não me sai da cabeça




A última vez que vi Rodney King - texto no ípsilon da sexta-feira passada: