quinta-feira, 21 de junho de 2018

"É costume ainda hoje dizer-se no Porto a uma rapariga desleixada na sua apresentação: 'Pareces uma mulher casada'. Casar é abdicar do gosto e da vaidade que pressupõe tentação.
(…)
- A senhora é feliz? - teria perguntado o doutor Bensaúde (…), uma vez que ouvira Maria Adelaide sobre os seus padecimentos dos intestinos. Não se sabe o que têm a ver os intestinos com a felicidade das mulheres. Mas Maria Adelaide nunca se esqueceu dessa consulta".
 
Agustina Bessa-Luís, Doidos e Amantes.

love me right - com muito carinho, por exemplo




"You tell me all the time, baaaaaby
I'm the light in your liiife
And you love me more each day!
You are starting to drive me craaaaazy
Why won't you realise you gotta love me right baaby"

(EP Conexão, 2018)

take a good look at my face


 


"People say I'm the life of the party
Because I tell a joke or two
Although I might be laughing loud and hearty
Deep inside I'm blue
So take a good look at my face
You'll see my smile looks out of place
If you look closer, it's easy to trace
The tracks of my tears"
 
(LP Going to a Go-Go, 1965)

vida que gira








(Nobody Knows, 2004, Hirokazu Kore-eda)




(Les gardiennes, 2017, Xavier Beauvois)

Crítica "DAYTONA"

 
 
No Ípsilon da última sexta-feira, continuo a acompanhar o ressurgimento da GOOD Music e de Kanye West, desta feita olhando para "DAYTONA", que junta o último (produção) a Pusha T (voz).
 
 
«O que é interessante, porém – e, de resto, extensível a todo o rap que se assume, genericamente, como cru ou agressivo –, é que todo este discurso “egotripesco”, de auto-engrandecimento, vai sempre produzindo – ou deixando-se contaminar por – importantes anotações sobre os EUA, seus mitos... e paranóias, do sonho americano à obsessão materialista, do sufoco das minorias e dos mais pobres a uma (compreensível) arrogância nova-riquista (“See these diamonds in this watch face? / All that shit came from pressure”, desabafa Pusha em “Come Back Baby”), realidades que, porventura, nós, europeus ocidentais, nunca chegaremos a compreender por completo. Houve quem já se interrogasse sobre a razão para o fascínio de alguns críticos (onde não nos incluímos, isso é certo) pelo fascínio, por sua vez, de certos rappers com o dinheiro. É uma questão válida e à qual Pusha T poderá dar uma ajuda na resposta com estes dois versos: “They say don't let money change you / That's how we know money ain't you”. Por outras palavras: quem nunca esteve na situação de nada ter senão uma família tragicamente disfuncional e um quotidiano de tráfico, armas e pobreza e de um dia passar a desfrutar de tudo e mais alguma coisa provavelmente não conseguirá jamais compreender, enfim, how money does change you (mas é também por isto que os rappers são dos músicos contemporâneos mais fascinantes, pela capacidade de fazerem conviver um arrazoado ostentatório com um objecto extraordinariamente poético)».
 
 

foi bonita a festa, yo




terça-feira, 19 de junho de 2018

SESSÃO ESPECIAL HOJE NO CINEMA TRINDADE





Hoje teremos uma sessão especialíssima do Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes no Cinema Trindade com a presença dos convidados (e intervenientes no filme) MUNDO SEGUNDO, M7 (aka Beatriz Gosta) e KESO.
 
Apresentação pelos realizadores no início e debate com convidados e público no final. A partir das 21h15!
 
Venham todos para celebrarmos juntos a cidade, a cultura e a história. Até já!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Sessão especial 19 Junho com Convidados

 
 
Sessão especial com Convidados: Dia 19 Junho (terça-feira), 21h15, Cinema Trindade
 
Temos o prazer de anunciar uma sessão na próxima terça-feira (19 Junho) no Cinema Trindade com os convidados MUNDO SEGUNDO, M7 (aka Beatriz Gosta aka Marta Bateira) e KESO. Juntem-se a nós!
 
IMPORTANTE: ENTRETANTO, O FILME ESTÁ EM EXIBIÇÃO TODOS OS DIAS NO CINEMA TRINDADE, ÀS 21H15.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes - no Cinema Trindade



Boas notícias para os próximos dias!: o filme vai estar em exibição a partir de dia 14 de Junho (esta quinta-feira) no Cinema Trindade (Rua do Almada, Porto), diariamente, durante uma semana.
 
Decorrerão duas sessões especiais, uma a 14 de Junho (quinta-feira) com a presença dos realizadores e outra dia 19 de junho (terça-feira) com convidados muito especiais. Horários da sessões muito em breve.
 
Venham todos! Até já

segunda-feira, 11 de junho de 2018

ípsilon - YE



No ípsilon da última sexta-feira sobre "Ye", novo disco de Kanye West.

Com um aviso à navegação:

"Não deixa de se revelar assaz hipócrita a forma como algumas publicações americanas que sempre idolatraram West por aspectos que a nós sempre nos mereceram reserva (as punchlines na fronteira do mau-gosto, o descaramento, o narcisismo extremado), e que se servem de toda e qualquer manifestação sua para uma desavergonhada exploração... do clickbait, venham agora a terreiro condenar o disco por esses mesmíssimos aspectos (francamente, fica a ideia de que, aproveitando o hype actual segundo o qual é de bom-tom reprovar West, não escutaram o disco seriamente, só isso explicando que nem sequer tenham compreendido como ele é o que mais próximo está, afinal, dos seus três primeiros e consensuais álbuns…)".


quarta-feira, 6 de junho de 2018

ípsilon - "KOD", de J. Cole



No Ípsilon da última sexta-feira, continuo a acompanhar a obra de J.Cole, talvez a grande - a "única" - mácula na programação do dia 20 Julho do Super Bock Super Rock, verdadeiro histórico pelos nomes de hip-hop/R&B que concentra.


"Integralmente produzido pelo próprio Cole (e tende-se a esquecer o seu virtuosismo neste departamento), 'KOD' – que, tal como '4YEO', não inclui qualquer convidado – prolonga a excelência dos arranjos (samplados e tocados) que já campeavam em '4YEO'. Algo imedia...tamente perceptível no trompete de 'Intro”, nas teclas de 'Photograph' (dedos de Ron Gilmore), no baixo de Nates Jone em 'Once an Addict' (incursão biográfica sobre a figura materna, ela própria uma ex-alcoólica e consumidora de crack) ou, ainda, nas cordas de 'The Cut Off' (soberba voz distorcida de kiLL edward, alter-ego de Cole que se crê corresponder ao seu abusivo padrasto), talvez o mais belo momento de todo o disco, condensador, aliás, da atmosfera jazzisticamente melancólica (e vice-versa) que tem caracterizado os seus últimos trabalhos: 'I know Heaven is a mind state, I've been a couple times / Stuck in my ways so I keep on falling down', dessacralização curiosa vinda de um rapper cristão (mas não menos existencialista) como Cole".


On-line: https://www.publico.pt/2018/06/03/culturaipsilon/critica/que-a-dependencia-e-uma-besta-1832406

segunda-feira, 4 de junho de 2018

celebrámos a palavra na
cama
como todas as coisas devem ser celebradas
(quase todas)
a luz a entrar demasiado cedo no teu quarto
intrusões que não compões

armados de uma filosofia imbatível, apuradíssima, coada pelos muitos e derrotados dias, celebrámos

Não
(no princípio não era o Verbo, foi
a quietude do substantivo
olhos que dispensam mãos e coxas se tudo
o que queremos
é fixidez
o contrário da
acção, berlindes
que se devoram, imobilizados)

deixámos para amanhã o que podíamos fazer hoje, contrariámos o
universal e absoluto princípio
da eficiência. fora com esses
tecnocratas!

fizemo-nos revolucionários da espera
inaugurámos o comité da paciência
vírgula da
demora
e do
tactear

Pê Dê Tê! Pê Dê Tê! Pê Dê Tê!

prometemos corpos que cantarão amanhãs
mas só cantarão amanhãs
amanhã
hoje,
não
hoje,
Não é
a palavra
amanhã será com certeza
outra

promessas nada vãs para quem
nos quisesse ouvir ou
ver
como esse teimoso e furtivo sol
partículas alienígenas que te doiram a franja

migalhas que não limpo
copo de água que tombo
pelas tuas costas
a enxurrada cobre-me dos pés à cabeça
tu não vês
(o frio não se vê)

e novamente
Não
vai tu primeiro, eu
vou a seguir
separaste assim as águas
sim, Não! claro, Não, Não
e Não

monossílabos crescem orgulhosamente em nós, rebentam em
afirmativas esplendorosas que nos elevam
do chão
literalmente, digo
a já não sei quantos mil pés de altitude de ti
vou ao Nimas fazer tempo
ignorando que me falarás da Marine
(os fantasmas conhecem-se, já devia saber)

seres
teres sido

projecção
?

se as sombras do teu quarto não desapareceram
quando a luz
entrou

projector estragado.
bobinas que se emaranham no peito.
larguem-me, deixem-me as veias em paz
sangue quer correr livremente
na cabeça o
botão
ligar
desligar

sexta-feira, 1 de junho de 2018

... And I need your love and reaction


 
 
(Eunice Collins, single, 1974)

meus pés, onde


 
 
(LP Arthur Verocai, 1972)
 
 
"Depois de sonhar no sofá
Desfiar minhas contas sem fim
Se nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A praça, o povo, a fé
O campo, a bola, o café
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A gente, o porto, o cais
O medo, a vida, o revés
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?



A gente, o porto, o cais
O medo, a vida, o revés
E nada vai bem ou vai mal
Que mapa estão os meus pés?"

Entrevista com Black Milk - Público

Tocou a semana passada em Lisboa (Music Box) e no Porto (Plano B)  na companhia da extraordinária Nat Turner Band. À conversa com Black Milk no Público:
 
 
 
Artigo que escrevi há umas semanas sobre o seu disco "FEVER":
 

Entrevista para o Porto Canal


Link para entrevista que demos ao Porto Canal a propósito do nosso filme Não Consegues Criar O Mundo Duas Vezes:
 


(Ramiro, 2017, Manuel Mozos)