quarta-feira, 19 de janeiro de 2022



(LP Brainstrom, 1976, The Osmonds)


(LP Gift, 1981, Michael Lloyd)

 


(Oldboy, Park Chan-wook, 2003)

domingo, 16 de janeiro de 2022


(Mandabi, 1968, O. Sembène)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

A vida pouco secreta das estátuas




À noite, no Museu... Novo texto para o À pala de Walsh



… Mas a legenda nunca é suficiente. Não porque a informação dela constante seja excessiva para caber num pequeno expositor, nem pelo facto de o visitante poder eventualmente não compreender o que vê diante de si mesmo se “legendado”. Antes porque onde o visitante (e ressalve-se o controvertido sujeito plural abstracto proposto pelo filme) vê o pitoresco, um negro – di-lo o filme – vê Cultura. Não são estátuas, afinal, mas pensamentos escritos em madeira, aliás incompreensíveis para quem os decide expôr (não só para quem os visita, então). A célebre máscara do primeiro plano da casa de La noire de… (1966), de Ousmane Sembène, também fala sobre isto: objecto decorativo para os patrões franceses, peça ou fragmento de cultura e tradição para a empregada doméstica (e, todavia, em Mandabi, também realizado por Sembène, um quadro de máscaras africanas surge, não menos descontextualizado, na casa de um burlão… senegalês). O “Nous ne savons rien” – primeiro e humanista passo na relação com o Outro – proferido por Negroni ecoará três anos depois no “De ce dortoir de briques, de ces sommeils menacés, nous ne pouvons que vous montrer l’écorce: la couleur” de Nuit et Brouillard; e, um pouco mais tarde, no “Tu n’as rien vu à Hiroshima” sussurrado por Emmanuelle Riva… Em todos eles, o abismo na perda da Memória e suas consequências. É esse descaminho da Memória – o esquecimento – que explica o dilema colocado pelo filme, a saber, a contemporaneidade de certas obras pelo gesto de interpelação que colocam ao presente e, simultaneamente, o desconhecimento, a ignorância sobre a sua origem e o seu contexto por parte de quem as observa, i.é, por quem elas é interpelado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Calmas são as imagens



(Os Chinchilas, 1968)

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

Neverland




(Licorice Pizza, 2021, PTA / Peter Pan, 1953, C. Geronimi, W. Jackson, H. Luske)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

2021 - C'est moi, c'est Lola!


 

The Passenger era o filme.

When time was all we had



(LP Time, 1987)

Who do you love



(LP Time, 1987)

Yeah!




(LP Time, 1987, Richard Carpenter)


 

(It Comes at Night, 2017, T. E. Shults)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

notes to self



Rat Film *
Benedetta ***
The Card Counter ***
Mães Paralelas ****
Roda da Fortuna e da Fantasia ***
West Side Story *
Destello Bravío ***
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Dumbo ***
Maria do Mar ***
Ten Skies **
Toute la mémoire du monde ****
Nuit et Brouillard *****
Happiness (T. Solondz) ***
O Tio Boonmee que se lembra das suas vidas anteriores ***
Bunker (S. Aguilar) **
Jaime (A. Reis) **
In the street (H. Levitt) ****
The wonder ring (S. Brakhage) ****
Bridges go round (S. Clarke) ****
Twenty four dollar island (R. Flaherty) ***
Walden (J. Mekas)***
Sunday (D. Raisin) ***
A Movie (B. Conner) ****
Home Stories (Mathias Muller e Dirk Schaefer) ***
Vanity Tables of Douglas Sirk (M. Rappaport) ****
Passage à l'acte (M. Arnold) ***
De l'origine du XXIe siècle (Godard) ***
Jackie Chan - How to do action comedy (T. Zhou) ***
Gestos do Realismo (M. Leitão) **
Shapes of Rage (A. Martin e C. Alvarez) ***
Transformers (K. B. Lee) *
Double Strenght (B. Hammer) **

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Only for tonight



(LP Magic Mirror, 2021)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

2021 - RAPPER'S DELIGHT

1. Donda (K. West)
2. Unlearning Vol. 1 (Evidence)
3. TAO (Shad)
4. Soulful Distance (Devin The Dude)
5. All The Brilliant Things (Skyzoo)
6. Imaginary Everything (L’Orange e Namir Blade)
7. Conversation Peace (Damu the Fudgemunk)
8. Doe or Die 2 (AZ)
9. Bushido (Mello Music Group)
10. Big Sleepover (Big Boi)
11. King's Disease II (Nas)
12. The Hour Of Khrysis (Khrysis)
13. Finding Inspiration Somehow (Gift of Gab)
14. The Color Blu(e) (Blu)
15. Arroz (Frank T) / Bface - Egoritmos
16. Rule of Thirds (Planet Asia)
17. Don’t go tellin’ your Mama (Topaz Jones) / A Beautiful Revolution, Pt. 1 & 2 (Common)
18. DPG 4 Life (Tha Dogg Pound)
19. Blacklight (Apollo Brown e Stalley)
20. A Martyr's Reward (Ka)
21. Faygo Baby (Kipp Stone) / South Sinner Street (Solemn Brigham)
22. Autograph (Joell Ortiz)
23. The Off-Season (J. Cole)
24. The Algorithm (Snoop Dogg)
25. Keith's Salon (Kool Keith)
26. Roteiro Pra Aïnouz, Vol. 2 (Don L)
27. Soil (Hiero)
28. Nino Green (Kaimbr e Sean Born) / Stellar Mind (Beneficence e Confidence)
29. Exodus (DMX)
30. Frequency (Lewis Parker)

2021 - CANTIGAS DE AMIGO (PT/LSFN)



1. Independência (Paulo Flores)
2. A Flor da Urtiga (Maria Reis)
3. O Homem Que Viu O Sol (Smoked Hills)
4. Shaitan (Roke)
5. Portal (Marcus Amadeus)
6. Vida Dupla (Rapaz Ego)
7. Assim Como Vai (Sitah Faya e spock)
8. The beginning, the medium, the end and the Infinite (IKOQWE)


Outros (sem ordem): Viver Sensivelmente (Silly), Home Alone (Dirty Bungalow), Limites (Each1), 20.000 Éguas Submarinas (Rui Reininho), Olhos de Vidro (Tekilla), Sem Título (M.A.C.), Rafeiro (Stray), Requiem (Melo D)

2021 - JAMS



Ho Ho Ho... Muito para ler no Ípsilon da última sexta-feira. Merry Funky Xmas


1. Donda (K. West)
2. Music (Benny Sings)
3. Pink Noise (Laura Mvula)
4. Smiling With No Teeth (Genesis Owusu)
5. Unlearning Vol. 1 (Evidence)
6. Independência (Paulo Flores)
7. TAO (Shad)
8. Soulful Distance (Devin The Dude)
9. Seven (Cameron Graves)
10. If It's Any Constellation (Issy Wood)
 
 
Outros (sem ordem): Small Things (Nick Hakim e Roy Nathanson), We Are (Jon Batiste), Daddy's Home (St. Vincent), El Madrileño (C. Tangana), Prosthetic Boombox (Cola Boyy), American Lullaby (Dean Friedman), Open Arms to Open Us (Ben Lamar Gay), In Plain Sight (Neal Francis), An Evening With Silk Sonic (Silk Sonic), Drones (Terrace Martin), BLK VINTAGE (BLK ODYSSY), Colourgrade (Tirzah), Shelley FKA DRAM (Shelley), Love Suite (Contour), Jam & Lewis: Volume One (Jimmy Jam e Terry Lewis), Purest Form (James Francies), Still Sucks (Limp Bizkit), Somewhere Different (Brandee Younger), Sgt Culpepper (Joel Culpepper), Beat Tape II (Benny Sings), Heaux Tales (Jazmine Sullivan), Son (Rosie Lowe e Duval Timothy), Buscando La Vida (Henry Cole & Villa Locura), Talk Memory (BadBadNotGood), Batidas, Rimas e Filmes (Radiola Santa Rosa), VWETO III (Georgia Anne Muldrow), Desafío Candente (Gustavo Cortiñas), Submarine (Wesley Joseph), Intra-I (Theon Cross), Primordial Waters (Jamael Dean), Roseville (Har Mar Superstar), Magic Mirror (Pearl Charles), Black Metal 2 (Dean Blunt), Going Normal (Matt Martians), Big Sleepover (Big Boi), Furto (Vasconcelos Sentimento)

*

Ao contrário das salas de cinema, que, depois de uma longa modorra, conheceram entusiasmante recta final (a grande banda-sonora do ano pertence a A Noite Passada em Soho), 2021 testemunhou um trajecto francamente descendente no que aos discos diz respeito. Sintomaticamente, a esmagadora maioria dos discos capaz de nos roubar um momento de júbilo foi lançada até Setembro/Outubro — por exemplo, Donda. Nem uma pandemia deita abaixo Kanye West, e não falamos apenas na música — em tempo de covid, o americano passou a auto-encenar-se com máscaras grotescas, esquizóides, fascinantes (as fotografias de West captadas por transeuntes na rua, lojas ou aeroportos são do mais espectacular que a pandemia nos deixará em imagens). Algum tempo depois, aparecia com a ex-mas-afinal-ainda-mulher Kim Kardashian nas passadeiras vermelhas, os dois tapados de preto dos pés à cabeça pela mesma altura em que os talibãs recapturavam o Afeganistão e o mundo se apavorava, como se fosse em sua casa (uma home invasion pela TV…), com o regresso das burqas. Um iconoclasta permanentemente reconfigurando a cultura popular cuja longa (e rara) entrevista no programa Drink Champs, em todo o seu excesso (e humor), veremos nos próximos anos samplada por meio mundo.

Uma das grandes revelações do ano (a outra é Genesis Owusu) vem de Birmingham (terra dos Duran Duran, The Streets, Dexys Midnight Runners…). Leia-se revelação cum grano salis, na medida em que Laura Mvula (inglesa de pai jamaicano e mãe de São Cristóvão, no Caribe), com formação clássica em composição, já foi em tempos a next big thing da música inglesa: em 2013, assinava pela RCA (EP She), cujo êxito lhe valeria Sing To The Moon (2013) e The Dreaming Room (2017), ambos com o selo da Sony. E ainda houve arte e engenho para compor para Antony & Cleopatra, apresentada pela Royal Shakespeare Company. Até que… Até que, com apenas sete linhas de um e-mail, ficou a saber que a Sony agradecia os seus préstimos, mas que, enfim, “best regards”, era chegada a hora de zarpar. A inglesa abanou, mas não caiu, e Pink Noise, agora com o beneplácito da Atlantic, não só é o seu melhor disco (como um filho de Michael Jackson e Grace Jones) como se constitui num retumbante tour de force de uma cantora de raiz jazz e gospel por território eighties.

Após dois anos manifestamente vigorosos, o hip-hop (inclusivamente o português) atravessou um período de serviços mínimos que, com umas quantas excepções, trabalho notável algum gerou (obviamente que algumas publicações, especialistas em Política e Contabilidade das Visualizações, se apressam as incluir as patetadas trap nas suas escolhas, mas isso é outra história). Uma delas é Unlearning Vol. 1, do também fotógrafo Evidence. O californiano, passe o eufemismo, não tem tido uma vida fácil (em pouco tempo morreram-lhe a mãe e, logo de seguida, a namorada e mãe do seu filho ainda no berço), e o primeiro tomo desta aparente nova série prossegue o seu introspectivo Budō, um des-nascer em sotto voce, profundo, penetrante (e que nos deve fazer reavaliar se a estética drumless beat, hoje dominante no underground nova-iorquino, não teve origem, afinal, em Los Angeles…). Outros trabalhos para guardar: BLK VINTAGE (BLK ODYSSY), Small Things (Nick Hakim e Roy Nathanson), Colourgrade (Tirzah), Shaitan (Roke), Shelley FKA DRAM (Shelley), American Lullaby (Dean Friedman), O Homem Que Viu O Sol (Smoke Hills), All the Brilliant Things (Skyzoo).

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

2021 - FLICKS



1. Tre piani (N. Moretti)
2. Madres paralelas (P. Almodóvar)
3. Benedetta (P. Verhoeven)
4. Undine (C. Petzold)
5. Bergman Island (M. Hansen-Løve)
6. The Card Counter (P. Schrader)
7. Last Night in Soho (E.  Wright)
8. Halloween Kills (D. G. Green)
9. Malignant (J. Wan)
10. Rifkin’s Festival (W. Allen)


Outros (sem ordem): Minari , La Flor, First Cow, France, Titane, The Human Voice, Miss Marx, Roda da Fortuna e da Fantasia.


O critério adoptado é o de sempre: filmes estreados apenas e só em sala. Carpir o encerramento das salas decorrente da pandemia e depois, na reabertura, ver estreias em casa é peditório para o qual, se alguém já deu, só desperdiçou os tostões necessários para um bilhete de cinema (até os sites que contabilizam as estreias passaram a incluir os néteflicses e quejandos nas suas listas; se não os podes vencer, não te juntes mesmo a eles). Sim, foi um ano que começou mal: ainda se ouviam os ecos das Janeiras e eis que as salas, já de si túmulos fantásticos, se amortalhavam. Depois da reabertura, poucos motivos de regozijo. Só foram chegando mesmo no último semestre, trimestre até, primeiro timidamente (A Ilha de Bergman, Maligno), depois com estrondo (Almodóvar, Moretti, Verhoeven). A Flor poderia ser uma empreitada formidável, as primeiras duas partes (e, em parte, as últimas duas) para isso apontam; depois, vem a redundância, o vazio de ideias, a mesmidade de soluções. É pena. 2021 terminou com Dumbo (1941) (e com a enésima constatação de que a memória é uma cousa tão consistente como um gelado ao sol) – em sala, claro, a da Casa das Artes (Cineclube do Porto). Pela primeira vez desde a estreia de L’arrivée d’un train à La Ciotat (1896), não foi possível mandar calar os faladores na sala – “Oh, Mãe! É um elefante no ar…!”… Casa das Artes onde, aliás, é por estes dias possível visitar a exposição "Mário Bonito: Experimentação do Moderno", por ocasião dos 100 anos do nascimento do cineclubista, cinéfilo, artista e arquitecto portuense. Imperdível. 2022, andiamo!