terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Jungleland


(LP Born To Run, 1975)

Born to Run


(LP Born To Run, Bruce Sprinsgteen, 1975)

Come and Get Your Love


(LP Wovoka, Redbone, 1973)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Final Form!


(LP The Return, Sampa The Great, 2019)

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Circle Of Life


(LP So Legendary, Lords of the Underground, 2025)

sábado, 10 de janeiro de 2026

Jin, Jîyan, Azad


Pensar no Petzold de Barbara, Jerichow, Phoenix, etc. e ver agora um objecto como Miroirs no. 3 é uma experiência da ordem do sofrível: quanto esquematismo (realismo vs sobrenatural, plano inicial de rosto vs plano final de rosto, revelação narrativa vs explosão da máquina de lavar, o doppelgänger e "a mulher que viveu duas vezes" tratados sem ponta de rasgo), quanta desinspiração, quanto, enfim, academismo. Quando o filme já vai no seu terço final e o filho grita a Laura "Tu não és minha irmã!" - eis a definição de anti-clímax. Que cansado está o cinema de Petzold.

Um dos grandes filmes da colheita iraniana dos últimos anos (também por se desviar da própria tradição dessa linhagem), juntamente com 3.ª Guerra Mundial, Holly Spider e Estrada Fora. Engenhoso, intenso, imaginativo, tudo o que o separa, portanto, do último Panahi (pai). Do filme político de conspiração para o thriller psicológico, quase slasher! (um homem perseguindo e aprisionando 3 mulheres), do melodrama para o filme de paranoia; da opressão de todo um regime político-religioso para a opressão primordial do pater familias (sem maniqueísmos: este era o homem angustiado, isto é, com uma reserva de humanismo, por ter de sentenciar homens à morte sem poder avaliar os seus casos). As ruínas da aldeia-fantasma da última cena e as ruínas de uma família-fantasma, morta-viva, dadas pela experiência do tempo de três horas. ... Jin, Jîyan, Azad!

Rythm & Blues


SINNERS: Uma primeira hora magnífica, com a chegada de dois obscuros irmãos (vêm de Chicago, cidade que os seus conterrâneos imaginam como a utopia da igualdade mas que eles rapidamente desmentem, e da companhia de Al Capone) e a sua panorâmica visita à comunidade. Perde-se depois o filme quando aposta tudo no huis clos, que, no caso, significa a desinspirada citação (Tarantino, Rodriguez, etc.). Mas há uma cena que ninguém tira a Ryan Coogler e que só por isso nos deve fazer olhá-lo com a maior das considerações.

No carro, Delta Slim, o ancião bluesman, recorda o dia em que, depois de ele e um amigo serem pagos por tocar na casa de uma família branca (à qual foram forçadamente levados pelos polícias criminosos que os encarceram na noite anterior), Rice (nome do mesmo produto extraído das maiores plantações de escravos), o amigo, decide, com esse dinheiro, apanhar um comboio rumo a Little Rock para fundar uma igreja (espalhando a fé dos... opressores; ou, simbolicamente, para "fundar" outra "igreja", a de um género musical chamado "Rock"). No comboio - continua a contar -, é apanhado por elementos do Klan, que, inventando a história de que Rice havia assassinado um homem branco e violado a sua mulher na noite anterior, lhe roubam o dinheiro e o lincham ali mesmo, na estação de comboios.

Nesse momento, Slim tropeça dolorosamente nas palavras e, finalmente, cala-se fundo. Passados alguns segundos, a dor não mais encontra onde se alojar no corpo e Slim começa, muito baixinho, aflitivamente, a tartamudear algo, um pequeno silvo timidamente crescendo até se volver num melódico uivo, ao qual os os seus dedos, tamborilando no couro do assento, adicionam... ritmo. Rythm... and Blues. E, então, os restantes, juntando-se ao uivo, cantam, cantam, cantam - despite all the suffering...
Assim de repente, não me lembro de ver no cinema a radical origem de toda a música afro-americana (dos spirituals ao ragtime, do jazz ao rock e à soul, do hip-hop ao funk e ao house) tão brilhantemente - e tão subtilmente - explicada. Chapeau, Chapeau, Chapeau.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Ingenuidade


(Jorge da Capadócia, posteriormente São Jorge, a matar o dragão)


paga-se caro o preço da candidez. aquele que é, de longe, o mais entusiasmante candidato à PR é também o mais ingénuo. o que pode ser – a Ingenuidade – uma Virtude na filosofia moral e política transforma-se, neste lugar, num atestado de óbito. o que jorge pinto propôs é do mais elementarmente sensato: a agregação das esquerdas num só candidato de forma a evitar que um fascista anti-democrata e anti-republicano (passe a redundância), ordinário e mentiroso até à medula, passe à segunda volta. se este não é o momento crítico, antecâmara do trágico (já em pleno andamento em países sobejamente conhecidos), para a agregação, qual será exactamente esse momento? que as esquerdas não aceitem que a mera passagem de tal indivíduo à segunda volta (independentemente da derrota em maior ou menor número nessa sede) constituirá uma enorme vitória pessoal e um motor de empoderamento adicional (!) para todo o movimento de extrema-direita que ele representa, embora não surpreendendo, só mostra como, de facto, não podemos ser – como o candidato do livre – ingénuos (hélas!): uma parte da esquerda mantém-se, malgré tout, sectária e irresponsável.
é sensivelmente a mesma (neste capítulo partilhando curiosamente, ironicamente!, do mesmo argumentário da direita) que promete, depois de noutras alturas brandir "fascistas!" por tudo e por nada, que isto ainda não é bem o “fascismo”, aguardando pacientemente que ele apareça sob a forma de um tipo muito aprumado, em impecável farda militar, com um lustroso exemplar do “Il manifesto dei fasci italiani di combattimento” ou de um aturadamente anotado Mein Kampf debaixo do braço. podem esperar sentados, contanto que ainda o estejam (sentados), e em bom estado, no momento em que a serpente os enlaçar por completo.
dito isto, pela minha parte, a questão é até anterior e mais aguda: qualquer eleitor genuinamente democrata e republicano que ponha os princípios fundamentais do estado de direito à frente das suas idiossincrasias, colocado perante a hipótese da passagem de um candidato anti-democrata à segunda volta num ambiente global fascista como o que se vive, só pode votar nos candidatos, mesmo que de um espectro político distinto do seu, que possam obstar a tal cenário.
o momento é de viragem, os mais basilares valores na berlinda estão – o candidato jorge pinto, ingénuo, não teve pejo em assumi-lo e oferecer-se ao sacrifício (houve um santo, do mesmo nome, que também se sacrificou, com não menor ingenuidade, contra os romanos pela crença naquilo que entendia como o fundamental), eventualmente não ponderando os custos de tal audácia (o desprezo, até uma certa fanfarronice, como a sua proposta foi recebida pelos candidatos de esquerda no debate televisivo foram penosos de ver). tem a minha maior consideração por isso.

2026


(Sanabria, 28-12-2025)

2026. Ano feliz a todos.

P E A C E

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Nativo


(LP Toda A Gente Pode Ser Tudo, NBC, 2016)


Masterpiece!

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Davina McCall


(LP Moisturizer, Wet Leg, 2025)


Ask me if I love you, baby, you already know
It's that kind of love
(...)
We're growing with the pain, we dry each other's tears
You know, you're my sweet baby angel
(...)
To spend an hour with you
Just say and l'll come through
It's kinda cold on Earth anyway
When you're not around

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

notes to self

Keeper **
Urchin ***
A História de Souleymane ****
Lumière, A Aventura Continua ***
O Riso e a Faca ***
Sinners ***
Henry Fonda For President ***
--------------------------------------------
Wall-E ***
The Mask ***

Acordeon


(LP Canções Que Fiz Para Quem Me Ama, Paulo Flores, 2025)

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

2025 - CINEMA



As minhas escolhas para o À pala de Walsh (a nossa lista colectiva aqui) e, abaixo, algumas considerações.

Outros: Babygirl, O Brutalista, Here (Zemeckis), Where To Land, Cão Preto, The Shrouds, Sorry, Baby, Flow, Apanhado a Roubar, The Smashing Machine, Lumière, A Aventura Continua, Keeper, All We Imagine as Light (só visto em Janeiro deste ano).
*

Convém lembrar que estamos em pleno fascismo; já não é a sombra do seu regresso, ei-lo em carne e osso. Neste estado de coisas, olhar muito cuidadosamente para o ano que passou e proceder a uma criteriosa escolha de filmes não deixa de possuir algo de fútil ou vão. É com angústia que o digo. E achar que o cinema pode ser um refúgio é algo que, lamento, neste momento não me consola. Por isso, refugiar-me-ei, antes, na objectividade: 2025 foi, de facto, um belo ano de cinema.
Nunca saberemos aquilo (música ou outra coisa? E na primeira hipótese, que música?) que Moses escuta nos headphones (mas será que… ouve mesmo alguma coisa? Ou apenas noise cancelling…?). No que me toca, gosto de pensar que será o ruído de aviões serenamente planando nos céus… Ao contrário do que o título promete, as Hard Truths podem bem não ser sequer aquelas de que as personagens conversam, lamentam, choram. Há um passado demasiado silencioso (secreto?), demasiado determinante, a espreitar.
Uma lição de como fazer um filme político sem ser simplista e panfletário. Desconcertante, comovente: um rapaz perfeitamente des-politizado, um lumpen-estafeta, um “alienado” no sentido marxista, a passar-se por militante político para conseguir asilo num país onde é apenas mais um perfil (nem sequer o dele, apenas mais uma lucrativa commodity) numa app de entrega de comida. Bravíssimo Souleymane; Bravíssimo, Sangare!
Julia Roberts, oh, Julia Roberts! Que filmes poderia ela ter feito, com que realizadores poderia ter trabalhado… Magnífica. Filme de reverberação inusitadamente bergmaniana de alguém que não é conhecido propriamente por saber manejar a gravidade e o silêncio (o melhor filme de Guadagnino desde Call Me By Your Name). Na cena entre Alma e Hank no apartamento à beira-rio (que lugar e que ambiente se ganham com esta aparentemente simples mudança de set, chapeau à direcção de arte!), é como se estivéssemos n’Um Eléctrico Chamado Desejo…
Presence: peça minimal, quase de câmara, com personagens e décors que se contam por uma mão. Teenage angst gótico, glam, em estado puro. Um pequeno grande filme do errático Soderbergh. O melhor filme de Ari Aster desde Hereditary. Não esquecer como tudo começa (primeiríssimo plano): um homem, dentro de um carro, a assistir no telemóvel a um vídeo sobre como convencer parceiros que não querem ter filhos das virtudes da parentalidade. Uma pista: tudo o que se segue com esse homem é, de alguma forma, consequência dessa suprema frustração… Torna a personagem de Phoenix particularmente interessante o facto de não ser, de todo, um trumpista, conspiracionista, um ultra-conservador. Antes um homem-criança (que, inválido, regressará ao ventre), profundamente frágil, perdido. Alguém que não sabe quem é, e que, justamente por isso, pode ser muito perigoso. Há imensos por aí no nosso tempo.
O mais americano dos cineastas não-americanos, Kleber Mendonça Filho é, por estes dias, dos poucos com um sentido tão engenhoso e, mesmo, espectacular de mise-en-scène. Pese embora as fragilidades do argumento, O Agente Secreto é um prazer imenso de se ver. A sequência final, frouxa e desnecessária (muito parecida, aliás, na escrita e na frouxidão, com a de A Vida Invisível de Karim Aïnouz), parece um problema relativamente crónico (Aquarius e o seu risível desfecho).
Eis O Riso e a Faca deste “The Passenger, Profissão: Engenheiro” por terras da Guiné-Bissau, sempre com o seu vermelhíssimo saco de ténis Wilson às costas – sinal de uma irredutível exterioridade ao mundo com o qual se deseja fundir; vermelho como o sangue e o peso histórico que carrega às costas. E como o filme ganharia se tudo ficasse dito com esse saco, dispensando-se os diálogos hiper-didácticos na missão de garantir que a “mensagem” (politicamente simplista) é devidamente passada ao espectador.
Urchin, mas podia chamar-se… The Tramp (os dois termos possuem, originalmente, o mesmo sentido). Bonita a forma como Dickinson subtilmente empresta ao corpo de Mike a mesma graça, a mesma elegante fragilidade (a magreza bailarina), até queerness, de Chaplin (a primeira personagem queer do cinema). Que, pedra de toque, só emergem quando Mike não está under the influence; uma pureza, ou inocência, desvanecendo-se assim que as substâncias tomam conta do seu corpo e impõem uma outra (bravia, musculada) masculinidade. Há, aliás, uma posição corporal característica de Chaplin – sentado, as pernas e os braços esticados, as costas das mãos entrelaçadas pelos dedos, o sorriso envergonhado – que, pelo menos por uma vez, Mike faz sua. A cena em que é seduzido na caravana por Andrea, contra a sua hesitação inicial, é o belíssimo resumo desse amoroso tolhimento do seu corpo.
O Romance de Jim, o resistente gaulês… Que aconteceu ao cinema francês este ano? Tu me manques… Depois do Xavier e do Ramiro de Manuel Mozos, a genealogia prossegue com o Nicolau de João Rosas. Os primeiros 40 minutos de A Vida Luminosa foram das melhores coisas que o cinema nos deu este ano.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

2025 - DISCOS


Os meus discos de 2025. Abaixo uma pequena consideração. A minha canção (e vídeo) do ano não entra nestas contas, porque é do meu irmão e do seu novo álbum Corta as asas pavão, voa! (ouvir). A todos umas Boas Festas e Bons Grooves!

*

Lembro-me de uma conversa com o então editor do Ípsilon em que eu lhe contava, muito surpreendido, sobre o facto de um determinado crítico ter deixado pura e simplesmente de escrever havia já muitos anos. Na altura, parecia-me algo da ordem do inconcebível. De que forma uma paixão (pela música, por escrever sobre música) pode arrefecer (desaparecer?)? Sempre que me perguntam pela razão para nos últimos tempos (na verdade, nos últimos dois anos) escrever tão pouco sobre música (no Público), fico sem saber exactamente como responder. Efeito de saturação natural ao fim de tantos anos?... "Não estás a acompanhar?". Sempre. Os meus dias são, desde os 18, 19 anos, a mesma altura pela qual comecei a escrever em blogs e afins, passados a descobrir discos atrás de discos, por épocas, editoras, estéticas, autores. E as novidades. O certo é que nos últimos anos não tenho encontrado, com raríssimas excepções, discos que me agarrem pelos colarinhos, me agitem ou sacudam, que me convoquem irresistivelmente para os pensar, explorar, questionar (sendo tal qualidade relativamente independente da circunstância de se "gostar" mais ou menos dos mesmos). Ou, simplesmente, com os quais quero passar muitas horas, repetidamente.
Nunca escrevi por obrigação ou necessidade (um privilégio, bem sei), nunca escrevi por escrever, nunca escrevi para fazer número (em quantidade e em protagonismo; embora hoje quem queira protagonismo já nem precise, até porque dá trabalho, de escrever ou alinhar duas ideias com alguma profundidade, basta um... "podcast"). Sempre que sinto - na música, no cinema ou noutro campo - que não tenho nada de pessoal para dizer sobre um determinado objecto, não digo; calo-me. Os anos passam e eu certamente estou diferente (mais velho, também, o que se reflecte no tipo de objectos e mundividências com os quais posso estabelecer uma relação); a música está diferente (pelo menos parte dela; coisas inenarráveis que agora encontram validação simplesmente pelo facto de fazerem "visualizações"); e, não menos importante, a crítica e o jornalismo musical, que já não têm pudor em se balizarem e aludirem explicitamente ao número de streams e visualizações como chancela de alguma coisa, ou que não hesitam em adjectivar de "génio" e "incrível" tudo o que mexe (sobretudo artistas com quem mantêm relações de promiscuidade à vista de tudo e todos; old business, bem sei, mas agora é à descarada nas redes sociais), também são outros, e dos quais eu não me podia sentir mais distante.
Por agora, as coisas estão assim. Mas… we’ve got the jazz, we’ve got the jazz…

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

New York State of Mind


(LP Turnstiles, Billy Joel, 1976)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Feel Something


(EP act right, Sasha Keable, 2025)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025