De repente, no Pão Quente da praceta, o televisor enche-se de um rosto grave, probo, a preto e branco. Reparo nisto enquanto aguardo pelos meus oito bijous e, secretamente, olho ao redor em busca de reacções a esta inaudita aparição de James Stewart. Mas ninguém reparou nesta intromissão de ordem quase alienígena, nesta suspensão do tempo - sim, porque estes rostos e gestos vêm mesmo de outro mundo. The Man Who Shot Liberty Valance. Penso quanto tempo durará este pequeno cataclismo, janela para uma brevíssima utopia. E zás, com o comando de volta às mãos do empregado, a anomalia é diligentemente corrigida, a ordem restabelecida, as “notícias” de volta ao ecrã. É também disto - embora não apenas sobre isto - que trata aquele maravilhoso, pessimista (mas ambíguo), final do Divina Comédia do Ali Asgari (ainda nas salas; corram se quiserem trocar as - isso - notícias sobre o Irão pela imaginação e o lirismo de quem habita essa formidável terra)
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