Todas as sessões serão precedidas de apresentação e acompanhadas de um dossier escrito sobre a obra de Mel Brooks. Debate na sessão de 18 Julho com José Santiago (programador de cinema).
Venham!
+ Info:
RIR, APESAR DE TUDO! O CINEMA POLITICAMENTE INDISCRETO DE MEL BROOKS
De 17 a 25 de Julho na Casa Comum
Programador: Francisco Noronha
Programa completo:
17 Julho
18h30: The Producers/O Falhado Amoroso (Mel Brooks, EUA, 1967)
18 Julho
15h00: To Be Or Not To Be/Ser Ou Não Ser (Alan Johnson, EUA, 1983)
18h30: Blazing Saddles/Balbúrdia no Oeste (Mel Brooks, EUA, 1974) + Debate com José Santiago (programador de cinema)
24 Julho
18h30: Young Frankenstein/Frankenstein Júnior (Mel Brooks, EUA, 1974)
25 Julho
15h: High Anxiety/Alta Ansiedade (Mel Brooks, EUA, 1977)
18h30: Life Stinks/Porca de Vida (Mel Brooks, EUA, 1991)
Quantos ciclos de comédia enquanto género cinematográfico se vêem por aí? Poucos, muito poucos, sintoma de como o humor ainda é visto, redutoramente, como mero “entretenimento” ou forma de alienação (o que em si mesmo nada tem de pernicioso, diga-se em qualquer caso). Num tempo marcado pela incerteza, a escalada militar, a polarização e um sentimento crescente de medo colectivo, fazer comédia nos nossos dias é, de certo ângulo, um acto político; e rir é, podemos dizê-lo, mais do que um gesto profundamente natural e humano, um acto de resistência contra a normalização da violência, do autoritarismo e do desespero.
É neste contexto que se propõe a realização de um ciclo de cinema dedicado a Mel Brooks, de quem se celebram 100 anos em 2026 (ainda vivo!), uma das grandes - mas mal-amadas - figuras da história do cinema cómico. Na dupla condição de realizador e actor dos seus filmes, Brooks construiu uma obra singular que alia o humor desregrado e despretensioso ao comentário e sátira políticos e culturais. Dialogando de forma directa com a história do cinema, através de uma paródia e desmontagem dos códigos do cinema clássico e popular (que o norte-americano, importa sublinhar, ama e admira) e de géneros (musical, western, terror, suspense, policial), Brooks mostra como as imagens moldam o imaginário colectivo e como o humor, ao questioná-lo, pode expor os mecanismos do poder e suas narrativas dominantes. Herdeiro do slapstick e da comédia verbal clássica (dos irmãos Marx à tradição da stand-up comedy), Brooks atualizou esse legado para o cinema moderno, satirizando o totalitarismo, o racismo, a ordem e os mitos que a sustentam, bem como denunciando a ganância e as hierarquias sociais, desta forma continuando os seus filmes a interpelarem, pois, o nosso presente. O humor não banaliza o horror, antes o desarma e destitui-o do seu poder simbólico - ou, nas suas palavras, "A comédia destrói a dignidade do inimigo".
Noutros casos, porém, interessa-lhe a piada pela piada, o chiste pelo chiste, a desfaçatez por si mesma. O seu humor é, por isso, excessivo, provocador e, frequentemente, desconfortável, justamente porque se recusa a ser neutro ou inofensivo, não se coibindo de visar vilões e vítimas, opressores e oprimidos. Revisitar a sua obra é não apenas celebrar o centenário do seu autor, mas, também, reafirmar o valor da liberdade, da inteligência crítica e da capacidade de rirmos dos outros e de nós mesmos. Rir, apesar de tudo.

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