quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

As relações entre pessoas que se estimam conseguem ser admiráveis. Admiráveis para nós, que as observamos e desenvolvemos. Sorriem, penso gosto dele, um percurso fortuitamente em comum ao fim do dia de volta para casa, não o imaginava assim tão gentil, um almoço que calha bem naquele dia aos dois porque eu saio ao meio dia e tu só entras às duas, não é?, recordações iguais em tempos e situações diferentes, han o teu pai chama-se António? engraçado o meu avô também, um dia que passou e o calendário que conta um ano por cada um: não gostas de peru como é isso possível? morria se tivesse que comer bacalhau. A surpresa de uma correspondência não expectável, a urgência de um afecto atendida e... já estou farto daquele café, eu também já foste aquele?, não tu também não? então vamos lá, não também não tenho nada para fazer. Mãe, estás a ver aqui na fotografia é aquele amigo de que te falei. Ah sim filho lembro-me: o primeiro uso inadvertido da palavra que nos faz piscar os olhos quando fazemos o parto da ideia e a deitamos cuidadosamente, felizes, numa frase.
Os que estimam, chegam então à conclusão, não como meta mas como assomo e entusiasmo, de que olha, gosto de gostar de ti! Gosto de gostar, admiram-se eles com a sinceridade do mais íntimo de si, admiram-se com gostar de gostar porque é um raciocínio que de imediato compreendem obedecer a uma lógica avassaladora: gostar de gostar porque, sim, caramba faz sentido!, o primeiro verbo como etapa mecanicamente anterior do seguinte, sim, como o supedâneo mais natural do mundo, um não vive sem o outro!, gostar não vive sem o gostar de atrás de si. Gosto mesmo de gostar de ti, gosto de gostar mesmo de ti?... E então, ahh! então é como se lhes fizesses cócegas debaixo dos braços!: amizade.

5 comentários:

Clara Mafalda disse...

Dos textos mais bonitos que ja vi por aqui. Faz todo o sentido. Ate ja me deu vontade de ir tomar um cafe, porque ainda nao fui aquele sitios e "tu" tambem nao.

Francisco disse...

Sempre há cafés por descobrir, não é? :)
Obrigado pelas palavras, muito obrigado!

Tiago Ramalho disse...

que suavidade! Muito bonito :) [ó muito bonito refere-se à forma e à substância! Tão práticas as distinçõezinhas jurídicas :)]

Duarte Canotilho disse...

:) Adorei!!! Queria dizer assim algo melhor, mas acho que o adorei é a palavra exacta....

Pipette disse...

Eu compreendo-te, Canotilho...também costumo ter esse problema neste blogue :p