Pensar no Petzold de Barbara, Jerichow, Phoenix, etc. e ver agora um objecto como Miroirs no. 3 é uma experiência da ordem do sofrível: quanto esquematismo (realismo vs sobrenatural, plano inicial de rosto vs plano final de rosto, revelação narrativa vs explosão da máquina de lavar, o doppelgänger e "a mulher que viveu duas vezes" tratados sem ponta de rasgo), quanta desinspiração, quanto, enfim, academismo. Quando o filme já vai no seu terço final e o filho grita a Laura "Tu não és minha irmã!" - eis a definição de anti-clímax. Que cansado está o cinema de Petzold.
Um dos grandes filmes da colheita iraniana dos últimos anos (também por se desviar da própria tradição dessa linhagem), juntamente com 3.ª Guerra Mundial, Holly Spider e Estrada Fora. Engenhoso, intenso, imaginativo, tudo o que o separa, portanto, do último Panahi (pai). Do filme político de conspiração para o thriller psicológico, quase slasher! (um homem perseguindo e aprisionando 3 mulheres), do melodrama para o filme de paranoia; da opressão de todo um regime político-religioso para a opressão primordial do pater familias (sem maniqueísmos: este era o homem angustiado, isto é, com uma reserva de humanismo, por ter de sentenciar homens à morte sem poder avaliar os seus casos). As ruínas da aldeia-fantasma da última cena e as ruínas de uma família-fantasma, morta-viva, dadas pela experiência do tempo de três horas. ... Jin, Jîyan, Azad!
Sem comentários:
Enviar um comentário