quinta-feira, 28 de maio de 2009

à cena

E assim se fizeram à madeira
que não era madeira
mas pedra
perdoem o lirismo de quem vos quer à sua beira.

Fizeram-se à pedra,
portanto
pés dançantes
movimento e canto
s-e-t-e era o número amigo
para o encontro dos teatreiros errantes.

Os ponteiros
nem de pressa nem devagar
andavam
andavam como sempre
como devem andar...

Eles lá iam
por caminhos diferentes
até
à Alegria
dia
após
dia.

Minuto
após
minuto
o espreguiçar sonoro
do recém-nascido fruto.

Segundo
após
segundo
adoptaram caretas e trejeitos
criadores do seu próprio mundo.

tactearam o mundo volátil
do palanque
fácil, o gozo
de um momento sem fosso
lavando e massajando descobertas
nas saliências empedrenidas de um tanque

Sem fosso
Sem quebra
Sem intervalo
a não ser o do fim
o tal do fado.

E agora que o fim chegou
fim mais não há
para a saudade
que o fim cantou

O fim não existe!

A saudade por ele subsiste.
Enquanto houver saudade
ninguém vai crêr
que tu
partiste

Não vou não.

O fim é só uma ilusão triste.

5 comentários:

Joana disse...

:))))

Tiago Ramalho disse...

Gostei do poema no seu todo.

Mas algumas partes estão mesmo maravilhosas: toda a parte que começa em os ponteiros até ao fim!

direitoàcena disse...

"On n'oublie rien de rien
On n'oublie rien du tout
On n'oublie rien de rien
On s'habitue c'est tout"

(Paroles, Jacques Brel)

(É francês, Francisco ;-))

LN

l. disse...

parabéns.l.

Margarida disse...

lindo, babe!