terça-feira, 9 de setembro de 2008

mi Barcelona es su Barcelona (IV) - Poble Espanyol

O Poble Espanyol é um recinto circundado por muralhas que pretende ser um repositório cultural e social de Espanha. Como se costuma dizer, Espanha não é um estado: são vários estados (ou regiões autónomas, para ser mais preciso) juridicamente unificadas numa só. De forma mais ou menos harmoniosa (veja-se o País Basco ou a Catalunha).
Ora o Poble Espanyol procura reunir num só espaço os fragmentos dessas diferentes identidades, ou pertenças na visão tão clarividente de Amin Maalouf no seu livro Identidades Assassinas.
O que procura então reunir? As diferenças estéticas urbanas, desde as ruas às fachadas arquitectónicas das casas. As lojas estão também dividas por zonas de Espanha. Assim vamos na rua, olhamos à nossa direita e encontramos a casa-loja do País Basco.
A ideia até parece engraçada até ao momento em que descobrimos que a casa-loja do País Basco se resume à sua construção arquitectónica. Porque quem está lá a trabalhar ou os produtos que estão a vender não são do País Basco nem coisa parecida. São produtos. Tudo artesanato, é certo. Mas produtos, feito algures. Isto foi-me contado pelos próprios empregados das lojas. A partir daqui, a visita tem o seu quê de desilusão.
No extremo oeste do recinto fica um fantástico jardim de esculturas, onde muito me diverti a tirar algumas fotografias.
Funciona ainda, perto da entrada do recinto, uma discoteca muito conhecida, cujo nome neste momento não me recordo.










terça-feira, 2 de setembro de 2008

mi Barcelona es su Barcelona (III) - Pavellò Mies van der Rohe

O Pavilhão Miens van der Rohe foi desenhado por Ludwig Mies van der Rohe e projectado como pavilhão da Alemanha na Expo de Barcelona de 1929.
Pretendeu ser um exemplo em bruto da arquitectura contemporânea. Desmontado em 1930, a verdade é que a riqueza estética do espaço, que muitos estudiosos de todo o mundo atraiu, fez com que se repensasse a sua existência na cidade. Depois de muitos anos, e de muitas contrariedades, pode-se dizer que a arte venceu. Em 1980, o Ajuntamento de Barcelona decidiu re-instalar o espaço, comecando a montagem em 1983 e abrindo-a ao público em 1986, no mesmo local de origem.
Apesar de leigo na matéria, a verdade é que o espaço, de medidas reduzidas, é impressionante: pela simplicidade das linhas e formas, pela magnificiência, pelas cores, pelos diversos materiais utilizados, pela luminosidade, pela luxúria também.











da escuridão política russa (ou do jornal do incrível)

Opositor do regime russo morto pela polícia... no carro da polícia.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

mi Barcelona es su Barcelona (II) - Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC)

O MNAC é um edifício de uma beleza, sumptuosidade e monumentalidade assombrosas. Situa-se na Praça de Espanha, depois de se entrar pelo meio das duas grandes torres. Esteticamente, penso que predominam linhas góticas, barrocas e também um toque arabesco.
No interior, apresenta como colecções permanentes salões de pintura e escultura barroca, gótica e renascentista ordenada por ordem cronológica. Quando visitei o espaço, decorria também uma (formidável) exposição dos surrealistas Duchamp, Picabia e Man Ray. Dispõe ainda de uma biblioteca e de um enorme pavilhão.















mi Barcelona es su Barcelona (I)

El Espectador mira, pero no proyecta las cosas, sino que responde a su mirada. La luz que permite ver ya no es sólo la luz del sujeto, del concepto, sino la de las cosas.
(...)
El mirar de El Espectador es un ejercicio erótico, listo para fundirse, pero sin confundirse con las cosas. Para ello tiene siempre el salvavidas del concepto. El concepto es la distancia, la cercanía distante de las coisas, que acomoda nuestra visión a ellas, y nos permite verlas.


Prefácio de José Luis Molinuevo em El Espectador, Ortega y Gasset















sexta-feira, 15 de agosto de 2008

de olhos abertos e sorriso cheio

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!


Música por Fernando Lopes Graça
Letra por José Gomes Ferreira

sábado, 2 de agosto de 2008

Até breve!


As águas do Bósforo continuarão a correr mas eu irei abandonar a jangada por algum tempo. Uma vez mais, as circunstâncias levam-me para o Minho, desta feita para a bucólica Durrães.
Boas férias!

Francisco

quinta-feira, 31 de julho de 2008


A Rebelião das Massas (iniciado em 1926 a partir das crónicas de Ortega y Gasset no diário espanhol El Sol) é um livro assombroso. Em cujas páginas os meus olhos voltarão concerteza a repousar muitas vezes.
Demorei algum tempo a lê-lo porque a absorção das suas linhas assim mo exigiu. Durante esse tempo, muitos foram os momentos em que pensei em deixar aqui alguns excertos. Acontece que quando sublinhava um certo parágrago para aqui o registar, voltava a sublinhar logo outro na página a seguir. Isto foi uma constante do príncipio ao fim do livro. Daí que tenha receio em deixar aqui algumas linhas com medo de esquecer outras. Porque é de facto uma obra assustadoramente inteligente em todo o seu corpo. E, compreensivelmente ou não, como aborda o próprio Ortega, profética.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Diz Goethe:

Só todos os homens vivem o humano.

O humano...

blasfémia (a de Francis Bacon)

Foi criada entre nós a primeira Associação Ateísta Portuguesa (AAP). No seu site, pode conhecer-se o seu manifesto e os seus objectivos.
Caso para dizer... aleluia!

terça-feira, 29 de julho de 2008

fala um portuense



Mais uma vez regressei de Lisboa, mais uma vez trouxe comigo uma vontade gigantesca de lá voltar. Este ano tinha prometido a mim mesmo que iria passear duas semanas por Lisboa como um verdadeiro turista de mapa e mochila às costas. Infelizmente, ainda não sei se será desta que partirei à descoberta dessa ninfa do tejo.
Desta feita, fiquei em casa de uma amiga minha em Alfama. Bem nos meandros daquela teia de ruas, ruinhas, ruelas e vielas, escadarias e corrimões, roupa a secar nas nossas cabeças e gente às janelas, vozes e confusão... ah, tanta vida! Mais uma vez saí de Lisboa a suspirar, perscrutando da janela do carro a misteriosa magnificiência da capital...
Ontem à noite fiquei também a conhecer o Tejo Bar. Para os lisboetas mais apegados a Alfama, o espaço será concerteza um local de já tantas noites passadas. Para mim, virgem na experiência, foi um tempinho delicioso o que lá passei. O Tejo Bar é um tasquito acolhedor com música ao vivo e onde quem toca está no meio de nós a beber uns canecos. Canta-se Amália, Caetano, Chico Buarque e tantos outros...
Oh Lisboa!

Curiosidade: os dois senhores na foto acima - que tirei do google images - estavam ontem lá a tocar.