sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

A Horse with No Name

(LP America, America, 1972)


You see I've been through the desert
On a horse with no name
It felt good to be out of the rain
In the desert, you can remember your name
'Cause there ain't no one for to give you no pain

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Quik Stop

 


(LP The Fall-Off, J. Cole, 2026)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Boots and Shoes

 

(LP The Korgis, 1979)

Everybody’s Got To Learn Sometime


(LP Dumb Waiters, The Korgis, 1980)

Crónica no Público

 


NÓS, OS ALIENS - crónica no Público/ípsilon da última sexta-feira (6-02-2026)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

(Detour, Edgar G. Ulmer, 1945)

Por detrás desta porta giratória, está uma cama (porque por detrás do poder está sempre o... sexo). É um raro, subtilíssimo, apontamento cómico, completamente screwball, no negrume de Detour. Desde ontem que estive bastante tempo a tentar compreender um diálogo. Apontando para a cama, Vera pergunta-lhe autoritariamente: "You know how to work it?". Depois de girar a cama (fechando-a, ou seja, encerrando qualquer possibilidade carnal), Al retorque: "I invented it". O idiomático da expressão escapou-me por completo e há boas razões para isso: é quiçá o único momento de todo o filme em que Al, homem frágil, acossado, totalmente dominado, como uma criança, por Vera, denota alguma força ou confiança. Resposta que a deixa - também pela única vez - congelada, sem resposta. Aliás, essa - a sexualidade, o desejo - é a única reserva de Poder que este homem conserva em relação a ela: por três vezes nega a carnalidade que Vera, ostensiva e despudoradamente, e mandando as convenções machistas às urtigas, lhe exige. A única coisa que Al consegue salvaguardar da autoridade desta mulher está no meio das suas pernas. E não lha dá - ao mesmo tempo que alardeia a sua potência nesse campo. A inversão total, portanto, das relações de poder de género que o cinema clássico americano tão magnificamente contou. Que os censores da cartilha Hays tenham fechado os olhos a isto espanta-me.

Dito isto, apanhei, por acaso, uma entrevista de Fátima Campos Ferreira a Ricardo Ribeiro. O estilo e o tom das perguntas conserva-se há anos: pretensioso, boçal, bacoco. Não foi para isto que se fizeram personagens como Vera!