"(...) a confissão tornou-se, no Ocidente, uma das técnicas mais altamente valorizadas para produzir o verdadeiro. Tornámo-nos, desde então [Idade Média], uma sociedade singularmente confidente. A confissão difundiu longe os seus efeitos: na justiça, na medicina, na pedagogia, nas relações familiares, nas relações amorosas, na ordem mais quotidiana e nos ritos mais solenes: confessam-se os crimes, confessam-se os pecados, confessam-se os pensamentos e os desejos, confessam-se o passado e os sonhos, confessa-se a infância; confessam-se as doenças e as misérias; as pessoas esforçam-se com a maior exactidão por dizer o que há de mais difícil de dizer; confessam-se em público e privado, aos pais, aos educadores, ao médico, àqueles que amam; a si próprias fazem, nos prazeres e nos desgostos, confissões impossíveis a qualquer outro, e com que se fazem livros. As pessoas confessam - ou são forçadas a confessar. Quando não é espontânea, ou imposta por qualquer imperativo interior, a confissão é extorquida; localizam-na na alma ou arrancam-na ao corpo.
(...)
Daí, sem dúvida, uma metamorfose na literatura: de um prazer de contar e de ouvir, que estava centrado na narração heróica ou maravilhosa das "provas" de bravura ou de santidade, passou-se para uma literatura ordenada à tarefa infinita de fazer erguer do fundo de cada um, entre as palavras, uma verdade de que a própria forma da confissão faz cintilar como sendo o inacessível. Daí também esta outra maneira de filosofar: procurar a relação fundamental com o verdadeiro, não simplesmente em si próprio - em qualquer saber esquecido ou num certo vestígio originário -, mas no exame de si próprio, que revela, através de tantas impressões fugitivas, as certezas fundamentais da consciência.
(...). já não a entendemos [a confissão] como o efeito de um poder que nos constrange; parece-nos, pelo contrário, que a verdade, no mais secreto de nós próprios, não "pede" outra coisa senão fazer-se luz (...).
Michel Foucault, História da Sexualidade I - A Vontade de Saber
(negritos meus)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
domingo, 27 de setembro de 2009
sábado, 26 de setembro de 2009
pergunta o Prince:
What was the real reason that Adam never left Eve?
Prince, "The greatest romance ever sold"
Prince, "The greatest romance ever sold"
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
ter fome
durante anos
e nada dizer
nada comer.
ter fome
uma vida inteira
e agonizar
sem eira
nem beira.
ter fome,
comer um pouco.
ter fome,
comer um pouco.
ter fome
e não dizê-lo
ter alimento
e perdê-lo.
ter fome
e lutar estupidamente
por um jejum.
ter fome
e enganar o coração
com um copo de rum.
Olha... tenho fome.
a mesma que a tua
mas como e mastigo
palavras
que tu lês
sozinha,
na tua rua.
durante anos
e nada dizer
nada comer.
ter fome
uma vida inteira
e agonizar
sem eira
nem beira.
ter fome,
comer um pouco.
ter fome,
comer um pouco.
ter fome
e não dizê-lo
ter alimento
e perdê-lo.
ter fome
e lutar estupidamente
por um jejum.
ter fome
e enganar o coração
com um copo de rum.
Olha... tenho fome.
a mesma que a tua
mas como e mastigo
palavras
que tu lês
sozinha,
na tua rua.
domingo, 20 de setembro de 2009
S
Entre o Desenho, o Português ou os Trabalhos Manuais (estes passados a dormir na companhia de um professor acabado de se licenciar em escultura ou pintura), havia também lugar para o Canto Coral.
Nas provas, a rapaziada era avaliada segundo um critério muito óbvio de sonoridade: a afinação. Havia-os, então, afinados e desafinados. Em cada um dos grupos, a virtude ou a deficiência era ainda alvo de graduação: do "desafinado 1" (o menos desafinado) para o "desafinado 3" (o mais desafinado). A moça, virtuosa em tanta coisa do intelecto, havia de ser uma cana rachada merecedora de um injusto "desafinado 3". Injusto porque, digo-vos eu, a haver grau além do 3, ela seria certamente uma das galardoadas.
Já o outro travesso era mais dado ao controlo da voz, que ainda para mais naquela altura começava a ter o seu registo habitual intercalado com umas trovoadas abruptas. Nada que o impedisse, todavia, de pertencer ao grupo dos afinados, embora sem distinção especial - ficava-se pelo "afinado 1" ou 2, na melhor das hipóteses. Diz-se até que terá integrado o coro da igreja das redondezas, mas que a traquinice nunca deixou que por lá ficasse muito tempo. E depois, à outra cana rachada, não a via por lá…
A traquinice, essa, chegava-lhe naturalmente dos amigos e das brincadeiras, mas também da família, especialmente os irmãos mais velhos, cheios de ideias e guerras e sonhos e soluções e revoltas e o mais que os jovens podem ter. Quando a propósito de uma questão que será despertada em linhas mais à frente, lhe perguntei como diabo já tinha naquela idade alguma "consciência política", a resposta veio pronta: por causa dos irmãos, pois claro. Escutava-lhes os entusiasmos e as contestações, retia no seu imaginário as suas bonitas camisas desabotoadas, o cabelo recto e as barbas assumidamente joviais (coisa rara!). E depois eram jovens que trabalhavam, o que lhe fazia crer num misto de seriedade e suor honrado das palavras.
Mas os irmãos, de tanto se entusiasmarem e contestarem, pouco atenção davam ao menino que andava na escola, que tinha trabalhos de casa e que precisava de alguém que lhe comprasse a afia ou o compasso. Por isso ninguém soube quando o rapaz faltou por mais do que uma vez a umas certas chamadas, momentos solenes em que faziam os moços marchar pela escola, bater continência a um superior improvisado e proferir uma catrapada de trissílabos afirmativos ou negativos. E também ninguém teve ideia de que a farda que a escola informara como obrigatória para este tipo de actividades e que os pais - convictamente cumpridores ou não - haviam comprado, era esquecida pelo rapaz nas raras vezes em que se apresentava a estas chamadas. “Os meus pais ainda não ma compraram, Doutor…”; “somos muitos lá em casa, Doutor, sabe como é….”.
Detestava-a desde que lhe passara as mãos pela primeira vez. Mentira. Detestou-a ainda antes, quando a viu nos outros rapazes da sua idade. Detestava-a com o gosto provocador de quem desafia não só o objecto como também a instituição e as pessoas que o pensam. Como quem rejeita desta forma sempre encontra alvos de escárnio e prazer sibilar, especialmente se se tratar de um rapaz de camisa desabotoada, cabelo recto e barba assumidamente por crescer, então rapidamente percebemos como o “S” ao centro da farda o excitava: Sou soldado soviético sem Salazar saber. Quando se apercebeu de como subversivo - nem que só para si próprio - aquele “S” podia ser, é que lá andou uma ou duas vezes com a indumentária. Mas foi sol de pouca dura, pois outras fardas, sem letras, mas com flores, chegariam.
E depois de estas últimas chegarem, jamais alguém teve de usar fardas, nem com letras, nem com flores. (Embora haja por aí quem diga que as letras fazem falta, ou que as flores estão murchas. As fardas, essas, não fazem falta nenhuma, digo-o eu).
Nas provas, a rapaziada era avaliada segundo um critério muito óbvio de sonoridade: a afinação. Havia-os, então, afinados e desafinados. Em cada um dos grupos, a virtude ou a deficiência era ainda alvo de graduação: do "desafinado 1" (o menos desafinado) para o "desafinado 3" (o mais desafinado). A moça, virtuosa em tanta coisa do intelecto, havia de ser uma cana rachada merecedora de um injusto "desafinado 3". Injusto porque, digo-vos eu, a haver grau além do 3, ela seria certamente uma das galardoadas.
Já o outro travesso era mais dado ao controlo da voz, que ainda para mais naquela altura começava a ter o seu registo habitual intercalado com umas trovoadas abruptas. Nada que o impedisse, todavia, de pertencer ao grupo dos afinados, embora sem distinção especial - ficava-se pelo "afinado 1" ou 2, na melhor das hipóteses. Diz-se até que terá integrado o coro da igreja das redondezas, mas que a traquinice nunca deixou que por lá ficasse muito tempo. E depois, à outra cana rachada, não a via por lá…
A traquinice, essa, chegava-lhe naturalmente dos amigos e das brincadeiras, mas também da família, especialmente os irmãos mais velhos, cheios de ideias e guerras e sonhos e soluções e revoltas e o mais que os jovens podem ter. Quando a propósito de uma questão que será despertada em linhas mais à frente, lhe perguntei como diabo já tinha naquela idade alguma "consciência política", a resposta veio pronta: por causa dos irmãos, pois claro. Escutava-lhes os entusiasmos e as contestações, retia no seu imaginário as suas bonitas camisas desabotoadas, o cabelo recto e as barbas assumidamente joviais (coisa rara!). E depois eram jovens que trabalhavam, o que lhe fazia crer num misto de seriedade e suor honrado das palavras.
Mas os irmãos, de tanto se entusiasmarem e contestarem, pouco atenção davam ao menino que andava na escola, que tinha trabalhos de casa e que precisava de alguém que lhe comprasse a afia ou o compasso. Por isso ninguém soube quando o rapaz faltou por mais do que uma vez a umas certas chamadas, momentos solenes em que faziam os moços marchar pela escola, bater continência a um superior improvisado e proferir uma catrapada de trissílabos afirmativos ou negativos. E também ninguém teve ideia de que a farda que a escola informara como obrigatória para este tipo de actividades e que os pais - convictamente cumpridores ou não - haviam comprado, era esquecida pelo rapaz nas raras vezes em que se apresentava a estas chamadas. “Os meus pais ainda não ma compraram, Doutor…”; “somos muitos lá em casa, Doutor, sabe como é….”.
Detestava-a desde que lhe passara as mãos pela primeira vez. Mentira. Detestou-a ainda antes, quando a viu nos outros rapazes da sua idade. Detestava-a com o gosto provocador de quem desafia não só o objecto como também a instituição e as pessoas que o pensam. Como quem rejeita desta forma sempre encontra alvos de escárnio e prazer sibilar, especialmente se se tratar de um rapaz de camisa desabotoada, cabelo recto e barba assumidamente por crescer, então rapidamente percebemos como o “S” ao centro da farda o excitava: Sou soldado soviético sem Salazar saber. Quando se apercebeu de como subversivo - nem que só para si próprio - aquele “S” podia ser, é que lá andou uma ou duas vezes com a indumentária. Mas foi sol de pouca dura, pois outras fardas, sem letras, mas com flores, chegariam.
E depois de estas últimas chegarem, jamais alguém teve de usar fardas, nem com letras, nem com flores. (Embora haja por aí quem diga que as letras fazem falta, ou que as flores estão murchas. As fardas, essas, não fazem falta nenhuma, digo-o eu).
sábado, 15 de agosto de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
grow
"O sabor do verdadeiro conhecimento está definitivamente associado, na minha mente, ao terreno baldio que havia no fim do bairro para onde fui transplantado quando tinha cerca de 10 anos. (...) o mundo estava repleto de maravilha e mistério e só quando estávamos a tiritar de frio no terreno baldio falávamos a sério e sentíamos uma necessidade de comunicar que era simultaneamente agradável e aterradora.
A maravilha e o mistério da vida, que são sufocadas em nós quando nos tornamos membros responsáveis da sociedade! Até sermos forçados a trabalhar, o mundo era muito pequeno e vivíamos na sua margem, na fronteira, digamos, do desconhecido. Um pequeno mundo grego, ainda assim suficientemente profundo para proporcionar toda a espécie de aventura e especulação. E não era assim tão pequeno, pois reservava as mais imensas possibilidades. Não ganhei nada com o alargamento do meu mundo, pelo contrário, perdi. Quero tornar-me cada vez mais infantil e seguir além da infância, na direcção oposta. Quero seguir exactamente o percurso contrário à linha normal de desenvolvimento, entrar num estado de superinfantilidade que será absolutamente louco e caótico, mas não louco e caótico como o mundo que me rodeia".
Henry Miller, Trópico de Capricórnio
A maravilha e o mistério da vida, que são sufocadas em nós quando nos tornamos membros responsáveis da sociedade! Até sermos forçados a trabalhar, o mundo era muito pequeno e vivíamos na sua margem, na fronteira, digamos, do desconhecido. Um pequeno mundo grego, ainda assim suficientemente profundo para proporcionar toda a espécie de aventura e especulação. E não era assim tão pequeno, pois reservava as mais imensas possibilidades. Não ganhei nada com o alargamento do meu mundo, pelo contrário, perdi. Quero tornar-me cada vez mais infantil e seguir além da infância, na direcção oposta. Quero seguir exactamente o percurso contrário à linha normal de desenvolvimento, entrar num estado de superinfantilidade que será absolutamente louco e caótico, mas não louco e caótico como o mundo que me rodeia".
Henry Miller, Trópico de Capricórnio
quinta-feira, 16 de julho de 2009
provocando uns e outros
Estou muuuito curioso por este Hip-Hop Sinfónico de amanhã!
Para saber um pouco mais, veja-se a interessante entrevista de Miki, reputado produtor alemão de hip-hop e coordenador de todo o projecto, à revista institucional da Casa da Música. Tinha sublinhado uma série de frases que queria deixar aqui, mas entretanto não sei onde pára a revista. Debruçavam-se sobre as inevitáveis querelas entre puristas, quer de um lado (música clássica), quer do outro (hip-hop). E já todos sabemos onde está a virtude...
Pelos vistos, esta experiência - no mínimo arrojada - já foi levada a cabo pelo mesmo Miki na sua terra natal, quando juntou uma série de rappers alemães e a Orquesta Nacional de Berlim (se não me engano). Os elogios foram muitos... e dos dois lados.
É ver para crer!
Orquestra Nacional do Porto
Rappers portugueses presentes: Sam the Kid, NBC e New Max (embora este último porventura mais conhecido pelos dotes na produção).
Outros: Ono.
Arranjos e coordenação: Miki.
Para saber um pouco mais, veja-se a interessante entrevista de Miki, reputado produtor alemão de hip-hop e coordenador de todo o projecto, à revista institucional da Casa da Música. Tinha sublinhado uma série de frases que queria deixar aqui, mas entretanto não sei onde pára a revista. Debruçavam-se sobre as inevitáveis querelas entre puristas, quer de um lado (música clássica), quer do outro (hip-hop). E já todos sabemos onde está a virtude...
Pelos vistos, esta experiência - no mínimo arrojada - já foi levada a cabo pelo mesmo Miki na sua terra natal, quando juntou uma série de rappers alemães e a Orquesta Nacional de Berlim (se não me engano). Os elogios foram muitos... e dos dois lados.
É ver para crer!
Orquestra Nacional do Porto
Rappers portugueses presentes: Sam the Kid, NBC e New Max (embora este último porventura mais conhecido pelos dotes na produção).
Outros: Ono.
Arranjos e coordenação: Miki.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
entre escrever uma coisa banalíssima e ser alvo de troça, e escrever a mesma coisa banalíssima e receber aplausos, há um sem-fim de complexos, preconceitos, paranóias, amores-ódios, invejas, egoísmos. E depois, talvez só depois, venha a qualidade como critério. Na verdade, o único critério.
É uma linha... ténue, dizem.
É uma linha... ténue, dizem.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Lo fácil cae ligero
Obrigado pela revelação naquele fim de tarde mal contado.
"Lo fácil cae ligero
lo duro pesa mucho
el tiempo va volando ya que puede tiene que vola
cada uno en su luga
todo esta muy claro
tu origen te marca, tu eliges la charca
donde quieres remar"
Mala Rodriguez, Lo fácil cae ligero
"Lo fácil cae ligero
lo duro pesa mucho
el tiempo va volando ya que puede tiene que vola
cada uno en su luga
todo esta muy claro
tu origen te marca, tu eliges la charca
donde quieres remar"
Mala Rodriguez, Lo fácil cae ligero
terça-feira, 7 de julho de 2009
relendo
Há tempos, o Tiago deixava aqui um testamento de Miguel Torga sobre a complicada e não raras vezes desesperada relação entre o homem que escreve e as palavras que escreve.
Estendendo o ponto de vista:
"Jamais homem algum escreve o que desejaria escrever: a criação primitiva, que está sempre a acontecer quer se escreva, quer não, pertence ao fluxo primordial: não tem dimensões, nem forma, nem qualquer elemento de tempo.
(...)
Num mundo inteligentemente organizado não haveria necessidade de fazer a tentativa insensata de exprimir por palavras escritas acontecimentos tão miraculosos. Na verdade não faria sentido nenhum, porque, se os homens se detivessem a meditar no assunto, compreenderiam que ninguém se contentaria com a imitação, com o falso, se o real, o genuíno, estivesse ao seu alcance".
Henry Miller, Sexus
Estendendo o ponto de vista:
"Jamais homem algum escreve o que desejaria escrever: a criação primitiva, que está sempre a acontecer quer se escreva, quer não, pertence ao fluxo primordial: não tem dimensões, nem forma, nem qualquer elemento de tempo.
(...)
Num mundo inteligentemente organizado não haveria necessidade de fazer a tentativa insensata de exprimir por palavras escritas acontecimentos tão miraculosos. Na verdade não faria sentido nenhum, porque, se os homens se detivessem a meditar no assunto, compreenderiam que ninguém se contentaria com a imitação, com o falso, se o real, o genuíno, estivesse ao seu alcance".
Henry Miller, Sexus
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
Eu Não das Palavras Troco A Ordem

Já não comprava um disco de hip-hop português que me desse tanto prazer de escutar como este. Aliás, já não comprava um disco de hip-hop português há bastante tempo.
Nerve é um caso sério. Nos poesia, na métrica cantada da mesma, nos beats, na interpretação pessoalíssima com que modela as palavras e as respirações (quase que o vemos a gesticular mesmo à nossa frente), no negrume cínico e imprevisível (e depressivo, claro) que é transversal a todas as faixas do disco.
Uma vez que antes de ir comprar o disco, já tinha ouvido umas coisas na net, fiquei excitadíssimo quando vi na capa "INCLUI LETRAS DAS MÚSICAS". Excitadíssimo e, ao mesmo tempo, surpreso, pela transparência de alguém que põe na sua música palavras tão cruas.
A surpresa desfez-se. As letras vêm redigidas num complexo sistema de inversão que as tornam ilegíveis. Mesmo agora que já descobri o caminho lógico para as decifrar, acabei por me decidir a não fazê-lo, quase num respeito íntimo para com o autor.
Para mais, esteticamente falando, Nerve salta anarquicamente o campo do hip-hop com uma produção não raras vezes puramente experimental, louca, desconcertante. Para trás e para a frente, dá voltas e voltas numa sonoridade eclética e estranha q.b., sem nunca cair, todavia, nos minimalismos chatos ou monótonos da música experimental mais frequente nos dias de hoje. É rap, é indie, é spoken word, é electrónica, é tudo isto mais os rasgos excêntricos de um jovem da minha idade (creio) com uma caneta endiabrada...
Este é um grande, grande disco e de impacto ainda desconhecido para a música portuguesa, arrisco eu.
"Nunca fales com estranhos!"
Não falo, está prometido!
(...)
Ei, eu sou estranho e ninguém quer falar comigo...
sexta-feira, 3 de julho de 2009
no meio de tanto absurdo
é bem capaz de aparecer alguma associação animal dizendo sentir-se ultrajada pelo "tratamento indigno e vexante" para com a classe taurina, bovina, suína e outros que tais.
Não era a primeira vez.
Não era a primeira vez.
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
Hereditário
Este é dos poemas mais ricos do Sam. Um dos meus preferidos, senão o meu predilecto. Provavelmente o poema mais belo que o Hip-hop português conheceu até hoje.
(recomenda-se audição do registo musical original)
(versos aqui)
Etiquetas:
festival silêncio,
hip-hop,
Poesia,
Sam the Kid
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