(Dramma Della Gelosia, 1970, Ettore Scola)
Da minha janela vejo o Bósforo todos os dias: divisões e correntes, agitações e marés. Tal como no homem, tal como no mundo.
domingo, 28 de junho de 2020
quinta-feira, 25 de junho de 2020
quarta-feira, 24 de junho de 2020
quinta-feira, 18 de junho de 2020
les plaisirs d'ici bas
"Nas memórias, Luis Buñuel dedica um capítulo ao que chama «les plaisirs d'ici bas». Ao contrário do que se possa pensar, o sexo não ocupa o primeiro lugar, mas vem depois do álcool e do tabaco. Buñuel diz mesmo que os dois últimos «acompanham muito agradavelmente o acto de amor. Geralmente, o álcool deve ser antes e o tabaco depois» e acrescenta que ficou muito contente com a desaparição progressiva e finalmente total do seu instinto sexual, mesmo em sonhos, nos últimos anos da sua vida. «Estou muito contente, como se me tivesse, por fim, desembaraçado dum tirano. Se Mefistófeles me aparecesse a propor uma recuperação do que chamam a virilidade, respondia-lhe: 'Não, muito obrigado, não quero mais. Fortalece, antes, o meu fígado e os meus pulmões, para poder continuar a beber e a fumar à vontade".
(João Bénard da Costa in Escritos sobre Cinema / Le charme discret de la bourgeoisie, 1972, L. Buñuel)
terça-feira, 16 de junho de 2020
terça-feira, 9 de junho de 2020
Every day is sweeter than before
(LP Bonnie Pointer, 1978)
"When the dawn creeps across my pillow
Curled up beside me, you angel in tangled hair
With the sweetest smile
No face has ever shown me
It would take most men a whole lifetime to know me like you do
Don't you know that I love you more and more
Every day is sweeter than before
It blossoms like a rose, blooming in the spring
More than anyone or anything
More than I can say, more than I can show
I love you babe"
Curled up beside me, you angel in tangled hair
With the sweetest smile
No face has ever shown me
It would take most men a whole lifetime to know me like you do
Don't you know that I love you more and more
Every day is sweeter than before
It blossoms like a rose, blooming in the spring
More than anyone or anything
More than I can say, more than I can show
I love you babe"
segunda-feira, 8 de junho de 2020
tryouts for the human race
(LP No. 1 In Heaven, Sparks, 1979)
"We're just a gleam in lover's eyes
Steam on sweaty bodies in the night
One of us might make it through
All the rest will disappear like dew
Pressure building, gettin' hot
Give it, give it, give it all you got
When that love explosion comes
My, oh my, we want to be someone
Steam on sweaty bodies in the night
One of us might make it through
All the rest will disappear like dew
Pressure building, gettin' hot
Give it, give it, give it all you got
When that love explosion comes
My, oh my, we want to be someone
(…)
We just want to feel the sun and be your little daughter or your son
We're just words that lovers use
Words that light that automatic fuse
When that love explosion comes
My, oh my, we want to be someone"
We're just words that lovers use
Words that light that automatic fuse
When that love explosion comes
My, oh my, we want to be someone"
come as you are
"To me, hip-hop says, 'Come as you are'. We are a family. It ain't about security. It ain't about bling-bling. It ain't about how much your gun can shoot. It ain't about $ 200 sneakers. It is not about me being better than you or you being better than me. It's about YOU AND ME, connecting one to one. That's why it has universal appeal. It has given young people a way to understand their world, whether they are from the suburbs or the city or whatever.
[…]
'Keeping it real' has become just another fad word. It sounds cute. But it has been pimped and perverted. It ain't about keeping it real. It's about keeping it right.
For example, rappers want to be so 'bling-bling'. Are you really living a luxurious life? Don't you have other issues? What things touch you? That's what we'd like to hear rappers speak about. Start a dialogue with people".
Excerto do prefácio de Kool Herc em Can't Stop Won't Stop (2005, Ebury Press), de Jeff Chang
quarta-feira, 3 de junho de 2020
Sopra o vento, sim, mas o tempo, esse, está ainda longe de ter terminado para Kilu, homem de rap adulto cuja melódica global, de uma notória melancolia (a condizer com as gotículas que “enchuvam” a capa do EP) e com um claro gosto pelo experimentalismo, vai sendo contrariada por uma naïveté cuja bondade a bolha de agressividade na qual arfa hoje o mundo tribalizado das redes sociais fez esquecer: um amor, digamo-lo para simplificar, ao próximo, uma fé primária, ancestral, na comunicação humana. Quase 20 anos depois de "Um Outro Lado da Versão", "Rotulado" pode e deve, pois, servir de mola para a recuperação e reavaliação de um dos segredos mais bem escondidos do hip-hop português.
No ípsilon da última sexta-feira, "Rotulado", EP de Kilas, perdão, Kilu
notes to self
Jeremiah Terminator LeRoy (J. Kelly) *
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Terra em Transe (1967, G. Rocha) ***
Contacto (1997, R. Zemeckis) **
The Wings of Eagles (1957, J. Ford) ***
La Corruzione (1963, M. Bolognini) ***
Io la conoscevo bene (1965, A. Pietrangeli) ****
Adua e le compagne (1960, A.Pietrangeli) ****
Il magnifico cornuto (1964, A. Pietrangeli) ***
The Great Dictator (1940, C. Chaplin) ***
terça-feira, 2 de junho de 2020
Thank you
Thank you for all that you gave me and taught me. I am forever greateful. I love you, folks.
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George Floyd, 25-05-2020, Minneapolis, USA
segunda-feira, 25 de maio de 2020
Io la conoscevo bene
(Io la conoscevo bene, 1965, Antonio Pietrangeli)
Filme inebriantemente cinéfilo (mas não aborrecidamente “de tese”), e não apenas por captar o meio podre, de fim-de-festa, do cinema (italiano, mas podia ser outro qualquer), por se ouvirem piadas sobre Ava Gardner e Visconti, pelo facto de a protagonista ter o sonho – o seu único sonho, parece (nem sequer o amor parece habitar esse patamar de desejo e fantasia) – de ser actriz ou passar tardes na sala de cinema. “Io La Conoscevo Bene” constitui também – ou sobretudo – um objecto cinéfilo pela forma como mostra o lado simultaneamente mais cruel, “técnico” e ontológico do cinema: a manipulação, o efeito, la grande illusion. No caso, sentido na própria pele. Depois de fazer uma pequena entrevista filmada para uma revista de cinema como ambicionada forma de finalmente despertar o interesse de algum produtor, Adriana assiste a esse trecho num intervalo entre filmes da sala de cinema a que costuma ir. E o que aí vê é o novo tratamento – hélas, a montagem – que os técnicos deram à gravação, justapondo as imagens (e manipulando a própria velocidade e sequência da imagem) e as suas palavras com o intuito de a ridicularizarem e fazerem dela uma pateta metade alegre, metade “putana” (o estereótipo da actriz de cinema burra e bela). Efeito Kuleshov 2.0 – ainda nem sequer se fez actriz e já provou do pior (do melhor) do cinema. A grande ilusão, a grande humilhação… E vemo-la sair, ainda antes das luzes se acenderem, pela portinhola atrás de si como um animal ferido, o seu movimento de viragem do tronco e dos ombros no escuro toda uma dor de se ver…
Filme, também, “feminista” – pelo menos num tempo em que o conceito (como, pasme-se, todos eles) admitia ambiguidades, segredos, negociações, aporias, até… Filme muito mais “vivre sa vie” do que o dito cujo, e no qual a protagonista sabe e assume, com enorme coragem e tenacidade – qualidades que, dissimuladas pela sua graça e bondade, podem enganar o espectador, fazê-lo ver Adriana como ingénua, quando ela é tudo menos isso… –, que a liberdade, a vontade, soberana e solar, o “saber de si” (até às últimas instâncias…) acarretam, pelas circunstâncias próprias do tempo em que vive, consequências. Sinalagma que Adriana, num movimento que é tão poético quanto honesto, recto, jamais recusa ou escamoteia e, talvez ainda mais importante, do qual jamais se lamenta. Sem nunca abdicar da sua dignidade, ou, pelo menos, da dignidade nos exactos termos que ela – só ela – define. Como quando um zé-ninguém lhe transmite que o actor famoso presente na festa onde ela se encontra a quer levar para casa e Adriana, espantada, recusa. “Que modos são esses? Se quer que eu vá, que venha ele falar comigo”. Adriana sabe que será apenas, como tantas vezes ao longo do filme, uma one-night-stand, chiclete sexual mastiga-deita-fora, mas está de bem com isso (muito provavelmente porque ele é também apenas isso mesmo para ela). A educação, a cortesia, isso, já são outra coisa – ela assim o define.
quinta-feira, 21 de maio de 2020
Público/Ípsilon 15-05-2020
“Here’s a little story that must be told"... eis um dos versos mais famosos de uma canção seminal do hip-hop (“Stoop Rap”, dos Double Trouble), ainda hoje samplado à exaustão. A história do hip-hop finalmente mapeada de modo profundo e sistemático em Hip-Hop Evolution, série documental disponível na Netflix que vai já na sua quarta temporada, está longe de ser uma “little story” – é toda uma cultura desde os finais dos anos 70 em análise e Shad Kabango, ele mesmo fã e rapper, é o MC que faz as cerimónias da casa.
Texto + Entrevista - https://www.publico.pt/2020/05/15/culturaipsilon/noticia/historia-grupo-miudos-bronx-dia-criou-cultura-global-1915479
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